quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Baby wear: uma espécie de review











A minha mais velha nunca gostou de andar no carrinho e eu nunca gostei da ginástica que implica tirar rodas, pôr rodas, tirar ovo do automóvel, pôr ovo no automóvel e por isso desde que ela nasceu que quase sempre a transportei no sling. Os primeiros tempos não foram pacíficos, ela parecia não gostar de lá ser posta e eu, consequentemente ficava ansiosa. Com o passar do tempo todo o processo se tornou bem mais prático.

Quando a mais nova nasceu não tive grandes dúvidas que ia optar pela mesma modalidade e a verdade é que a garota parecia não se importar com o facto de andar metida dentro de um saco mas em casa a coisa mudava de figura. Sempre que precisava de usar as duas mãos para brincar com a Sardanisca-mor ou para arrumar a casa, a miúda desatava num berreiro que parecia que a estavam a capar e nada era solução: cama, berço, espreguiçadeira nada servia para dormir a não se o colo. A quantidade de coisas feitas era nenhuma e a quantidade de coisas por fazer era muita. No desespero de só fazer de vaca leiteira e de sofá pedi indicação a uma amiga que usava uma espécie de canguru em pano. Mal chegou a casa “vestio-o”, pus a garota lá dentro, que no mesmo instante começou a dormir e fui fazer a minha vida! Eu sei que parece uma coisa pequena mas emocionalmente foi uma espécie de comprimido de boa disposição. De modo que agora estou fã! Apesar de tudo acho que há vantagens e desvantagens nas duas modalidades:

Sling:
- mais prático para pôr mas menos confortável para mãe e cria;
- mais fácil de transportar;
- mais fácil de usar com bebés maiorzitos;
- mais "usável" por mais tempo (?);
- menos amigo de bebés pequenos;
- leva mais tempo a dominar sem ajuda;

Espécie de canguru feito em pano
- mais confortável para mãe e cria;
- mais prático para bebés mais pequenos;
- permite uma maior mobilidade da mãe;
- permite um maior controlo do conforto e estado do bebé;
- mais difícil de transportar;
- mais complexo de colocar (mas não é nada de outro mundo... duas tentativas e domina-se a besta)

Alguém tem alguma coisa a acrescentar?
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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Head, Shoulders, Knees and Toes


(eu com muito bom aspecto)

Numa destas noites tive uma epifania mas das palermas. Aquela canção dos miúdos – head, shoulders, knees and toes, knees and toes – foi na realidade escrita numa parceria entre médico de reumatologia e doente de AR* (ou algo parecido):

Médico – “Então diga-me lá como estão essas dores nas articulações? Quantas e quais articulações são?”
Doente – olhe são tantas que até pensei fazer uma música: Head, shoulders, knees and toes
(dá para ver o grau de taralhoquice, cansaço e algum desespero que p’raqui vai, certo?).

Pois, que parece que a minha amiga voltou em jeito e em força para me atazanar o juízo. O outro dia brindou-me com uma dor no ombro daquelas que fazem acordar às duas da manhã para já não voltar a dormir e não voltar a mexer o braço, o que, quando se tem um bebé com um mês e meio que mama de três em três horas é superespetacular! A par dessa há a do pulso direito, que já é uma velha amiga que nunca me abandonou, uma moínha no joelho direito e o pé esquerdo a parecer uma batata mas, como isto muda todos os dias quem sabe o que trará o dia de amanhã?! É uma animação! De manhã, ver-me a andar é todo um cenário dantesco, o que vale é que a coisa se compõe com o passar das horas. Usando a Daniela Mercury como mental coach, adoptei a máxima “Rio, rio rio, rio p’rá não chorar” a par com aquele pensamento tremendamente egocêntrico de que há que tenha coisas bem piores e se safe sem estrabuchar, por isso, não posso fazer muita fita. Mas apetece!

A parte boa é que dei conta que já expirou o prazo de vida da avestruz que habita em mim. Vai daí, depois de tirar a cabeça do buraco, resta-me tirar a areia dos olhos e marcar nova consulta para ver como estão os meus interiores. Entretanto é acreditar que isto está/vai passar.
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*Artrite reumatóide

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Alive and kicking


Tudo a andar sobre rodas por estes lados mas sobra pouco tempo e nenhuma energia para vir escrever (até agora e vou aproveitar para pôr as ideias em dia... mesmo que só com uma mão). Ainda assim, e como nota positiva, após a última contagem de cabeças, não perdi ninguém. Contudo, ainda não consegui que os dias corressem como o planeado... é que nem chego a conseguir cumprir o plano C... mas já percebi que as coisas correm tanto melhor quanto menor forem as expectativas!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Para memória futura


Antes uma nota importante. Este post não deve ser lido por futuras mães de 1.ª viagem ou aspirantes a mães de 1.ª viagem.



Seria de pensar que no segundo filho já não houvesse espaço para muitas novidades mas a realidade, pelo menos a nossa, é outra. Dou por mim a dizer certa de 85 vezes por dia “não me lembro das coisas terem sido assim com a mais velha” o que me leva às seguintes hipóteses:
a) Aquilo que dizem sobre as gravidezes é mesmo verdade: todas são diferentes;
b) Aquilo que dizem sobre as gravidezes é mesmo verdade: esquecemos as partes más;
(a sabedoria popular nunca falha)

Posto isto, não vá eu daqui a uns anos achar que é boa ideia ir ao terceiro, fica aqui o registo para memória futura:
1. Há poucas coisas tão boas quanto o cheiro do nosso bebé.
2. Melhor, melhor... só mesmo aqueles sorrisos desdentados involuntários... derretem qualquer um!
3. Conhecemos finalmente a perfeição personificada: o nosso bebé a dormir tranquilamente!

