quinta-feira, 31 de maio de 2012

Mau feitio


Digamos que ao ao meu incidente podológico se seguiu uma constipaçãozeca, uma noite mal dormida e um ataque de tudo quanto é sintoma de tensão pré-menstrual (dores de tudo e mais alguma coisa, mau feitio a dar c'um pau e o mais profundo desconforto)... Estou assim, a modos que de mau humor.

Se tivesse ido a Fátima a pé não estava tão mal...


O meus pés estão oficialmente uma desgraça: dedos tortos (por causa de episódios deste género), bolhas da adaptação ao calçado de Verão, calos eternos do ballet e a ausência de verniz. Procuro agora umas bonitas galochas para usar até Agosto.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sim, era eu!


Depois de ontem alguém me ter dito: "mas que pouca vergonha de vida é esta que dá para ir à praia durante a semana?!" hoje - tenho cá p'ra mim que por praga rogada - fiz uma das figuras mais tristes dos últimos tempos! Armada em fina achei que o vestidinho de praia não ia ficar bem com as sapatilhas próprias para andar grandes distâncias. Vai daí, dei aos meus pés umas belas chanatas havaianas para fazer os 8 quilómetros da praxe. Não é que aquelas as filhas-de-uma-égua-mal-montada me fizeram tantas bolhas à ida (tenho uma pele muito sensível e aparentemente pouco tolerante ao plástico dos chinelos durante os primeiros dias de primavera) que no regresso, depois de ir descalça um par de metros e de ter percebido que a gincana entre escarretas do corredores aflitos não era a minha cena, calcei as meias do meu homem (que levou sapatilhas... sim, é mais esperto que eu) e depois calcei os chinelos. Sim andei de meias pretas de desporto cheias de mariquices aerodinâmicas e de havaianas. Sendo que o pior nem era só esse duo brilhante, mas sim o facto de o ter usado com um vestido curto em que saltava à vista as minhas pernas ultra-brancas cortadas por uns peúgos pretos sobre os chinelos. A todos aqueles que passaram por mim no passeio marítimo de Oeiras e que ficaram a olhar para os meus pés, ficam a saber que estou-me a marimbar! Tinha os pés todos assadinhos e era a mim que doía e não a vocês!! Vale? 


Adenda ao post anterior


terça-feira, 29 de maio de 2012

Do tolos (à falta de melhor adjectivo)


Ele há dias em que parece que os maluquinhos saíram todos à rua e convergem invariavelmente para nós. E não estou a falar daquelas pessoas que ouvem vozes e vêem coisas ou que emigram para dentro dos seus próprios pensamentos. Com esses até me consigo identificar! É com aquela raça de homens que acham vão conseguir alguma coisa com grunhidos aos ouvidos de uma miúda (enquanto ajeitam a genitalia) que eu acho que há qualquer coisa muito errada e que não se trata com cipralex 20! Hoje, enquanto cuspia um pulmão e o meu cabelo vazia uma crista de caracóis, fui cercada com mitras de bicicletas que gritavam para o ar cenas que em teoria me deveriam enternecer o coração. Pouco depois, já um bocado mais roxa, mas despenteada e mais suada passa por mim um brasileiro que sussurra um qualquer chavão de novela que me fez parar a digestão. Quando eu achava que o dia já não rendia mais maluco nenhum, porque já estou a sair da praia, com o cabelo cheio de sal, as pernas cheias de areia, vejo pelo canto do olho vejo um tipo com idade para ser irmão mais novo do meu pai, sem camisa, com as calças arregaçadas, cerveja numa mão e cigarro na outra a dizer-me: "Anda cá não fujas! Só te quero perguntar uma coisa". Até me podia querer dar o número do euromilhões, mas eu já estava com os salva-vidas ao meu lado, pelo sim, pelo não.
No meio disto pergunto-me: porquê? O que é que estas almas pensam quando resolvem ter estas abordagens? Que as raparigas vão responder aos grunhidos, e às baboseiras brasileiras ou aos anda "cá não fujas"? Que vão ficar pelo beicinho e atirar-se para os braços desses exemplares? Homens que por aqui passam, expliquem-me porque quero muito compreender o que se passa pela cabeça dessas almas!

Em compensação...


