quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Just say no.


Estava a ler o livro da Bea Jonhson quando me comecei a questionar sobre o quão bicho raro seria e quão mais bicho raro poderia ser. O tema em questão está relacionado com o primeiro "R" que rege a filosofia de Zero Waste: Refusal. Recusar parece um princípio simples mas na realidade em algumas situações pode parecer um bocado bizarro. Os exemplos que ela dá dizem respeito a rejeitar brindes que possam vir com alguma celebração (party favors e party treats), não usar os kits dos hotéis, não aceitar aquelas pastas cheias de tralha que dão nas conferências e eventos do género, não usar sacos para transportar algo de novo que possamos comprar... De facto, já há coisas que faço e outras que já ponderei fazer mas não me sentia confiante suficiente para fazer. Por exemplo, se estou em casa de alguém bebo água da torneira mesmo que me ofereçam água das garrafas de plástico porque lembro-me sempre do tal "continente" de plástico que há algures no Pacífico. Os donos da casa ficam sempre incomodados mas acho que podemos confiar nos nossos sistemas de controlo da qualidade da água. As meninas da Rituals tentam sempre convencer-me que, o saquinho onde é suposto o creme de corpo ir, "é muito jeitosinho e pode dar jeito para outra coisa" mas acabo sempre por pôr o creme na carteira perante muitas cabeças a abanarem em negação. Na Zara, por exemplo, não tenho lata para dizer que não quero saco, mas acho que vai ser o próximo desafio. Passando para a comida, outra coisa que acontece é dizer que não quero do o arroz/batatas/salada que está previsto numa dose, por exemplo, do H3. "Não quer?! Mas olhe que é seu e está a pagar por ele?!". Está bem, mas se não vou comer devo deitar fora só porque paguei? Eh pá, que faça bom proveito a alguém. Com a miúda passa-se o mesmo. Cá em casa não há doces de nenhum tipo: rebuçados, gomas, chocolates, cereais de pequeno almoço, chupas, bolachas de chocolate, pães recheados, sumos... Não há! Na rua também não lhe damos nada do género e por isso metade das coisas ela não sabe o que são e não sabe como se comem. Isso está controlado. Mas e quando oferecem? Não me esqueço que no último dia 1 de Novembro lhe ofereceram um chupa, pelo Santoro, e ela olhou para mim sem saber o que fazer àquilo. Depois olhou a pessoa que ofereceu e eu expliquei: "ela nunca comeu chupas ou rebuçados". Se houvesse ali um telefone parece-me que teriam chamado a protecção de menores! Que raio de mãe que não dá doces a uma criança com 2 anos e meio?! Hoje em dia, se vir que é uma coisa inofensiva, informo que ela não costuma comer doces e que por isso é capaz de não querer ou de não comer tudo (que é o que normalmente acontece). Quando é alguma coisa que não quero mesmo que ela coma (gomas, sumos radioactivos, bolachas cheias de açúcar) digo que não e recebo o olhar "olha-me esta tem a mania". Foi mais ou menos o mesmo olhar, acrescentando um "cabra" lá pelo meio, que recebi dos animadores de um parque aquático este Verão, quando não parei para tirar a fotografia da entrada. Ora, se eu já sabia que não a ia comprar por €7 à saída, porque raio havia eu de a tirar e "obrigar" alguém a imprimi-la para depois ir fazer lixo para qualquer outro lado? Também levei com a "la mirada", aqui há anos, no Rock in Rio por não querer metade da cangalhada que andavam a oferecer. 
Isto tudo para dizer que vou passar a dizer não mais vezes! Não aos brindes de ofertas, não aos flyers que são distribuídos na rua, não às garrafas de água, não aos sacos... Não! Não resolve, vai continuar a haver toneladas de coisas inúteis a fazer lixo mas pelo menos não sou eu a responsável por isso. A Bea, às tantas, diz no livro, que não há motivo para nos sentirmos desadequados socialmente, mas acho que é inevitável sentirmo-nos um bocadinho bicho do mato...

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Dos pecados que fazem doer!






