quarta-feira, 27 de abril de 2016

Tradições familiares



Reza a lenda que um dos meus tios dormiu com um chapéu de palha. Não deixou que ninguém lho tirasse, tal era a paixão! A minha irmã também dormiu agarrada a um queijo da serra, que é uma coisa fofinha e cheirosa. Chegou a vez da minha filha. O outro dia dormiu agarrada a uns sapatos que adora e ontem foi ao tubo da pasta de dentes. Moral da história: eu que não percebia muito bem porque raio não tiraram o chapéu de palha e o queijo da serra às criaturas hoje em dia fico caladinha que nem um rato! À hora da cachopa dormir vale tudo! Se isso implica dormir agarrada ao tubo da pasta de dentes, so be it!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Nasceu o meu mai'novo!!




Tenho andado mais desaparecida que um urso no Inverno, mas há uma boa razão! A verdade, é que nos últimos tempo, eu e a minha irmã, temos andado a congeminar um plano que viu hoje de manhã a luz do dia. Basicamente, resolvemos embarcar numa aventura e correr uma maratona! Mas não ficámos por aqui e montámos todo um site à volta disso. O que é que isto quer dizer. Bom, por um lado, vão levar menos com a charopada das corridas aqui. Por outro lado, tem um novo cantinho, e bem catita por sinal, para visitar na blogosfera. O nosso site chama-se "Runs in the family" e não fala só de corrida. Ide espreitar e depois digam de vossa justiça!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Ainda não foi desta que me finei virtualmente





Eis-me de volta. Com um olho ao peito (salvo seja) mas de volta. A verdade é que estive em desintoxicação forçada de monitores durante os últimos dias. Pelos vistos a AR (artrite reumatoide) para além das articulações também acha piada a olhos e volta e meia, pimba, faz-me dar uma de Camões com direito a pala e tudo. A sensação é semelhante a ter o Pac Man (o bonequinho amarelo, não o Carlão... se fosse o Carlão acho que não me chateava tanto) dentro olho a comê-lo por dentro. Assim, uma coisa agradável. Por fora parece só que tenho uma grande conjuntivite. É mais uma coisa que tenho de manter viagiada e mais uma coisa com que tenho de aprender a viver. Aguentem-se por aí mais um bocadinho até eu perceber como é que se gere esta história de ter uma amiga para a vida que não escolhemos!

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Oslo em três dias





Diz que fui a Oslo há umas semanas, mas provas disso, nada! Mas fui e tirei apontamentos para partilhar com vocês os três que ainda não desistiram de mim apesar dos sumiços (que têm razão de ser, a já conhecida AR e uma outra que verá a luz do dia, não tarda!).

Antes de mais o lema que norteia as nossas viagens: no-time & no-money para não me dizerem que vieram ao engano. Outra coisa importante: aparentemente nem em Lisboa nem na Noruega existem guias da American Express de Oslo, por isso a melhor alternativa é irem ao site Visit Oslo porque está lá a informação toda que é preciso.

Imaginemos então que temos três dias para passear por Oslo, um budget limitado e não temos medo de andar a pé nem de transportes públicos e vamos a isto:

Onde ficar
Karl Johans Gate. É talvez a rua mais central que permite chegar a todo o lado muito facilmente porque está a 10 minutos a pé da estação central (de comboios e autocarros), a outros tantos do palácio, a menos ainda de um passeio porreiro junto à água, tem um parque/jardim mesmo ao meio, ao longo dos dois quilómetros por onde se estende estão alguns dos monumentos mais interessantes da cidade e ainda, está a cinco minutos dos 3453 museus dos 908903845938 museus que a cidade tem. Para além do mais, há hotéis para todos os gostos e feitios (entenda-se preços) nessa rua ou nas adjacentes. Encontram-se também muitos restaurantes daqueles que há em todas as terras deste nosso mundo globalizado e provavelmente também dos outros, mas eu para esses não olhei. Como já é tradição para nós, comemos essencialmente do supermercado.