A caminhada de ontem de 8km para chegar à praia (4km - banhoca - 4km) valeu-me umas grandessíssimas bolhas nos pés! É que os chinelos dão para andar por aí de um lado para o outro mas não foram feitos para longas distâncias.
Hoje conto repetir a brincadeira - prainha da boa antes que venha o mau tempo - mas já com o equipamento adequado! É um dois em um como eu gosto: um combinado de exercício e lazer/prazer!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Podem chamar-me nomes!


Guilhim Maria daqui a 30 anos acabar aquele casaquinho de malha começado em 2013

O meu fim de tarde foi passado entre banhos de mar e banhos de sol e posso garantir que já não estou translúcida! Ainda é preciso ter algum cuidado e não olhar directamente para mim porque a brancura continua a ferir a vista, mas já não magoa tanto!

"Do fundo do baú" ou "Este post não interessa a quem não conhece Coimbra"


Vou com cada vez menos frequência a Coimbra e por isso as diferenças vão me parecendo mais óbvias. Numa destas viagens tentei lembrar-me de como era a cidade quando era garota. Algumas coisas serão únicas daquele cantinho, mas outras devem ser universais! Indo lá aos lugares mais recônditos da memória vem-me isto à idea:

- A zona do Pólo II era "Marrocos";
- Havia miúdos a tomar banho nas margens do Mondego;
- O(s) States não eram um país e o Scotch não era uma bebida. Eram antes duas discotecas em espectros opostos de estilo;
- O Teixeira já não tinha a companhia do Tatonas;
- O Sócrates não era filósofo e muito menos ministro. Era um cão que andava pela Universidade e que periodicamente era tratado pelos estudantes de medicina;
- A queima das fitas acontecia do lado do parque da cidade e a entrada podia ser feita de jangada. Os concertos aconteciam onde hoje é o parque verde/estacionamentos;
- No Associação dos Trabalhadores de Celas havia mais do que reuniões de proletariado. Música muito improvável passou por aquelas "garagens".
- O mesmo se passava com a cave das Químicas;
- "Vision", não era um casaco pipi das betinhas. Era antes a forma delas se deslocarem pela cidade;
- Os rapazes (que podiam) andavam de DT;
- É possível que ainda houvesse sinaleiro no largo da portagem e que o comboio da Lousã ainda por lá passasse;
- No Verão os momentos refrescantes eram passados no actual Dolce Vita entre "a dos pequenitos", "a média" e a "olímpica". Estou a falar das piscinas municipais;
- Na praça da República ainda existia o Mandarim;
- A juventude masculina andava com uns sacos pequeninos debaixo do braço e de equipamento do União vestido;
- O conservatório de música tinha sede numa antiga maternidade na Sé Velha;
- O cortejo da queima acontecia à terça e todas as escolas secundárias aguardavam em ânsias pela chegada dos gaiteiros;
- Havia quem andasse na ih/cambridge, na aliance e no goethe institut;
- As meninas do ballet da ACM esperavam a hora da aula a assistir aos treinos de Judo;
- A Casa de Trás-os-Montes servia copos até tarde;
- A feira do livro acontecia na Praça da República e a CIC ali para os lados da Praça dos Heróis do Ultramar;
- O Vinil e a Broadway tinham matinés bem como o Bonzão e o Lagar;
- Dava para assistir aos jogos da Académica de borla no peão;
- O choupal no domingo estava à pinha;
- No Avenida havia 2 cinemas e 1 cineteatro que passava filmes alternativos;
- As festas da Rainha Santa eram um dos poucos momentos em que havia bom fogo de artifício;
- O "Zé Falcão" era a escola dos estilosos, a Brotero dos alternativos e o Dona Maria dos meninos-bem;
- Comia-se mal e barato no restaurante dos Jardins da Manga e na Democrática;
- Havia um violador na Universidade;
- Adolescentes passavam tardes inteiras na Tupik a comer gelados como se não houvesse amanhã;
- A roupa gira comprava-se no Infinito e numa loja pequenina num centro comercial da Visconde da Luz;
- Era no OAF que se passavam os melhores serões;
- Compravam-se sapatilhas na Chuteira;
- Bebia-se Brisa na casa da Madeira;
- Ia-se ao Combinado jogar bilhar e videojogos;
- Via-se o presépio nos Bombeiros Voluntários e a mão da Rainha Santa;
- Ia-se à Feira Popular lá para as bandas da Guarda Inglesa (?)
- Havia carrinhos de choque perto da Brotero e da Eugénio de Castro, quando o Espírito Santo ficava na Praça dos Heróis do Ultramar;
- Os rapazes do D. Maria faziam excursões para ver as meninas do Dona Maria;
- Faziam-se visitas às grutas e à Casa Amarela;
- Nevou em 82;
- Roubavam-se flores onde hoje se faz compras (no Coimbra Shopping);
- As iluminações de Natal eram fantásticas e eram um momento muito aguardado;
- O trânsito circulava na Ferreira Borges e na Visconde da Luz;
- O Diário de Coimbra (aka Calinas) dava luz uma das suas mais ilustres parangonas: "Ontem faltou a luz, na Rua Visconde da mesma";
- Os exames de condução acabavam no estádio e nos exames de acelera só era preciso acertar em três sinais de trânsito e fazer um 8 sem pôr o pé no chão, cair ou bater no muro!

