sábado, 29 de junho de 2013

Raça da miúda que não sabe o que quer!

Safety Garb for Women Workers, ca. 1943


Passei 32 anos da minha vida com uma pobre desculpa de decote. Já expliquei por aqui que o meu busto (até agora) pouco generoso foi castigo, karma ou qualquer outra obra do divino. Parei de me queixar mais ou menos por volta dos 4 meses. Nessa altura, deixei os sutians de pré-adolescente a até comprei roupa interior em lojas de gente crescida. Agora... a verdadeira e assustadora transformação deu-se depois da subida de leite! Digamos que se estivesse à procura de trabalho poderia considerar a indústria porno ou a Parmalat e nenhuma das duas me agrada particularmente.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

I heart estagiários

Nurses at Jackson Memorial Hospital: Miami, Florida


Gosto de estagiários. Gosto mesmo. E depois da estadia na maternidade gosto ainda mais! Passo a explicar:
Apesar de todos os desejos de "uma hora pequenina", a hora foi tudo menos pequenina... Teve direito a dores, berros e outros instrumentos que não queremos ver próximos da "nossa-companheira-de-bons-e-maus-momentos". Anyway... durante o tempo que passei na sala de partos fui vista por não sei quantas pessoas (desconfio que algumas delas nem faziam parte da maternidade) e mexida como quem amanha um peixe com direito a poucas palavras de alento. Sou daquelas que precisa de apertar a mão de alguém quando estou com dores ou nervosa. Apertei a mão ao meu homem o quanto podia enquanto podia (o pobre ainda está a recuperar a circulação sanguínea) mas na hora do "vamo-vê" não podia lá ter ninguém... até que a enfermeira estagiária se voluntariou. Rápido de arrependeu e pediu a mão de volta, alegando que precisava dela para trabalhar (desculpas é o que é), mas enquanto ali esteve sempre me deu mais confiança.
Já com a pequena nos meus braços, fui recebida pelo pior turno da noite da história dos serviços hospitalares! Com o equivalente a uma instalação em renda da Joana Vasconcelos na região dos "Países Baixos", com uma das pernas adormecidas graças à epidural e completamente baralhada sobre o que fazer com a pequena pessoa que levava nos braços, levei com um belo apertão e puxão no mamilo que foi direto para a boca da criança. Depois de me ter encolhido, se não pela dor do acto pela surpresa de tamanho à vontade com as minhas mamas, levei um raspanete porque não podia fazer aquilo se não nunca mais ia conseguir dar de mamar. "No pressure"! A mesma alma com tendências S&M perguntou-me se estava com dores, disse que sim e levei como resposta "Pois tem a senhora e têm todas as que aqui estão... é normal". Outros episódios pontuaram essa madrugada e manhã - fazer o levante com a obrigação de o fazer rapidamente mas sem desmaiar nem cair; as vacinas dadas à miúda sem qualquer tipo de cerimónia; levarem-na para a pesagem sem mim porque era muito lenta a andar; dar-lhe o banho em 1min 30seg e esperar que eu aprendesse nesse tempo... and so on - mas felizmente estava demasiado atordoada para que me caísse a ficha. Só quando entrou o turno seguinte e com ele o anjo da Enfermeira estagiária Carolina percebi que afinal não tinha de "apanhar porrada" por ter parido! Apesar de assertiva e de não se demorar exageradamente em cada uma de nós, tinha o cuidado de nos ouvir e em vez de responder com um "é normal" explicava o porquê de ser normal.
Regra geral os estagiários são mais atentos e estão realmente preocupados com as pessoas de que estão a cuidar e ouvem-nas, não saltam etapas do protocolo e estão actualizados... ok, a nota deles depende disso, em última instancia o futuro deles depende disso e ainda bem! Quem ganha é o triste que precisa de cuidados médicos. Não fosse a enfermeira estagiária Carolina e ainda estava a continuar a achar que afinal era uma mariquinhas pé de salsa sem razão para me queixar... e afinal algumas coisas não eram assim tão normais! Por isso, dêem-me estagiários verdinhos sempre! Não me chateiam nada! A confiança dos "muitos anos a virar frangos" é que me preocupa.

