segunda-feira, 23 de maio de 2016

A mãe tem sempre razão!... Raios!!!



Tenho tido que aprender a aceitar várias coisas nestes últimos tempos. A mais complicada de todas? A minha mãe tem razão. Sou uma pessoa impaciente! Eu até achava que não mas sou. Quanto finalmente resolvi marcar uma consulta para ver o que tinha, achava que ia ser igual a todas as outras até aqui. Entrava no consultório, auscultavam-me, abria a boca para me verem as goelas, diziam que tinha X ou Y, receitavam-me qualquer coisa por sete dias, despachavam-me para casa e adeus e até ao meu regresso. Mas não. Há que fazer análises, voltar ao médico e mostrar as análises, ir à farmácia aviar as receitas. Daí a um mês voltar às salas de espera, às agulhas, às incertezas e a novos sintomas. E uma ida ocasional às urgências porque às tantas aparece outra coisa que aproveitou a porta de entrada aberta. Esta "perda de tempo" tira-me do sério! Perde-se uma vida à espera e outra vida em ansiedade. Eu sei que sou uma sortuda e privilegiada por não ser nada de muito complicado e por até estar a responder como deve ser à medicação. Aliás, isto tudo leva-me a fazer vénias de respect a quem anda nesta vida há mais tempo e com sintomas bem mais chatos! A sério! Eu com uma amostra de maleita, já tenho dias que me apetece deitar no chão em posição fetal até que tudo passe! Mas ainda assim, ainda me custa a aceitar que não fique tudo resolvido à primeira... ou à segunda, vá! Já percebi que as coisas levam tempo e não se resolvem do dia para a noite, agora só preciso de dizer isso à minha cabeça. Parece que foram precisos 35 anos para aprender o que a maioria das pessoas já sabe... O que vale é que os trinta são ou novos 20 se não estava tramada!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Homenagem a um santo: o meu Homem



Uma gaja já é um bicho complicado! Uma gaja com uma cena chata faz com que alguém que a entenda seja merecedor de um Nobel da Paz! A sério! Alguém que consiga compreender e agradar a uma mulher com problemas de saúde devia ter lugar nas Nações Unidas. Vejamos: 
- é claro que queremos que encorajamento - "vá, tens de ser forte!" - mas não queremos passar por fracas - "forte?!?! mas tu achas que eu já não estou a ser forte?!?!". 
- queremos que nos mostrem alternativas e nos dêem sugestões - "porque é que não mudas a tua alimentação para uma base vegetal" - mas também queremos que reconheçam os nossos esforços -"mas tu não achas que eu já tenho privações a mais?!?! até já deixei os Milkas!". 
- queremos que percebam que o nosso rendimento não é o mesmo e que podemos ficar cansadas mais cedo - "deixa estar que eu levo a miúda às cavalitas, escusas de estar a levá-la ao colo" - mas não queremos passar por incapazes - "até parece que estou inválida! eu consigo! deixa-me estar!".

Haja pachorra!
(Obrigada Homem!)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Então vamos lá ressuscitar a coisa mas antes disso, algumas notas prévias:



1. se isto de vez em quando parar é porque estou de molho com dores/olho inflamado/fluídos a sair de mim em quantidades indesejadas/mini deprê que passa ao fim alguns dias (riscar o que não interessa... tudo, portanto);

2. é possível que, de tempos a tempos, venha a ser um pouco escatológica... eu aviso no título quando for assim;

3. vamos assumir que eu sou dramática e caguinchas e por isso tudo o que escrevo será exagerado e fruto de um infância cheia de mimos;

4. nada do que me está a chatear agora é minimamente comparável com o que outras pessoas têm pela frente;

5. escrever e gozar com a minha actual condição e, eventualmente dizer o que estou a experimentar para tentar ficar bem, é a minha maneira de arrebitar. Tenham lá paciência, sim!

Obrigada a vocês os sete que disseram que sim senhora, era para continuar e escrever sobre coisas chatas!

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Escrever ou não escrever. Eis a questão



"I was to sick to work regular hours and so I took a leave of absence to take my new full-time job: healing."

Foi ao ler esta frase de um livro que a minha irmã me emprestou (UnDiet da Meghn Telpner), depois da quarta ou quinta complicação relacionada com a AR e/ou com o tratamento, que a ficha caiu: se quero ficar boa, ou operacional, vou ter de levar isto um bocado mais a sério e vou ter de agarrar as rédeas da coisa (há muitos médicos ao barulho e tenho de ser eu a fazer a gestão da informação, caso contrário ninguém se entende). Isto tudo, para dizer que a menos que este vire um healthness ou healing blogue (existem essas categorias?) o que por aqui se vai ler pode ser um bocado chato e eventualmente pesado, porque não tenho muito mais sobre o que escrever... agora o meu foco é perceber o que tenho de continuar a fazer e o que tenho de mudar para continuar a aproveitar a vidinha. Quero continuar a correr (e ainda não parei), quero passear e viajar muito, quero namorar muito e continuar a construir a minha família, como até aqui! Continuo a conseguir rir de tudo, até das minhas idas constantes à casa-de-banho (não digo para fazer o quê) que batem qualquer tratamento detox que possa existir, e que não fosse estar para o inchada me dariam uma silhueta de fazer inveja! Mas há dias em que me apetece despejar a caixinha dos comprimidos pela sanita abaixo e ver se as coisas voltam ao que eram e na realidade, as últimas semanas têm sido assim.

Com'é que é, estamos numa de ler sobre comida saudável (escrevo isto enquanto penso num croissant folhado, com manteiga e queijo... se houver por aí alguma alma que se possa afiambrar a um, que o faça por favor enquanto pensa em mim), estratégias para manter a cabeça controladinha e não pensar já no testamento (e o meu homem que tire o cavalinho da sombra porque não lhe vou dizer para ser muito feliz com um pindérica qualquer, se eu me finar (o que é claramente um exagero mas às vezes a cabeça foge para esses lados) que fique solteiro que eu não sou cá de partilhas) em tratamentos alternativos, em corrida ou em dias de merda? Ou remeto este estaminé para um buraco ainda mais negro do que aquele por onde anda agora?