Começo a perceber as novas reacções do meu corpo o que, confesso, me dá alguma pica! Parece que estou a jogar a um jogo a questão é que quando perco a consequência é ficar a parecer um trombolho! Mas do início: desde Maio que cortei os lacticínios, reduzi drasticamente o glúten (o meu pecado maior era o pão, mas sobrando pouco para lhe pôr dentro deixa de fazer grande sentido incluir nas doses gigantescas em que o comia...) e o açúcar (especialmente o refinado), evito ao máximo comprar alimentos processados (que é como quem diz, alimentos empacotados) e aumentei consideravelmente o consumo de frutas e vegetais. Ou dito de outra maneira: a minha alimentação virou uma espécie de virgem ofendida (mas de vez em quando lá lhe dá para a malandrice porque ninguém é de ferro). Tudo corria bem até que, este domingo, o meu Pai veio almoçar cá a casa acompanhado pela sua Cara Metade, por uma mousse e um bolo. Ora, dizem as regras que não se deve fazer a desfeita às visitas e, por isso, lá comi as sobremesas que estavam de fazer chorar de tão boas! O problema foi o dia seguinte. Não era só o peso na consciência, a celulite nas ancas, o pneu na barriga! Como se uma gaja já não tivesse o suficiente com que se preocupar, agora, graças à AR, os meus pecados vêm acompanhados de inchaço e dor (o que, diga-se de passagem, é um óptimo incentivo a não mijar fora do penico)! Segunda-feira, quando acordei, tinha em vez de pés duas batatas e as minhas mãos pareciam um molho de brócolos. De cada vez que punha uma patinha no chão desejava um daqueles carrinhos eléctricos que os velhotes usam nos supermercados. Ontem a coisa já estava bem mais tranquila.
Parece-me claro que as alterações que fiz na alimentação estão a resultar e me ajudam a minimizar os sintomas mas também é claro que dificulta um bocadinho as escolhas alimentares, principalmente fora de casa. Para contornar e controlar o que como tenho optado por fazer o que posso, consigo e sei. Vai daí, já tenho a minha versão de "iogurte"*, de bolachas que matam o bichinho que dá vontade de roer**, e a granola***. Portanto, pelo menos ao pequeno almoço, tudo o que como é feito pela natureza e por mim. Dentro de dias irei converter a banheira em canteiro e na varanda vou começar a criar animais. Estou a brincar! Mas a verdade é que me sinto-me um bocadinho Amish no que toca ao que vou fazendo na cozinha e há coisas que já não imagino que vá mudar.
Desse lado, quem é que já se rendeu ao DIY alimentar?

* basicamente fruta, "leite" de aveia, sementes de chia e aveia moída;
** uma adaptação desta receita;
*** inventada por mim mas que me sai muitíssimo bem! fica mesmo mesmo boa!;