Falta-me alguma coisa?

Segunda-feira #141

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Post dedicado ao senhor que hoje de manhã me chamou um nome feio...


...e a todos a quem a carapuça possa servir. 

Tenha calma! Sim estava distraída a roer a minha maçã e embalada pelo ritmo do para-arranca e não me apercebi que estava à espera para entrar na fila há... 3 segundos. Fez muito bem em buzinar, só falhou na quantidade de vezes que o fez, no tempo que deixou a sua mão a repousar no círculo fofinho no meio do volante com o sinal de uma corneta, na quantidade de gestos pouco simpáticos que fez e nas coisas pouco bonitas que disse. É que a resposta da minha parte seria exactamente a mesma que recebeu – um sorriso, a mãozinha que não estava a segurar a maçã a indicar o caminho e os votos sinceros de um bom dia – a diferença é que se que chateava menos. Tanta irritação logo pela manhã é coisa para lhe fazer mal. Havia de ver isso... Porque mesmo que seja um qualquer síndrome de “polegar pequeno” não é nada que com algum acompanhamento especializado não se corrija. É que para além do mais, nunca se sabe se está a insultar a mulher da sua vida (neste caso não corria esse risco) que irá encontrar numa qualquer situação em que esteja apeado e como é sabido, as mulheres não esquecem! 

Repare que se o caso fosse de uma valente abobrada – uma situação de contra-mão, excesso de velocidade, falta de piscas... – sentava-me ao seu lado com o dicionário de vernáculo e ia dando sugestões intercaladas com copos de água para não secar a garganta. Mas se é só uma questão de egos e teimosia, quer-me parecer que é tempo perdido. E isto faz-me lembrar aquele senhor que na rotunda também me buzinou como se não houvesse amanhã. Nesse caso o meu pisca estava feito e não havia dedo do meio que me pudesse mostrar que fizesse alterar esse facto ou a minha rota (uma vez que isso seria mais perigoso que magoar os sentimentos de macho latino ao volante do seu bólide). 

Em resumo, há poucas coisas mais tristes que um homem sem educação, chá, classe maneiras, o que quiserem chamar! Daquelas coisas que ou se não ou não se tem e não há Mercedes ou BMW que possam dar.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Das moscas e da ASAE


A malta embirra com os senhores da ASAE mas a verdade é que eles até vão fazendo falta e tinham evitado um cena de histeria duma certa portuguesa em Varsóvia! Numa de tentar poupar dinheirinho, fomos a um Carrefour comprar pão e coisas para fazer uma sandocha. Dentro do supermercado a escolha do pão passava por várias mãos: escolhe-se a agarrar nas carcaças e as que não passavam na selecção entravam de novo na caixa. Numa lógica do "passa ao próximo e não ao mesmo" e "rezemos para que toda a gente lave as mãos com uma certa frequência". Não sou nojentinha a esse ponto. Não simpatizo com a ideia mas não é isso que me faz deixar de comer. Nasci nos anos 80 - tempo dos açucareiros, saleiros e galheteiros comunitários - e por isso estou imune a um conjunto de problemas que hoje em dia afectam as gerações mais novas. Pelos corredores, em particular do peixe, as moscas faziam uma raveparty. Também não me chocou por aí além. Para quem vai aos mercados sabe que há coisas que são difíceis de controlar. A coisa só mudou de figura quando sentadinha numa mesa, ainda dentro do centro comercial, vejo sair do meu pão uma varejeira mole e cheia de pêlos nas patas. Escusado será dizer me levantei num pulo, entre gritinhos histéricos deixando um rasto de cadeiras caídas, líquidos entornados e estupefacção na cara dos polacos. A minha colega, mulher rija, pegou calmamente no bocado de pão onde estava o monstro e deitou-o para o lixo. Comi o resto (mais do que não ser muito nojentinha sou mulher de alimento) mas o estrago estava feito... passei o resto do dia a sentir pêlos de mosca na boca.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Mixed fellings