Mas vamos lá à ramboia!

Dia 1
No primeiro dia acho que o mais interessante é andar a pé. E a partir da Karl Johans o trajecto mais engraçado passa por subir ao palácio (que só dá para visitar no Verão porque no resto do ano está lá a viver a família real) e passear no parque (Slottsparken). Depois dessa voltinha dá para descer para junto da linha de água e aí, em chegando à praça central (Sentrum), estão já junto ao porto e há várias opções: o Nobel Peace Center e o edifício da Câmara Municipal (Radhuset). Se entretanto já viram tudo podem escolher ir para Este ou Oeste com garantia de entretenimento. A Oeste a paisagem vale por si mas há outras atracções: jardinzinhos, o museu de arte moderna (Astrup Fearnley Museet), bancas de comida e praias. Uma espécie de Parque das Nações! Eu fiz este percurso a correr e até me esqueci que estava meio congelada. Dando meia volta, e voltando a passar pelo Sentrum a coisa muda um bocadinho de figura. Mesmo juntinho à água está a fortaleza e o castelo (Akershus). É entrar à confiança porque não se paga e as vistas são boas. Dá para ver a cidade para norte (até ao Holmenkollen) e as ilhas que ficam mesmo junto à cidade. Continuem a andar por aí fora até passarem pelo o museu militar e é continuar até chegar ao edifício da Ópera e Ballet. Chegando lá vale a pena entrar, descansar, aquecer e desfrutar da arquitectura. Saindo do edifício e indo em direcção ao Hotel há ainda muitos pontos de interesse: a Catedral de Oslo e o Edifício do Parlamento. Em chegando ao hotel encham a banheira e deixem-se ficar de molho durante duas horas porque nesta altura do campeonato já têm mais de uma dúzia de quilómetros nas pernas.








Dia 2
Como o dia anterior foi dureza este é de descanso. Antes de mais, comprem o passe de um dia que, por menos de €10, vos permite andar em todos os transportes públicos (ferries, autocarros e metro). Depois voltem ao porto e escolham um Ferry e podem dar uma voltinha de uma hora pelas quatro ilhas que estão junto da cidade. Convém esclarecer que estes ferries servem para transportar pessoas e não para passeios turísticos. Há desses, mas como são três vezes mais caros, esta opção pareceu-nos a ideal. As ilhas não são muito diferentes entre si e vale a pena sair para visitar se estiverem numa de passear pelo campo e cheirar as flores. No dia em que fomos estavam zero graus e chovia. Optámos por ficar no quentinho.
Próxima corrida, próxima viagem de transportes públicos: ida de autocarro até ao Norwegian Folk Museum (€12). Basicamente, este espaço consiste num parque ao ar livre onde se pode ver a evolução das casas típicas da Noruega, desde a Idade Média até à actualidade. É engraçado se levarem os miúdos caso contrário é só uma espécie de Portugal dos Pequenitos para gente grande. Mesmo ao ladinho está o Museu Viking onde se podem ver três barcos vikings que são realmente impressionantes! Depois de tudo visto, ainda deve dar tempo para ir de metro/comboio até ao Holmenkollen Ski Museum & Tower. O passeio de comboio é giro porque dá para ter uma ideia da zona mais interior de Oslo que é bem gira e a chegada à torre e à pista de saltos também vale muito a pena por vários motivos: a vista sobre a cidade é incrível, o espaço do parque é supertranquilo e a zona da pista é majestosa! Nunca tinha estado perto de nada semelhante e o pessoal dos saltos de ski ganhou uma nova admiradora. Haja tim-tins para enfrentar aquele monstro. Já chega de passeio e é hora para um banho quente!










