domingo, 6 de maio de 2012

Maio de Mãe


mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.


Roubado de tantos e tantos sítios onde hoje se encontra este poema magnífico do José Luís Peixoto.


Disse em Março que me dizem ser "toda mãe"... vai-se a ver é por isso... É por isso que as nossas turras acabam sempre por ser muito mais dolorosas do que seria necessário. Mas vai-se a ver e são assim as grandes paixões, os grandes amores. Maiores do que as nossas distâncias, os nossos silêncios e a  nossa teimosia (que a minha irmã pacientemente vai moderando)... Sendo certo que é dela a mão que não trocava por nenhuma outra para me segurar e ajudar a levantar!

2 comentários:

  1. Muito bonito e...mais não digo. :)
    Beijinhos
    Sílvia

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    Respostas
    1. o poema é fantástico!! e é tão real, tão fiel! O resto... é parvoíce minha!

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