Para não ser injusta, só mesmo a primeira equipa da noite foi tenebrosa, as restantes enfermeiras eram um amor!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O meu retrato feito pela minha filha:


Entre o volume e o leitinho, bate tudo certo!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Estamos nisto e não estou a ver que a coisa melhore...


Eu bem queria resistir à tentação de deixar aqui todas as novas descobertas que fazemos a cada cinco minutos! Tudo parece importantíssimo e interessantíssimo para mim e, necessariamente, para o resto do mundo, porque, é claro, nunca ninguém teve um bebé! Apesar disto, tenho-me refreado e não tenho vindo para aqui dizer que a nossa filha dá bufas muito malcheirosas, que o cocó parece mesmo a mostarda da Calvet e que se atira à mama com a mesma subtileza que um bêbado tenta levar a terceira garrafa de tinto à boca. Também tenho conseguido evitar dizer que faz as caras mais deliciosas ao acordar, que tem um cheiro indescritivelmente bom e tem um repertório de barulhinhos que me derrete. Mas a verdade é que nestes últimos 12 dias a minha vida se tem resumido a isso! Eu queria ter aqui um manancial de novidades ultra-interessantes para dar, mostrar como a minha vida social anda no auge e sou solicitada para mil eventos culturais de extrema relevância, mas não! As novidades passam por ter sido atingida por um jacto de xixi enquanto mudava a fralda (lá voltamos à escatologia) e em vez de ter ficado enojada, fartei-me de rir e achei que a pequena era verdadeiramente talentosa! 
Nem a minha veia (anémica por estes dias) de fashionista me salva! A pança que sobejou mais parece um balão 3 dias depois do fim da festa: com metade do gás e todo encarquilhado. Só uns lençóis bonitinhos com um buraco para enfiar na cabeça remedeiam o meu mau aspecto. Já a garota tem parecido uma aluna do Chapitô: combinações muito alternativas de roupa oversized que não resultam especialmente bem. É que meti na cabeça que não valia a pena comprar roupa 0-1 mês porque não ia servir durante muito tempo, vai daí, os vestinhos todos que tem parecem da irmã mais velha e a pobre fica a boiar dentro deles. Valha-nos uma mantinha bem gira da Chicco que disfarça a desgraça aos olhares alheios...
Isto tudo para dizer que vai ser assim... muita informação sobre bebés, ou melhor, sobre a minha bebé (que é obviamente o bebé mais importante e espectacular do mundo... mesmo quando inflige nos meus mamilos uma dor que me faz olhar para as embalagens de NAN com alguma curiosidade) e sobre as minhas dúvidas próprias de quem não faz ideia da aventura em que se meteu e vive feliz na ignorância. Fujam enquanto é tempo!

Nota: este post foi escrito só com uma mão e com a metade do cérebro que se manteve funcional.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Habemus...



...o bebé mais lindo do mundo! Desde dia 9 que a nossa vida não podia ter ficado mais perfeitamente virada do avesso! Agora é preciso tempo para assimilar o tanto mais que somos. Voltarei assim que consiga deixar a estratosfera e me consiga reajustar à vida na Terra.

sábado, 8 de junho de 2013

E às 39 semanas (e alguns dias)...


Começo a achar que a rapariga não quer sair e que vou andar grávida o resto da vida! O que significa xixi de 5 em 5 minutos; dormir pouco e mal e andar agarrada às "cruzes" sempre que estou parada 3 minutos e meio. Podia ser pior... só a vontade de saltar para o pescoço da médica e a fazer em filhoses de cada vez que me diz, "volte cá para a semana" é que me preocupa!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

The "reel" deal


REEL 2013 from Ricardo Leandro on Vimeo.

Cá por casa não podíamos ser mais diferentes: eu é pelas letras, pelos factos, dados concretos e lógicos que me guio; ele olha para as coisas com uma perspectiva que me transcende mas que torna tudo muito mais colorido e inesperado. Até a coisa mais aborrecida ganha uma vida nova pelas lentes que usa. Eu, se fizesse um resumo em filme da minha vida no último ano, seria um retrato clássico a preto e branco e, num momento de especial inspiração, com um cinzentinho básico lá pelo meio. Ele... entre cores, imagens e sons para os quais não consigo articular adjectivos lógicos, fez aquilo que podem ver no filminho que está acima.

Dá-me a sensação que o meu inchaço actual é do orgulho e não tanto da gravidez!