sexta-feira, 11 de maio de 2012

Há dias assim...





Ando coxa! Uma das primeiras fotografias em que me reconheci estou a agarrar um cão pelo pescoço (era o que o jeito que tinha me deixava fazer). Devia ter uns dois anitos, muitos caracóis na cabeça e um gancho que tentar impedir um rebelião capilar. Contava a minha mãe que o Bobby, cão dos meus avós, um "pequenito" Pastor Alemão cruzado com Serra da Estrela, guardava o meu berço e quando eu acordava ia avisar alguém do sucedido. Os meus tios do Souto Bom, passavam as primeiras horas das visitas a mostrar os coelhos, cabritos, porcos e vitelos com toda a paciência do mundo. Depois disso, se não fosse grande o empecilho, lá íamos com eles pastar as Malhadas (não sei porquê, mas passam-se os anos e as vacas lá da terra mantêm o nome). Mais tarde a Laica (sim, viviam-se os anos 80) era a cadela que vivia na minha rua acarinhada por todos os vizinhos e que me aturava as festinhas e as conversas importantes durante horas a fio. Valeu-me a primeira discussão familiar, quando informei o meu Pai que naquela noite a Laica ia dormir em nossa casa. À negativa parental que se seguiu respondi: "Vai tu dormir para o bidão (que tinha sido transformado em casota) para ver se gostas". Há mais de 20 anos, esta era resposta suficiente para ir dormir com as nalgas aquecidas por uma merecida palmada... hoje em dia não sei. Depois veio o Flash salvo pela minha irmã que se impôs e impôs a sua presença. Foi o primeiro cão a que dei injecções e a primeira morte que tive de superar. Entretanto veio a Bia a quem a minha mãe dava "filetinhos" às escondidas, 5 segundos depois de nos ter dito que não devíamos dar-lhe comida fora do espaço das refeições. A Bia que caçava coelhos que a minha mãe amanhava (e aproveitava para dar uma aula de biologia: para mostrar como os alvéolos pulmonares estavam cheios de ar, apertava os pulmões dentro de água e eu via sair as bolhinhas) para lhe depois lhe dar. A Bia que teve o Gullit. O Gullit mereceu um nome de jogador da bola (já estávamos nos anos 90). Era o menino da minha irmã. Vimo-lo nascer. Ela sentada em cima da sua scooter. Viveram connosco 14 - 16 anos. Despediram-se de nós lentamente. Durante este tempo veio o Rex. Um rei em porte... com o comportamento de um cachorrão sem juízo nenhum e muito pouca inteligência. O contrário do Jeremias. Esse era o meu bocadinho. Já aqui falei dele. Entretanto do outro lado da cidade a minha mãe adoptava o Mix. Bicho maluco, resistente e meloso que nos deixa menos coxos. E o meu/nosso Bogas... ainda não dá para dizer o tanto que ele me trouxe, o tanto que ele me deixou e o tanto que ele me levou. Por isso é que digo. Estou coxa! Falta-me no andar aquele bocado de amor incondicional que só os bichos dão! Alguém me diz como é que se anda a direito sem esse pedacinho de bem estar?

5 comentários:

  1. Olá Guilhim
    Nada mais verdadeiro ! eles são insubstituiveis ! mesmo adoptanto outro cachorro, nada substitui no nosso coração o que se foi !
    Lamento muito, tive tanta pena do Bogas !! (só me apercebi do que se tinha passado há pouco tempo - tinha perdido o link deste blog - e já não tive coragem de comentar)
    Um beijo e coragem!
    Guida

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    1. Obrigada Guida, pelas palavras! Isto aos poucos vai lá... mas há dias em que as saudades apertam mais um bocado e escapam do peito!

      Beijinho

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  2. Que tal um bebé novo?! Acho que, por muito que penses não estar ainda preparada, em pouco tempo te renderias :)

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    1. Sei lá... tenho medo de não estar forte o suficiente para dar a um novo companheiro o que ele precisa!... Vamos pensando no assunto...

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  3. Não sei como é que se vive sem esse bocadinho de nós, presente em todos os momentos.

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