segunda-feira, 31 de julho de 2017

Eu e a minha realidade alterantiva



Exatamente um mês depois de ter parido olhei ao espelho e exclamei: CREDO!! Se é verdade que estou a 3-4 kg do peso com que engravidei também é verdade que esses miseráveis se instalaram na minha barriga em modo de banha e vá, 1-1,5kg em mamas... basicamente estou uma vaca em todas as dimensões. E sim, "hashtag somos todas Carolinas", mas convenhamos que, a maioria de nós, preferia ser a versão possível das Patrocínios... eu pelo menos preferia... e se fosse sem grande esforço, então, supimpa! A verdade é que, se me portei bem durante da gravidez em que devo ter aumentado uns 10kg, e que 7-8kg foram à vida nas primeiras três semanas, também é verdade que a adaptação à nova vida tem sido exigente: a garota que mama de hora-a-hora (literalmente... mesmo durante a noite), a mais velha que precisa de atenção, a casa que precisa de manutenção e algum trabalho-trabalho que há pelo meio disto tudo, acabo por descontar o cansaço em porcarias! Não tem havido dia sem geladinho, bolachinhas, chocolatinho e o raio que o parta. Cheguei a ter acessos de ataque à despensa em modo zombie e só passados uns minutos é que me apercebi o que tinha feito. Ainda por cima encontro a melhor desculpa possível para a minha prevaricação "estou a dar de mamar por isso tenho de me alimentar".

Isto tudo para dizer que já tenho luz verde para começar a fazer exercício e quero ver se começo. Não sei muito bem como é que o vou encaixar na minha "rotina" (mentira... por aqui ainda não há rotinas... aliás, há o caos, há a tentativa de sair de casa às 10h e só o conseguir fazer lá para as 15h) mas vou ter de o conseguir fazer. Até aqui a minha intensão era fazer caminhadas mas as noites têm sido tão exigentes que acordo (às três da manhã) pronta para voltar a dormir. O descanso também ajudaria a voltar ao normal mas isso não se prevê para o imediato por isso teremos de ter paciência.

Vamos então a isto o que significa muita foto de ginásio, sapatilhas, comidinhas boas e o desejo de não vacilar... para não parecer que abusei da cerveja ou que estou novamente grávida de 6 meses.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Porto em duas horas









Quem segue o instagram desta casa (oh p'ra mim a falar como uma digital influencer... aparentemente "digital influencer" é a próxima cena a estar na moda por isso mais vale começar já a armar-me ao pingarelho) sabe que fomos ao Porto. Eu, o Homem e a mai'nova rumámos a norte para eu botar faladura num congresso e aproveitámos duas horas para dar um giro no centro. Já não me lembro da última vez que visitei o centro da Invicta e também não me lembrava do quão bonita é! Basicamente demos duas voltas ao quarteirão, mas valeu muito a pena.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Vamos jogar ao jogo "quão frita estou eu da cabeça!"



Ah a maternidade! Aquele período das nossas vidas em que tudo é felicidade, há corações a flutuar no ar e nunca nos parece ser de mais dizer o quanto amamos os nossos filhos desde o momento em que lhes pusemos os olhinhos em cima!... Ou então não. Eu cá não tenho nada contra mas, no meu caso, durante o primeiro mês sinto que estou num filme do Kusturica: é o caos, a alegria, o drama e a comédia tudo acompanhado de um banda sonora que parece ser tocada pela filarmónica da terra mas em esteróides!!

Neste momento estou toda comidinha da cabeça! Começou com a falta de vocabulário: "Homem, vais-me buscar... [silêncio] ... [silêncio]... aquela fruta que se come e tem casca e que eu gosto...". Depois passei a perder-me cada vez que o trajecto de carro era ligeiramente diferente do habitual, assim do género de ir a Loures para chegar ao Parque das Nações. Mais frequente é, dar de mamar à uma da manhã, adormecer depois de entregar a garota ao pai e acordar à uma e um quarto, com qualquer barulhito que ela faça e, já a sacar da mama, perguntar "está na hora de mamar, não é?". O cúmulo aconteceu aqui há uns dias, quando estava a ir do sofá para a cama, devidamente guiada para bater nas paredes, a transportar um bebé imaginário junto ao peito, a quem primeiro quis dar de mamar e depois quis entregar ao pai para lhe mudar a fralda. Fiquei danada porque o progenitor da criança não queria segurar nela (na criança imaginária). Depois lá lhe perguntei "ela não está aqui, pois não?". O sacana ficou a rir mas de nervoso... acho que achou que eu tinha passado para o lado de lá e sem bilhete de regresso.

Posto isto vamos a votações: de 0 a 10 quão frita da cabeça estou?

(Para tranquilidade de todos, a pequena cresce que nem uma valente!)

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Rabos que inspiram pensamentos profundos

Photo by Marija Zaric on Unsplash


Adoro aquelas fotos de Instagram em que se quer mostrar o bikini body, toda a saúde que a genética e o PT nos deu, em particular a forma e rijeza do rabo mas, para a coisa não ser tão gratuita, e não parecer que se quer só mostrar o "pacote" (como se diz na minha terra) acrescenta-se uma frasezinha inspiradora que pode ser do Gandi, do Mandela, do Chagas Freitas ou (da dona) do próprio rabo que poderá ser algo do género "vai onde te sentes feliz. Deixa fluir essa energia boa que tens no coração"*.

