segunda-feira, 20 de junho de 2016

Sou uma mulher mudada... aliás, se mudo mais viro homem!


Nada como estar com o rabinho apertado para começar a considerar mudanças mais drásticas na procura da normalidade. (Parece um contra-senso: mudar para voltar a sentir-me normal.) Nos primeiros tempos, depois de ter recebido os resultados das primeiras análises e de ter percebido que havia um problema autoimune associado a processos inflamatórios, comecei a ler tudo o que me aparecia pela frente. Logo nas primeiras leituras percebi que havia alguma consistência de opiniões no que respeita ao pontencial inflamatório de alguns alimentos. Avançando na pesquisa dei conta de que os lacticínios eram os grandes vilões desta história. A minha irmã, que adora um bom desafio e por isso assumiu esta empreitada como dela, disse-me o mesmo. Mais, que tinha uma amiga com AR que tinha banido os derivados do leite da dieta e que se sentia melhor assim. Eu torci o nariz. Relembro que era à minha conta que a indústria do leite sobrevivia em Portugal. Eu sou/era a gaja que vivia feliz e contente se no mundo só existisse leite, queijo, manteiga, iogurtes e tudo do que daí pudesse ser feito. Confesso que demorei até ter coragem para fazer a experiência de cortar com o que era mais querido... é que não era só o queijo e os iogurtes... os gelados, o chocolate... O CHOCOLATE!!! eu, que era menina para comer uma tablete de 200g como quem bebe um copo de água... Foi só quando o meu corpo deu o tilt (lá para Abril) que no desespero cortei com tudo que não fosse comida a sério. Acho que houve dias que rosnei e outros em que mordi. Enquanto eu ressacava pelas minhas tostas de queijo e pelas minhas torradas a pingar de manteiga, o meu homem ferrava o dente em tudo que era coisa boa. Mas resisti e as dores e as inflamações das mãos e dos pés foram desaparecendo. Não foi de um momento para o outro mas, na última consulta de reumatologia, nas vésperas do meu 35º aniversário, o médico achou que podíamos aliviar a medicação e, os comprimidos mais hard-core, ficaram só para SOS. Apesar do reumatologista ter dito que podia fazer alterações na dieta mas que isso podia não fazer grande diferença, o gastrenterologista disse que era capaz de ser boa ideia e que podia ajudar a resolver um outro problema que entretanto tinha surgido (não há forma bonita de dizer isto: diarreia aguda que durou mês e meio. Não é simpático) Tenho-me aguentado. Tenho umas dorezitas mas nada de outro mundo e tenho aproveitado para fazer experiências com a comida. Até ver os resultados não têm sido brilhantes. Se meto a pata na poça já sei que as vou pagar. Já entrei no mundo dos iogurtes e queijo sem lactose mas não resulta. Tenho andado a matar o bicho que coisinhas boas com fruta, mel, sementinhas, aveia, tef, quinoa, tapioca e tudo que possa absorver ou ter algum docinho. Não é a mesma coisa. Um bocadinho de mim morre quando passo por um frasco de Hagen Daz ou Ben 'n' Jerry's ou vejo aquela cor roxa e a vaquinha dos Milka mas é a vida. Há coisas piores... não mexer as mãozinhas é pior. Ter o estômago feito um passador à conta dos anti-inflamatórios é pior. Haja comida a sério, mel e manteiga de amendoim e a coisa resolve-se!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Programa de fim de semana: "mais uma corrida, mais uma viagem"



Vocês os cinco que ainda por aqui passam (sim, porque a esta altura já houve duas almas que desistiram de acreditar que este pasquim virtual iria melhorar...) se não têm planos para este fim-de-semana, nada temam, eu tenho a solução!!
Este fim-de-semana vai estar sol e tempo ameno. Já ninguém tem pachorra para as horas intermináveis para a sucursal inglesa que se situa no Sul do país, por isso a solução é dar um pulo à Nazaré, comer um peixinho, dar um mergulho e, ao fim do dia, ir apoiar os maluquinhos que vão estar a participar na Corrida da Nazaré! Acreditem que é um ambiente único e uma prova fantástica. Eu lá estarei, à frente da ambulância e das motas da polícia a garantir que fico em último e à espera de ouvir as palminhas e os gritos de "tu consegues!". Quem se junta a mim?
Ah... ali no filme é mesmo esta vossa escriba que aparece... o ar de enjoadinha foi agravado por estar de facto cheia de comprimidos no bucho que me davam aquele ar meio esverdeado e a penca vermelha é mesmo do frio. Agora já estou melhor, já só tenho ar de tótó!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

"Correr com ela"... nos dois sentidos da expressão


Nota prévia: este é um posto transmitido em simultâneo (qual cadeia de canais de televisão) para este estaminé e para a minha outra casa. É que isto anda escasso de inspiração.