Dia 3
Voltamos a pôr os sapatos de caminhada e a encher o peito de ar. Não sei se o engano foi nosso, mas no caminho para o Jardim Botânico passámos por uma zona hardcore (a única?) e achei mesmo que ia ver os meus rins de perto. A coisa passou e chegámos inteiros. Uma vez lá, é aproveitar para ver o Museu de História Natural. Se gostam de viver perigosamente é uma opção. Depois subimos, passando pela Igreja de S. Edmundo, pela zona medieval e pelos cemitérios que são lindíssimos (Æreslunden), até chegarmos à Gamle Aker kirke. Chegando à Igreja é tudo muito tranquilo e vale a pena descansar um bocadinho. Se ainda têm coragem, é avançar até à Vigeland Sculpture Park e ver algumas das milhares de estátuas que há pela cidade, mas desta vez concentradas num único espaço. Voltando à zona central podem ainda ver o Museu de História fazer uma voltinha de reconhecimento pela Universidade (que tem os seus recantos e, incluindo a sala onde se fez a entrega dos prémios Nobel até à década de 60). Ficou pouco por ver, por isso aproveitem e vão até um cafézinho (há uma pastelaria mesmo a meio da Karl Johanson que dá para um centro comercial que vale a pena) e revejam as fotografias!



E assim está feita mais uma visita relâmpago. Agora é esperar pelo filminho.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Utopia, utopia é acreditar que a minha cria é capaz de estar quieta

Adorei as preguiças!!

A Sardanisca foi ao cinema pela primeira vez na Páscoa. Sabíamos que a coisa não ía ser pacífica e por isso não tínhamos grandes expectativas porque a miúda não pára quieta um segundo, literalmente (e eu não uso a palavra literalmente em vão). Fomos ver o Zootopia na sessão da manhã e comecei logo a ver o caso mal parado quando, ao fim de 20 minutos no escurinho do cinema, ainda estávamos a gramar com reclames, anúncios e publicidade. Quando o filme começou saquei da minha arma secreta: um saquinho de chips de fruta. Geri a coisa com muita parcimónia dando bocadinho a bocadinho as maçãs secas que caiam no alçapão sem fundo que é a minha filha. Despachámos a coisa (pois, porque eu e o homem também comemos) mais rápido do que eu estava à espera e quando a cachopa pôs a mão no saco e já não havia nada disse-me "mamã, quero ir para casa". Todo um filme de animação a dar e ela diz-me que quer ir para casa. Lá vou eu à carteira buscar uma garrafinha de água para a entreter, mais umas bolachitas que tínhamos feito em casa mas nada a convencia a ficar. Escusado será dizer que no intervalo viemos embora e eu fiquei sem saber se a agente Judy Hopps encontrou ou não o Mr. Otterton... isso é que me chateia verdadeiramente! Isso e ainda não ter descoberto uma coisa que faça o raio da miúda ficar quieta!

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Agora sem braços


Há uma moda que me intriga. Pelos vistos é fashion andar com o casaco pendurado nos ombros mas sem as mangas vestidas. Tipo cabide, portanto. A mim faz-me confusão. Esteticamente não me parece que acrescente muito, aliás, faz-me sempre pensar se a pessoa terá os dois braços de saúde ou se por ventura terá deslocado um ombro e por isso se fique pela meia vestimenta. Ao nível prático parece-me ainda mais descabido. Talvez eu tenha os ombros muito descaídos (se bem que anos de natação e pólo aquático apontem para a direcção contrária do fenómeno), talvez seja muito trapalhona, talvez ande vezes de mais na modalidade burra de carga, mas a verdade é que um casaco pelos ombros aguentava-se em mim cerca de 35 segundos, findo esse tempo iria parar ao meio do chão. Isto já para não falar da incompatibilidade de haver peças penduradas/ cria para pegar ao colo / dar de comer / descolar do chão em caso de birra.
Tantas questões se me levantam: haverá cursos para se dominar a arte do coat slinging? há alguma explicação para o fenómeno que me esteja a escapar? ou é só a minha iliteracia do mundo da moda a vir ao de cima? adeptos ou adeptas por esses lados, há?

terça-feira, 5 de abril de 2016

Spanglish...