* esta é uma citação da legenda de uma dessas fotos... voltei a procurar mas já não encontrei a fonte... espero que a/o autor(a) me perdoe.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Nós, vós, eles


Podia agora dissertar sobre como este - o nós e o outro/eles - é "o" paradigma da minha antropologia. Há algo que separa o "nós" do "outro" e normalmente resume-se ao facto de o "nós" ter razão e o "eles" não: "se 'eles' soubessem como as coisas funcionam não diziam/faziam o que dizem/fazem". Quem estuda esta dicotomia acaba por exacerbar a empatia porque é treinado a compreender a perspectiva do “nós” sobre o “eles” mas, essencialmente, encontra os argumentos que fazem do “eles” o “outro” (que não percebe nada disto).

Ora, sendo antropóloga, estou constantemente nesse exercício. Consciente e inconscientemente. Nas fianças sou a tipa com ar comprometido que não diz nada sobre a lentidão dos serviços, ou sobre a falta de capacidade técnica. Porque imagino que "eles" tenham de trabalhar num programa obsoleto, num computador ainda mais antigo, sem o pessoal necessário e com regras que "nós" não conhecemos. Normalmente as minhas reclamações são sobre comportamentos de pessoas e tento não imputar nessas pessoas o fardo do contexto em que trabalham.

Por tudo isto tenho uma sugestão que vai tornar o mundo um lugar melhor, diria mesmo, o paraíso!! Aqui vai: uma lista intitulada "o que vocês não sabem". Esta lista teria de estar presente na entrada das zonas perigosas por exemplo, repartições de serviços públicos (hospitais, finanças, hospitais, conservatórias, hospitais, tribunais, centros de saúde...) e cada utente teria a sua própria lista que adequaria à situação.

Exemplo (que poderia ser meramente) hipotético:
Num hospital (periférico a uma grande urbe) as críticas mais frequentes que “nós” fazemos a “eles” são: a demora no atendimento, a má cara de quem nos atende, o não fazerem caso do que para nós é importante, não levarem connosco o tempo que nós achamos necessário. Com a tal listinha bem visível, possivelmente, ficaríamos a saber que (pela voz deles):
- Temos que ver muitas pessoas a maioria dessas pessoas veio à urgência/serviço porque não quis marcar e esperar dias por uma consulta (confirmar se não é o caso, se for, não esquecer que a espera pode ser de horas mas não de dias);
- Trabalhamos muitas horas seguidas. 12h, 24h, 36h... e também ficamos fartos, cansados e irritados. Além do mais, porque trabalhamos quando os outros descansam e curtem, estamos sempre a perder a festa da escola do nosso miúdo ou um dia importante das nossas pessoas;
- É verdade que normalmente não corremos e não andamos muito apressados. Estamos a guardar energia para quando isso tenha mesmo de acontecer. Se nos virem em modo corrida é porque a coisa está complicada;
- Aprendemos que temos de filtrar aquilo que nos dizem para podermos dar atenção ao que realmente importa. Se marcarem uma consulta, a tal que pode levar a dias de espera, terão de certeza mais tempo para falarem de tudo o que vos atormenta;
- (acrescentar outros argumentos)

Por nosso lado nós poderíamos apresentar a nossa listinha. No meu caso diria qualquer coisa como:
- Estou cheia de medo;
- Não sei se estou preparada para o que têm para me dizer;
- A espera faz aumentar o meu medo;
- Não gosto de hospitais porque me irrita a falta de urgência dos médicos e enfermeiros quando eu estou aflita e me apavora a ideia de os ver em acção a sério;
- Tenho gente que depende de mim à minha espera e só quero ir para casa;

Estou mesmo em crer que esta troca de informação evitaria muitas irritações!

(Post escrito em parceria com a obstetra que me fez esperar 3h pela alta... custou esperar mas tenho a certeza que houve motivos válidos para isso)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Par completo



E cá estamos na versão a 4. Afinal a moça desistiu de esperar pelo Natal e às 40 semanas e 4 dias saiu do bem-bom... (a outra versão é que foi expulsa pela "maldadezinha" da médica, pelos 4km em passo rápido com "aquele" calorzinho da semana passada, e pelas quatro subidas ao quinto andar pelas escadas).

Confesso que estava borrada de medo do parto, tendo em conta que o último tinha sido, no mínimo, traumático, mas este foi impecável! Aquelas coisas que se dizem "ouve o teu corpo e faz o que ele te pede" nunca funcionaram muito bem para mim... ou sou eu que sou surda ou eu e o "corpo" falamos idiomas diferentes, mas neste caso, funcionou que foi uma belezura! Foram três ou quatro "faça força" e a coisa deu-se! Tinha cá fora a princesa mirin. Ainda perguntei se já estava e, tendo em conta, que não eram gémeos, efectivamente, estava. Bastou uma enfermeira para tratar da ocorrência e as outras duas só foram precisas para tratar da gaiata. Já agora, uma grande vénia às enfermeiras, em particular às enfermeiras do calibre da enfermeira Rute! You rule!!

A miúda é impecável mas reivindicativa. Faz lembrar a mana mais velha por estes dias e mama que se farta. Ou seja, já entrei no modo vaca leiteira com direito a ordenhador automático e tudo.

Está tudo ainda meio caótico no respeita a emoções - à semelhança deste post que não tem ponta por onde se lhe pegue - mas também muito claro que fazemos mais sentido a 4. Dois pares. Árvore e frutos e todas as suas combinações possíveis!