Gosto de viajar, não o faço tanto quanto gostava, mas gosto de viajar e são raras as vezes que venho de viagem a achar que não gostei. Desta vez não sei... Das cidades que visitei - Lublin, Varsóvia e Cracóvia - não fiquei deslumbrada por nenhuma. Cracóvia é bonitinha, mas há ali qualquer coisa que não me cativa. E depois as pessoas! Já não me lembro de ralharem assim comigo desde os meus 12 anos. Quer dizer... digo eu que ralhavam. Falavam em polaco e com cara de poucos amigos, na minha terra isso é parecido com ralhar. E porquê? Uma das vezes estava a comer bolachas e as migalhas que caiam alimentavam os pombos. Um senhor esteve uns bons cinco minutos a dizer coisas que traduzidas na minha cabeça e tendo em conta o tom seriam algo do género: "Oh minha grande parva, não vez que estás a dar comida aos pombos que cagam esta merda toda?! Vai lá pá'tu terra!". Da segunda vez o caso piou mais fino... bilhete comboio errado e uma multa (escrita em polaco) para lá de grande para pagar... Por outro lado, encontrámos em todas as situações gente que nos ajudou à séria! Que saíram do caminho que estavam a fazer para nos acompanharem onde fosse preciso! A barreira da língua parece-me ser o maior problema e que pode levar a mal-entendidos chatos, principalmente tendo em conta que aquela personalidade soviética não dá grande espaço para o cumbíbio. Por isso não sei se gostei ou não!

Segunda-feira #140


a 21 de Maio de 1981 nascia eu!

domingo, 20 de maio de 2012

Esperança a preto e branco



Briosa:
adj.
1. Que tem brio.
2. Generoso.
3. Fogoso.

É isso e muito mais! Que hoje leve a taça ali para os lados da solum!

Estou feita!


Estou amigada com um interesseiro do pior! Sabendo que o gene do Alzheimer corre à rédea solta na família e que a perspectiva de me ter atrelada durante os próximos 53 anos implicará ter de me aturar no meio de muito esquecimento e "baralhação" não é a mais simpática (mas fortemente provável), resolveu que o aproximar do meu trigésimo primeiro aniversário era o momento ideal para começar a dar músculo aos neurónios, na esperança que os danados arranjem maneira de ficar contidos e vivinhos dentro no crânio e no meio do puré cor-de-rosa e cinzento que é o meu cérebro, por mais meia dúzia de anos. Vai daí, diz que desde sexta e até segunda feira vou ter de desvendar pistas para receber os presentes. Tendo por exemplo a pista do dia de ontem, estou tramada! Chego aos 45 ainda a tentar adivinhar o que me espera...

sábado, 19 de maio de 2012

Enfermeira Guilhim Maria, em que posso ajudá-la?!


Desde de Dezembro que andava com uma quenga de uma alergia à volta dos olhos que me dava um ar de agarrada bonito de se ver: borbulhinhas no contorno dos olhos, olheiras, pele sensível e vermelha... Coisa simpática! Como a minha pele é uma caca, alérgica a tudo e mais um par de botas, pensei que fosse o stress do doutoramento a manifestar-se (sou dessas... das urticárias e o raio). Com o medo que tenho de médicos, tentei fazer tudo o que me parecia razoável antes de dar esse passo extremo: compressas com chá de malvas nos olhinhos; mudar de creme de cara e de olhos; deixar de usar creme de olhos; deixar de usar creme de todo; mudar a alimentação; deixar de usar maquilhagem... e aquela praga d'um raio não havia meio de passar. Ainda tentei ser uma daquelas chatas que pede ao amigo médico só para dar uma vista de olhos... mas Coimbra é longe, o fim de semana é um momento pouco simpático para as cunhas e deixei a coisa andar até que as borbulhinhas se espalharem por toda a cara. Sim, estava feita num bicho! Liguei para a linha Saúde24 e mandaram-me ir ao médico. Não fui (a consciência manda-me dizer que devia ter ido)! Fui à net (a consciência manda-me dizer que não recomendo). Inseri os sintomas no Doutor Google e veio de lá diagnóstico mais estapafúrdio dos últimos tempos: alergia ao verniz das unhas. A rir-me liguei para a Mãe Fatinha para dar a novidade estapafúrdia. Pouco tempo depois recebo novo telefonema com a senhora minha mãe a dizer-me: "Filha, olha que diz que sim... que há pessoas que fazem alergias desse tipo ao verniz... (mamãe tem connections no mundo dos médicos). Não precisei de mais nada: acetona em barda para cima das unhas e a esperança que no mesmo instante a borbulhage tivesse desaparecido... só tive de esperar uma semana e estou quase fina! Por isso mulheres que por aqui passam: se virem que há uma alergia qualquer (a consciência manda-me dizer) vão ao médico e tirem o verniz!