Ah ah ah!! Apanhei-vos! Vá, xô daqui a vocês que ainda não pariram! É tudo muito bom e muito bonito e não se vão questionar nem por um segundo sobre o que foram fazer à vossa vida. Palavra. Agora vão ver, pela milionésima vez, se o bebé que têm dentro da barriga é do tamanho de uma semente de chia ou de uma melancia, depois passem pelo site da Zara Home e não se esqueçam de aproveitar os saldos da Verbaudet.

Este é o terceiro e último aviso. Já foram embora?!... Depois não digam que não vos avisei!

4. Parecemos um passador. Todos os furos do nosso corpo vertem durante um mês e há, pelas várias divisões da casa, vários vestígios disso mesmo: discos de amamentação, copas para os mamilos respirarem, vários tipos de pensos higiénicos e lenços de papel aos molhos porque qualquer coisinha nos dá para chorar.

5. A nossa cria parece um passador. Ele é cocós e xixis por todo o lado. Fraldas, trocador, paredes, nós, bodies... tudo é atingido pelo anticiclone de caca da vossa cria;

6. A quantidade de lixo produzido para conter o líquido que de nós sai é incrível. Produzir fluídos corporais em doses industriais, implica contê-los em doses industriais, vai daí o lixo produzido é comparável à de uma pequena suinicultura;

7. A cama do bebé tem picos. Apesar de conseguirem adormecer a fazer o pino ou pendurados por um braço, mal sentem a cama fofinha e fresquinha acordam como se fossem entrar ao serviço como polícias sinaleiros.

8. Se achávamos que matemática do 12.º ano tinha sido difícil estávamos bem enganadas... experimentem saber às quantas andam no que toca à mama em função (é suposto ir alternando entre mamas quando estamos a amamentar) e a horas de mamar... dêm-me trigonometria e equações do terceiro grau! Cá sei seu se na última vez dei a mama direita ou esquerda e se dei de mamar às duas da tarde ou às três!

9. “A chama imensa” está dentro de nós. E não estou só a falar de adeptas do glorioso crentes que ainda vamos ao penta, não! Estou a falar de todas quantas têm, como eu, um pingo de gente esfaimado que põe as nossas mamas a fazer horas extraordinárias! Entre mamilos e mamas, tudo está quente e dorido. (Para quem não tem a sorte de ser benfiquista a banda sonora será o “these girls are on fire”.)

10. Há acampamentos de festivais mais organizados que a nossa casa. Acontece um fenómeno extraordinário: a casa arruma-se a muito custo e 1,35 minutos depois já está virada do avesso. Ele é fraldas de pano em cima das cadeiras, a cadeirinha de embalar em cima da mesa, a taça de cereais, que íamos começar a começar quando a criança começou a berrar, em cima do braço do sofá, o conjunto de chá de brincar da mais venha no chão... (não tenho mais meia hora para continuar).

11. Somos o mapa do grande mundo dos cócós. “Dê maminha que é muito bom. Os intestinos funcionarão muito melhor”. Quão melhor? “Lava-jacto” melhor! E o rescaldo aterra onde? Em cima de nós! Há salpicos vindos da cena do crime (leia-se trocador) em todos os cantinhos mais recônditos a casa e de nós.

12. A máquina de lavar roupa está quase tão cansada quanto nós. Entre a roupa que a garota suja e aquelas que sujamos (voltamos há história dos fluidos corporais) é raro o dia em que não pomos trezentos quilos de roupa a lavar;

13. O parto não é o mais difícil disto tudo!! Não é não senhora. O mais difícil e conseguir viver, com tudo o que isso implica: cansaço e sono acumulado! Por muito bem que a cria mais nova e mais velha durmam, implica sempre acordar duas vezes para dar de mamar e outras tantas para dar água e afastar os sonhos maus.

Portanto, vamos lá repetir o mantra: não te voltarás a esquecer de tudo isto! Por muito bem que o bebé cheire (e cheira tão bem) e por mais ternurento que seja o sorriso desdentado!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Eu, a dar uma bélha


Não gosto nada daquele paleio de "no meu tempo é que era" mas, 9 anos de "casa aberta" já me dá o direito de ter essa visão. A verdade é que tenho saudades do tempo em que procurava na net e nos blogs da malta que ainda não fazia (ou gostava de fazer) da coisa profissão, sugestões, dicas, indicações de alguma coisa e, nos resultados da pesquisa, encontrava opiniões que eram fruto de experiências pessoais... Agora o que encontro são sugestões que surgem de "parcerias" o que torna tudo muito mais imprevisível.
A questão é que daqui por uma semanita a Sardanisca maior entra de férias e o Homem começa a trabalhar. Isto quer dizer que vou estar três semanas sozinha com as duas. Depois de ter entrado e saído da assistolia comecei a elaborar um plano com o pouco que conheço de Lisboa, sendo que, a versão kids friendly da capital é-me completamente desconhecida e, como estava a dizer, é tramado encontrar opiniões isentas... vai daí tenho de fazer-me à vidinha e desenrascar-me. Para já, e porque não somos menos que ninguém, vamos iniciar as nossas próprias parcerias (unilaterais) com o Oceanário, Zoo, Quinta Pedagógica dos Olivais, Cinema, Jardins da Gulbenkian, Jardins do Marquês de Pombal, Pavilhão do Conhecimento... . Se sobreviver à experiência de ocupar o tempo de uma garota de 4 anos enquanto tento manter saudável uma bebé com 1 mês, conto como foi.