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

The underdogs


Acabaram os Jogos Olímpicos. Confesso que gosto destes momentos: europeus, mundiais seja do que for... tudo que nos permita ver o ser humano a ser super-humano para mim é como uma ida ao cinema. Nestes jogos Olímpicos a coisa não foi diferente mas chocou-me haver tanto comentariozinho sobre as medalhas que não “ganhámos”. Logo este “ganhámos” faz-me alguma espécie... Ganha quem dá o corpinho ao manifesto, nós quando muito, ganhámos orgulho por partilhar a nacionalidade com quem ganha o que quer que seja. E depois, não estou a par dos procedimentos, mas não creio que o Comité Olímpico tenha livro de reclamações para se poder protestar por um serviço que nos foi mal prestado.
Os atletas que chegam ao Jogos Fucking Olímpicos (como se diz em americano) levam uma vida de sacrifício, sacrifício da vida pessoal, da saúde do seu corpo e de tudo mais que os treinadores de bancada têm por garantido, a troco de pouco mais do que a satisfação pessoal de superar objectivos e de o poder fazer em nome de um País. É uma vida inteira a não ter manhãs na cama, noites na farra, fins-de-semana de passeio e muita força de vontade para ir mais longe, para fazer melhor, para se ser melhor. Basicamente para se ser um exemplo de excelência.
Sempre fui fraca atleta mas, os anos em que competi como jogadora de pólo aquático foram os mais loucos, ou mais duros e os mais fantásticos. Imagino que a minha experiência não tenha sido muito diferente daquela de muitos dos nossos atletas que agora estão a chegar do Rio de Janeiro: transporte feito no carro dos treinadores/pais/atletas, compra de equipamento do próprio bolso, viagens de 300km em dias de provas por não haver dinheiro para alojamento, não ter as infraestruturas necessárias para treinar... Se perante este cenário, se nos tivessem pedido resultados de encher o olho, estávamos bem tramadas. No primeiro jogo que fizemos, contra o Belenenses, em Lisboa, na piscina de 50 metros em que treinavam, tendo feito meia dúzia de treinos em metade de uma piscina de 25 metros onde tínhamos pé, e a acabar de ler as regras do jogo na camionete Hiace mais velha que a maioria de nós, o resultado foi de 37-1 (o jogo, na altura, tinha a duração de 28 minutos... e eu era, literalmente, do tamanho da perna de uma das jogadoras que tinham mais tempo de treino do que eu de vida). Ao terceiro jogo, levámos 47. Depois as coisas melhoraram e até chegámos a ganhar vários jogos e tivemos jogadoras a ir à Selecção. Ainda assim, o balanço nunca foi brilhante. Perdi a conta ao número de vezes que me perguntaram, ao longo dos 7 ou 8 anos que joguei, o porquê de continuar por lá. É claro que havia sempre aquela motivação dada pelos treinos mistos (e o que é que eu quero dizer com isto? Ver aqui e depois chamem-me burra se conseguirem) mas era essencialmente o espírito que se cria quando nos comprometemos a ser melhores e temos uma equipa a trabalhar para chegarmos lá. Foi a nós que as derrotas mais doeram (principalmente no ego) e fomos nós que melhor saboreámos as vitórias. 
Sinto que a nossa equipa Olímpica somos nós - o Pólo Aquático Feminino da Académica no final dos anos 90 e início dos 2000 - e que a maior parte dos adversários são o Belenenses (com jogadoras de dois metros vestidas com roupões personalizados e fofinhos) e, por isso, faço vénia e encho-me de orgulho pelos atletas aos que foram ao Jogos, tenham (és grande Telma!) ou não voltado com medalhas.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Next book stop



E, tal como o previsto, as férias acabaram e o caos organizado que é a minha casa aguardou-me pacientemente. Perante a falta de um intervenção divina que pusesse ordem na barraca, tive de ser eu a pôr mãos à obra. A leitura dos livros (de que tinha falado aqui) ajudou em alguns aspectos, mas vamos lá ao balanço (se quiserem mais detalhes manifestem-se que também se arranja):

- não é preciso ler os dois, basta ler o mais recente que repete em grande medida o primeiro mas tem ilustrações que ajudam a perceber o texto (a tradução em algumas partes não está brilhante!);

- há dicas que sim-senhor: a estratégia para começar a arrumar, o critério fundamental para a escolha do que fica e do que vai, a forma de dobrar (uma coisa tão simples mas que faz tanto sentido), a ordem de arrumação... Depois da última empreitada até achava que tinha o armário organizadinho mas ainda dei muita roupa e o armário da Sardanisca também ficou organizado de forma bem mais prática! Acho que as dicas são especialmente úteis para os roupeiros de crianças;

- há dicas que nem-por-isso: parece que a reciclagem e a doação não são opções. Compreendo alguns dos argumentos que a autora usa mas parece-me que pode haver um meio termo entre o deitar fora e o acumular;

- há dicas que não-lembram-nem-ao-menino-jesus: agradecer às peças a alegria que nos deram antes de as deitar fora, agradecer diariamente às coisas que nos foram sendo úteis ao longo do dia, sentir a vibração e a alegria da roupa e dos espaços mas, acima de tudo, a ideia de deitar livros fora! Pode vir a mulher da fava-rica que não deito livros fora!