Ai a'nhas cruzes!




Ainda estou que nem posso! Dói-me tudo e parece que andei a levar porrada durante uma semana. Agora vou só ali perceber o porquê de ter acordado às 5h40 da matina num sábado...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Polska


Guilhim Maria está viva e de saúde mas por terras polacas. Irá regressar, cheia de quilos a mais e com dores nas pernas que valha-lhe-deus, mas contentinha da vida.

A gerência

domingo, 13 de maio de 2012

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Há dias assim...





Ando coxa! Uma das primeiras fotografias em que me reconheci estou a agarrar um cão pelo pescoço (era o que o jeito que tinha me deixava fazer). Devia ter uns dois anitos, muitos caracóis na cabeça e um gancho que tentar impedir um rebelião capilar. Contava a minha mãe que o Bobby, cão dos meus avós, um "pequenito" Pastor Alemão cruzado com Serra da Estrela, guardava o meu berço e quando eu acordava ia avisar alguém do sucedido. Os meus tios do Souto Bom, passavam as primeiras horas das visitas a mostrar os coelhos, cabritos, porcos e vitelos com toda a paciência do mundo. Depois disso, se não fosse grande o empecilho, lá íamos com eles pastar as Malhadas (não sei porquê, mas passam-se os anos e as vacas lá da terra mantêm o nome). Mais tarde a Laica (sim, viviam-se os anos 80) era a cadela que vivia na minha rua acarinhada por todos os vizinhos e que me aturava as festinhas e as conversas importantes durante horas a fio. Valeu-me a primeira discussão familiar, quando informei o meu Pai que naquela noite a Laica ia dormir em nossa casa. À negativa parental que se seguiu respondi: "Vai tu dormir para o bidão (que tinha sido transformado em casota) para ver se gostas". Há mais de 20 anos, esta era resposta suficiente para ir dormir com as nalgas aquecidas por uma merecida palmada... hoje em dia não sei. Depois veio o Flash salvo pela minha irmã que se impôs e impôs a sua presença. Foi o primeiro cão a que dei injecções e a primeira morte que tive de superar. Entretanto veio a Bia a quem a minha mãe dava "filetinhos" às escondidas, 5 segundos depois de nos ter dito que não devíamos dar-lhe comida fora do espaço das refeições. A Bia que caçava coelhos que a minha mãe amanhava (e aproveitava para dar uma aula de biologia: para mostrar como os alvéolos pulmonares estavam cheios de ar, apertava os pulmões dentro de água e eu via sair as bolhinhas) para lhe depois lhe dar. A Bia que teve o Gullit. O Gullit mereceu um nome de jogador da bola (já estávamos nos anos 90). Era o menino da minha irmã. Vimo-lo nascer. Ela sentada em cima da sua scooter. Viveram connosco 14 - 16 anos. Despediram-se de nós lentamente. Durante este tempo veio o Rex. Um rei em porte... com o comportamento de um cachorrão sem juízo nenhum e muito pouca inteligência. O contrário do Jeremias. Esse era o meu bocadinho. Já aqui falei dele. Entretanto do outro lado da cidade a minha mãe adoptava o Mix. Bicho maluco, resistente e meloso que nos deixa menos coxos. E o meu/nosso Bogas... ainda não dá para dizer o tanto que ele me trouxe, o tanto que ele me deixou e o tanto que ele me levou. Por isso é que digo. Estou coxa! Falta-me no andar aquele bocado de amor incondicional que só os bichos dão! Alguém me diz como é que se anda a direito sem esse pedacinho de bem estar?