Hoje em dia quando acabo uma prova de corrida dou por mim a dizer "Cris: 1 - AR: 0" e dou a mim mesma um high five mental. Admito que isto roça o esquisito mas dá-me mais gozo superar estes desafios porque, apesar de ainda não estar a conseguir chegar aos meus melhores tempos e distâncias e apesar de não estar a evoluir (no sentido de estar a fazer melhores performances), a verdade é que sempre que ultrapasso a meta não faço sozinha. Sou eu e a AR... que às vezes é um emplastro chato de carregar. E, invariavelmente, sou levada para a primeira consulta de reumatologia quando as duas coisas que eu não queria que acontecessem se confirmaram: alguém dizer-me que os sintomas eram o resultado de alguma coisa real e que teria de deixar de fazer exercício, ou que pelo menos não o podia continuar com o ritmo que estava. Em relação à primeira novidade, não havia grande coisa a fazer, já no que diz respeito à segunda, a solução era fácil: mudar de médico e continuar a mudar até encontrar um que me dissesse "continue a fazer o que a faz sentir bem". Felizmente foi à segunda e não precisei de ouvir mais nada para me sentir poderosa! É claro que há dias que tenho de pedir licença ao corpo para sair da cama, há dias em que faço dois quilómetros e apetece-me estender do chão e pedir a alguém que me carregue e há dias em que acabo fresca e fôfa 10k e, a parte boa, é que esses começam a acontecer com mais frequência. Acho que já vou sabendo como me defender e minimizar os sintomas e estou a arranjar forma de levar a minha vidinha quase que a fingir que não se passa nada comigo. Dá trabalho e implicou (implica) algumas mudanças, principalmente na alimentação e na gestão do stress, mas parece que estou a conseguir encontrar o equilíbrio.
A verdade é que nunca me soube tão bem acabar as provas como agora.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Falhas de comunicção



Parece que as coisas já se estão a encaminhar e começa tudo a entrar novamente nos eixos e agora, que vou olhando para trás, vejo muitas coisas que têm o seu lado cómico. Uma das coisas que eu aprendi no meio desta trapalhada toda: só convém dar más notícias sobre a nossa saúde quando estivermos preparadas para animar o destinatário da mensagem. Dei por mim a dar a novidade sobre a AR a algumas pessoas para logo depois dizer "mas está tudo bem! eu estou bem! não fiques preocupado!". Isto por si só, é o que é, nada de especial, mas depois leva a outra situação caricata, que é as pessoas pensarem que afinal não temos nada! Passam por nós passado uma semana e perguntam: "está tudo bem?" e uma pessoa lá ensaia uma resposta que não seja mentira mas que não seja desanimadora - "já sabe não é, isto agora tem que ser ir acompanhando, não passa assim do dia para a noite...". Do outro lado chega-nos um "ainda bem que já está boa!". A versão da família mais próxima é semelhante, mas roça mais a negação:
- então, estás melhor?
- oh... mais ou menos na mesma...
- ainda bem! o que é preciso é melhorares.

A maior parte das vezes sorrio e deixo a conversa por aí... acho que não é preciso ir por caminhos por onde a maioria das pessoas não gosta de andar... e com razão.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Mudando de tema...


Gente com cães grande e com ar ameaçador: PONHAM-LHES UMA TRELA!! A sério! Não custa nada e evita sarilhos! É que uma pessoa quer passear e está sempre com o coração nas mãos! E o argumento do "não morde" é fraquinho! Se nem eu posso garantir que EU não mordo, como é que vou assegurar que um animal não o vai fazer?!!? Das coisas que mais gosto é pegar na Sardanisca e na Manga e ir passear para a beira rio (porque se cansam as duas e depois tenho um fim de dia mais descansado) e não o posso fazer porque já perdi a conta às vezes em que tenho de pegar nas duas e ir de marcha atrás até ao carro enquanto tento enxotar o cão de algum dono que está a ver o espetáculo e não faz nada! A sério?!? P'ró car#@?inho com eles!