Depois de perceber a quantidade de tralha que ainda deitei fora fiquei a sentir-me mal... e ainda nem me aventurei pelos brinquedos da miúda! Como é que é possível duas pessoas e meia fazerem tanto lixo? terem tantas coisas? Ainda para mais, não somos ricos (nem pouco mais ou menos) e a nossa casa é uma espécie de miniatura das casas das pessoas crescidas. Foi aí que apareceu o próximo livro (que não vou deitar fora) e que não consigo esperar para começar a ler: "Zero Waste Home: The Ultimate Guide to Simplifying Your Life" da Bea Jonhson. Ainda só li o que a Amazon me deixa mas estou esperançosa porque, aparentemente, à medida que vamos deixando de ter coisas vai sobrando tempo e dinheiro, que é coisa que faz sempre falta!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Aí estão os motivos...



Ontem alguém me perguntava se ainda estávamos pelo Caramulo ou se já estávamos a salvo. Já estamos em casa, e (para já) estamos a salvo (mas quando metade do país está a arder não sei se alguém se sente seguro)! Viemos embora de Sobral (Macieira do Alcoba - Freguesia do Préstimo) no Sábado e, no Domingo, aquele lado do Caramulo começou a arder! É incrível pensar que o verde todo que nos roubou a respiração durante quase uma semana está agora reduzido a nada! Confesso que pensei algumas vezes, principalmente quando nos enganámos no caminho e descemos a Serra por um estradão agrícola (Vale d'Égua, Lourizela), que se algum maluco se lembrasse de pôr fogo ali que dificilmente sobraria alguma coisa. Resta-nos o fraco consolo de pensar que pudemos desfrutar com a nossa filha um bocadinho do Céu que existia mesmo pertinho de nós.
Agora não consigo deixar de pensar no desespero que as pessoas estão a sentir porque, do outro lado do Caramulo, do meu lado do Caramulo, já tive Tios e Primos na mesma luta injusta e até em Coimbra já vi o fogo a lamber as nossas portas, por isso, conheço, vagamente, a sensação de ficar sem ar e de ter o peito a encolher com a impotência que se contraria mais por teimosia do que por esperança. 
No meio disto tudo, que os Bombeiros não desistam de ser super-heróis mais este Verão e que nós possamos perceber como fazer a nossa parte para ajudar.

sábado, 6 de agosto de 2016

Cádê um bom motivo para irmos embora?









Acima estão os meus argumentos a favor de ficar e não tiro o rabinho da minha rica Casa Verde até alguém me convencer que estou errada.

(Casas do Espigueiro; no meio da Serra do Caramulo; a 20 minutos da cidade mais próxima, Águeda.)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Full disclosure



Este é aquele post que fica nos rascunhos meses sem fim à espera que a censura o apague para todo o sempre ou que se arranjem tomates para o publicar. Tendo em conta que isto está a ver a luz do dia, é possível que esteja mesmo a tornar-me um homem ou então que me vou arrepender de carregar no botão de "publicar" daqui a 35 segundos. Mas vamos lá então, porque sempre fica mais claro o porquê desta barcaça ter ficado tantas vezes à deriva neste último ano e porque, às vezes, é bom saber que há vidas que não são perfeitas neste mundinho de Deus em que tudo que fique mal num quadradinho de instagram não existe! Ou então eu sou a excepção à regra... sou a única gaja que ficou com a vida meio desarrumada, sem um plano para a voltar a endireitar e sem que isso fosse uma opção pós-moderna para uma vida mais "livre".
Desde Junho do ano passado que descobri o seguinte: que não ia ter trabalho (não em moldes que pudesse aceitar), que a minha melhor opção, do ponto de vista profissional, era um plano com fraquíssimas possibilidades de dar certo e de facto não deu certo, que tinha um vírus a comer-me o olho por dentro (mais ou menos, vá) e uma doença auto-imune crónica. Por tanto, em seis meses passei de ser uma pessoa completamente normal (com trabalho e saúde) para estar desempregada e doente. Fixolas, certo? Não tenho dúvidas que as coisas estão relacionadas. Que o stress de não saber o que ia acontecer à minha vida fez o meu corpo entrar em curto-circuito. Era muita tralha para processar e tentar não fazer o fardo maior do que aquilo que ele era para não preocupar as pessoas à minha volta. Não fui bem sucedida porque preocupei na mesma. A determinada altura, os únicos momentos em que as coisas não estavam negras eram quando estava em família e quando estava a correr. Nos entretantos era uma mistura de pânico com acção... mas uma acção semelhante à de uma galinha com a cabeça cortada. Corre em todas as direcções e vai a todas mas sem nenhum plano. Foi preciso bater contra muitas paredes para finalmente acalmar e começar a pôr as coisas em perspectiva. Tive de começar por parar para respirar e não pensar em mais nada se não isso. Não pensar no que ia ser de nós nos próximos meses, nos próximos anos e não pensar nos planos que tínhamos para um futuro próximo. Os vinte minutos por dia em que parava começaram por ser vinte minutos de pranto, depois de angústia, depois de tristeza, depois de aceitação e depois de (alguma) tranquilidade (que o Nirvana ainda está longe). E depois, dei-me um estalo-abre-olhos, deixei de sentir pena de mim e fiz-me à vida. Descobri há uns meses uma estrofe de uma música do Samuel Úria (vénia) que define esse momento:


Não há uma palavra nestes versos que não espelhe aquilo que vivi.
Saí da neura permanente (ela volta e meia lá aparece) e passei os dias a procurar trabalho, trabalhar de borla (não há falta de trabalho, há é falta de dinheiro, ou vontade para o pagar), a ir ao médico, correr e meditar para além das tarefas domésticas e familiares. Quando tudo começava a ficar meio merdoso, lá insistia um bocado mais na história da meditação, corria um bocadinho mais de tempo, via mais um episódio da Patrulha Pata com a minha garota. Eventualmente as coisas tornaram-se mais simples. Mas foi preciso a atitude "que se foda" - aquela que o Cristiano Ronaldo tão eloquentemente explicou ao Moutinho - para aos poucos as coisas se irem encaminhando e estão de facto a encaminhar-se.
Isto tudo para dizer, que às vezes as coisas não correm bem e isso faz parte e não temos mais ou menos valor por isso. Às vezes é preciso que as coisas não corram bem para fazermos alguma coisa que nos tire do marasmo e nos mostre que até temos força quando, basicamente, achávamos que éramos uma espécie de ameba vertebrada. Afinal não, até temos cá qualquer coisa que nos faz levantar... as vezes que forem precisas. Há dias em que sinto na pele que este não foi o último trambolhão (basta as dores apertarem mais para começar em contagem decrescente para o esbardalhanço) mas descobri, que para mim o truque para não enlouquecer e não ter o corpo a implodir, é acreditar no timming dos acontecimentos (até o das tareias) e de que tudo vai ficar bem (e está a ficar bem).

(Aceitam-se apostas: quanto tempo até me arrepender de ter publicado isto?!...)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Orga-Nice


Acho que as últimas palavras que disse, completamente pegajosa e estoirada das limpezas e arrumações, antes de fechar a porta e ir de férias foi "esta casa está o caos!". Virei costas e comecei o processo de mentalização para o que me aguarda no regresso. A verdade é que a nossa casa parece que diminui na exacta medida em que a Sardanisca cresce e, na realidade a miúda é alta como o caraças. Conclusão: tudo quanto é canto tem alguma coisa que pode, ou não, ser fundamental para o nosso dia-a-dia. Não sendo, nem tendo pretensões a ser minimalista, a verdade é que não gosto de confusão e sei que tenho mesmo que meter mãos à obra. Como neste mundinho parece que nada acontece por acaso, estava eu tranquila da vida no meu feed do facebook dei de caras com o título "a mulher mais organizada do mundo". Fiquei com os pêlos da nuca eriçados porque acho que sou uma gaja organizada e queria ver quem é que era a fulana que tinha a lata de se apropriar de um título que um dia até podia ser meu?!? Pesquisei e fui dar à Marie Kondo. Uma japonesinha que pelos vistos desenvolveu todo um método sobre como arrumar uma casa à prova de desarrumanço. Não sou miúda de me ficar e no dia a seguir comprei logo os dois livros que estão escritos em português. Tem ideias que só no país da Sailor Moon - do género, de agradecer aos objectos que vamos deitar fora pelo serviço prestado (I kid you not) - mas tem outras que vale a pena tentar. Se eram precisos dois livros para explicar a coisa? Não, mas depois como é que a moça pagava as contas?! Vou ver se resulta e depois digo alguma coisa.