Gulhim Maria and the lazy cat


Sigo fielmente o blogue da Rita: uma mulher organizada e que tem um gato. Sigo-o com admiração e com a certeza de que dificilmente poderia ser eu a escrevê-lo. Sou uma pessoa que só funciona quando a cenoura está à frente do nariz. Não gosto desta minha maneira de ser. Queria ser motivada e disciplinada no matter what e não só quando a pistola está já a tocar as vertebras. Por muito que aqui e ali tenha rasgos de proactividade carrot free (como nestes dias e nos que se lhe seguem) a verdade é que dificilmente conseguiria acordar às 5 da manhã para ir correr, ou ler, ou qualquer outra coisa. Bem sei que por enquanto tenho que me preocupar comigo e com pouco mais e isso faz muita diferença. Isto de ter ficado órfã de Bogas deu mais espaço para a desorganização e para o desperdício de tempo. Sinto falta daquelas rotinas que eram indispensáveis para o bem estar dele: sair, passear, alimentar, escovar, brincar. Era uma pessoa mais organizada (e realizada) nessa altura. Está fora de questão ter outro companheiro peludo e mal-cheiroso num futuro próximo (pelo menos enquanto não conseguir ver um Dog Whisperer sem chorar), até porque, o que eu queria mesmo, era essa capacidade de gerir (mais) eficazmente o tempo por mim! Porque me vou sentir melhor e mais realizada... [inserir música da Oprah aqui].

As três pessoas que por aqui costumam passar estão agora a perguntar-se: o que é que se passa com estar tipa que agora lhe deu para a introspecção?! Eh pá... não tarda faço anos... e achei que devia começar a pensar em fazer por ser uma mulher crescida...! Lá para o fim do mês isto já passou!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

...a medida de todas as coisas


Daqui a uns dias rumo para a Polónia (a trabalho) e para variar, o que já devia/podia estar feito há mais de 1 mês, está agora a ser finalizado (essa palavra simpática que na minha cabeça é sinónimo de iniciar). Pelos caminhos que tenho seguido para preparar o trabalho tenho encontrado coisas deliciosas. Esta é uma citação de que gosto particularmente: "Para o Português o coração é a medida de todas as coisas" (Jorge Dias).  Tão simples!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ora aí está!



Vale a pena!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Bradypus variegatus


De tempos a tempos faço uma arrumação... da/na minha cabeça. Perceber o que p'raqui anda nem sempre é tarefa fácil, mas tem que ser feita. Sou um bicho preguiça que facilmente se deixa vencer pela inércia e vai-se a ver, a vida passou por mim e nem dei por ela. Hoje foi dia de arrumações. "Soul searching day" como registei na agenda (é triste eu sei... ter de marcar na agenda uma coisa destas). É incrível (e frustrante) perceber que há coisas que não mudam! Que as minhas limitações de há um ano estão quase todas tal como as deixei! Sou burra e forrada do mesmo, só pode! No more, I say! Um diazinho de cada vez e dou a volta à coisa! Só um bocadinho de disciplina e mais proactividade. Não pode ser assim tão difícil, certo?

Segunda-feira #139

domingo, 6 de maio de 2012

Maio de Mãe


mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.


Roubado de tantos e tantos sítios onde hoje se encontra este poema magnífico do José Luís Peixoto.


Disse em Março que me dizem ser "toda mãe"... vai-se a ver é por isso... É por isso que as nossas turras acabam sempre por ser muito mais dolorosas do que seria necessário. Mas vai-se a ver e são assim as grandes paixões, os grandes amores. Maiores do que as nossas distâncias, os nossos silêncios e a  nossa teimosia (que a minha irmã pacientemente vai moderando)... Sendo certo que é dela a mão que não trocava por nenhuma outra para me segurar e ajudar a levantar!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

E que dia é hoje? Que dia é?...


É dia da Mãe e da Mana fazerem anos. 18... as duas! Assim sendo: mais uma corrida, mais uma viagem!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Pronto... só para arrumar a questão e depois não se bate mais no ceguinho:


Fica aqui a referência ao kit a comparar por todos "wannabes" deste nosso cantinho. Mas pronto! Ficamos por aqui, que isto do mau feitio dá direito a uma visita do karma e não estou p'raí virada, porque para mau já basta a chuva.