Sabes que estás enferrujada nesta coisa de viajar e falar outras línguas quando a recepcionista do hotel te diz onde estão os guias da cidade e, perante a tua resposta dada com a eloquência e pronúncia de quem andou nos shots de goldstrike, te diz que também têm uma versão em Espanhol... portanto, a minha pronúncia estava semelhante à de um espanhol... Em minha defesa estive calada mais de 12h e acho que teria dificuldade até em dizer o meu nome em condições. Ao fim do dia já estava reposta a normalidade.

domingo, 3 de abril de 2016

Museu #3 - Museu Nacional de Machado de Castro








A entrada no quarto mês do ano (WHAAAAT?!?!?) faz-se com o relato da visita ao terceiro museu. Estamos bem, portanto. Quando chegarmos ao 13º mês as contas deverão bater certo. E qual foi o feliz contemplado? Museu Machado de Castro. Estava pela minha terrinha e achei que tinha que acabar com a pouca vergonha de ainda não ter ido conhecer um dos Museus mais antigos e reconhecidos de Portugal.

Só tinha ido ao Machado de Castro no oitavo ou nono ano com as minhas amigas quando tirámos um dia para ser cólturais e só me lembrava vagamente da zona do criptopórtico e de um guarda creepy que por lá andava. Tenho a certeza que desta vez as memórias não me vão fugir assim tão depressa!

Para quem não sabe, o Museu fica na Alta de Coimbra, no coração do pólo universitário, entre a Sé Nova e a Sé Velha. Diria a minha mãe que está “no centro do meio”. A passagem pelo portão dá logo para ficar com uma ideia do que nos espera: um museu com história mas renovado com bom gosto, conteúdo e classe. Se tivesse que fazer uma analogia diria que o Museu é uma espécie de cebola histórica (estou on fire!) em que o próprio edifício participa. O percurso expositivo está muito bem orientado e começa no criptopórtico que é impressionante. Um labirinto de túneis da Aeminium (o nome dado a Coimbra pelos romanos), com marcas mais recentes (da época medieval) e focos de luz que nos dão conta da direcção dos níveis mais recentes. “Lá em cima” temos peças de arte sacra, pintura, escultura, joalharia e cerâmica da época medieval, moderna e contemporânea. Confesso que não conseguimos ver tudo apesar do museu mais do que merecer uma visita completa e calma mas com a garota, mais de duas horas de museu é muito. Muitas das peças são fantásticas, que nos fazem parar e dar conta de cada detalhe mas, para mim, é o altar reconstruído o que mais impressiona e merece uma paragem demorada. Desmontaram uma igreja da rua da Sofia, peça por peça, e remontaram-na no interior do edifício do Museu e o resultado é uma explosão de grandiosidade. E não é a única intromissão arquitectónica, se assim lhe quisermos chamar. Lá pelo meio ainda encontramos os claustros da antiga igreja de Almedina, muros, arcadas e pórticos que fazem do edifício uma manta de retalhos fascinante. Como bonús ainda há a cafetaria do Museu que terá uma das melhores vistas sobre a cidade.

Apesar disso, e eu sei que sou uma chata, a informação é curta. Fazem falta legendas mais completas, textos que contextualizem o visitante, principalmente na zona do criptopórtico, caso contrário ficamos pela vertente estética da coisa, que é uma dimensão incrível, mas há mais que isso! Caso vão, é sacar informação antes de enfrentar os quatro andares de espólio. Se levam garotos encham-se de paciência, vejam só metade (ou um terço), ponham o brinquedo, tablet, a vossa “arma” de eleição e vão na fé de que vai correr tudo bem!

Atenção por causa do estacionamento: se não houver nenhuma festividade a acontecer, e aí até à hora de almoço não deve ser difícil estacionar por perto, depois disso pode ter que se procurar.

Conclusão: é ir à confiança mas com. É de ir!

(Curiosidade: segundo nos disseram, no museu não há peças do Machado de Castro)