Dentro de momentos retomaremos a emissão regular.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Diário de uma provinciana #6


Ainda sobre esta noite: Para chegarmos ao Music Box tivemos de passar por uma rua onde estão os mais recentes bares da moda da capital. Para mim, pessoa pouco familiarizada com a vida nas grandes cidades, dá-me logo para imaginar estabelecimentos bonitos, acolhedores, com a temperatura controlada, que protegem os seus clientes das intempéries. Boa música... ao vivo, quiçá. Toda uma oferta de boas bebidas servidas em copos de vidro e tudo isto a um preço razoável! Isto, na minha cabeça provinciana, atrairia as centenas (milhares?) de pessoas que por lá encontramos. Mas não! As pessoas civilizadas e cosmopolitas não acham piada a isso de conforto e bom serviço! Só assim se compreende que tivéssemos de atravessar um mar gente que estoicamente resistia no meio da rua, ao frio, à chuva, rodeadas por outras pessoas a falar alto e a impedir a passagem de quem se queria deslocar. O fenómeno mais engraçado, foi perceber que 80% das pessoas - calçadas com os seus oxford shoes, com os inevitáveis óculos de massa, iphone devidamente kitado com o instagram e roupa milimetricamente escolhida para parecer que não tinha sido milimetricamente escolhida - olhavam para cima com quem avista a aproximação do super-homem. Também olhei claro... mas não vi um homem de collants azuis e um S estampado no peito. Depois de perguntar (lá na aldeia temos sempre esta mania de meter conversa com o vizinho) lá fui informada que estavam a olhar para o prédio decrépito que se erguia à nossa frente. Não pelo perigo de derrocada que constitui (isso do medo é coisa de pobre), mas antes por ser agora um lugar fashion. Isso já não estranhei... lá na terrinha, quando há uma novidade, as pessoas também se juntam para ficar a observar e também comentam: "À lés! Olha q'coisa important ali 'tá, ó!". A diferença é que não o costumam fazer para admirar lugares feios de tão mal estimados!

terça-feira, 1 de maio de 2012

E no dia mundial do Jazz... ouviu-se boa música


Ontem fomos todos lampeiros espreitar a loucura da vida nocturna desta nossa Grande Alface. O mote não podia ser melhor: assistir à apresentação do álbum dos "Memória de Peixe". Mas já dizia o outro "there are no free lunches", antes de lá chegarmos tivemos de ouvir o primeiro "projecto" (que isso das bandas é coisa de pobre e das filarmónicas). Até podia ter piada, mas não é a minha cena. Era um tipo a tocar máquinas (aparelhos que brotam sons - um tanto agressivos - previamente gravados/programados) e outro a tocar guitarra e também um mini-órgão que não é um órgão... é uma cena com teclas que faz barulhos esquisitos e depois as grava e as reproduz até que se carregue noutra tecla (desculpem lá a linguagem técnica utilizada). E como é que eu sei disto? Porque há uma coisa dessas cá em casa, pertença do meu consorte! Mas não gostei! Foi muito abanar de cabeça, cruzar de olhares, revirar de olhinhos, mas pouca alma. Problema meu, bem sei. Gosto tacanho este que tenho! Mas é a vidinha e a história do amarelo. Agora, os Memória de Peixe, sim senhora! Até para uma pessoa que, como eu, já não caminha para nova e tem pouca paciência tem para a night, mereceram todos os bocadinhos de dores de pernas (2 horas de pé minha gente)! Foi muito bom! Valeu tanto a pena!! Já não me lembrava de momentos tão bem passados a ouvir música! Estaesta (que é e foi tocada com o André Tentúgal) e a Estrela Morena (que está à venda com o resto do album no itunes) fizeram-me dançar como há muito não acontecia! Juro que até aturo 30 hipsters (com os seus bigodes [deles e delas], copos de vinho, óculos de massa, sapatos de velho e calças apertadas e multicolores) se me prometerem outra noite destas!

"É tão bom..."


"...uma amizade assim. Ai faz tão bem saber com quer contar!" Já dizia o Sô Sérgio no tempo dos amigos de Gaspar. Hoje foi dia de cantar este hino entre petiscos, sangria e mmmmuuuuiiiiittttoooo paleio de gaja lá para os lados da Bela Piscosa... que, by the way, não é mais bela que a minha Praia!