sexta-feira, 14 de julho de 2017

Vamos jogar ao jogo "quão frita estou eu da cabeça!"



Ah a maternidade! Aquele período das nossas vidas em que tudo é felicidade, há corações a flutuar no ar e nunca nos parece ser de mais dizer o quanto amamos os nossos filhos desde o momento em que lhes pusemos os olhinhos em cima!... Ou então não. Eu cá não tenho nada contra mas, no meu caso, durante o primeiro mês sinto que estou num filme do Kusturica: é o caos, a alegria, o drama e a comédia tudo acompanhado de um banda sonora que parece ser tocada pela filarmónica da terra mas em esteróides!!

Neste momento estou toda comidinha da cabeça! Começou com a falta de vocabulário: "Homem, vais-me buscar... [silêncio] ... [silêncio]... aquela fruta que se come e tem casca e que eu gosto...". Depois passei a perder-me cada vez que o trajecto de carro era ligeiramente diferente do habitual, assim do género de ir a Loures para chegar ao Parque das Nações. Mais frequente é, dar de mamar à uma da manhã, adormecer depois de entregar a garota ao pai e acordar à uma e um quarto, com qualquer barulhito que ela faça e, já a sacar da mama, perguntar "está na hora de mamar, não é?". O cúmulo aconteceu aqui há uns dias, quando estava a ir do sofá para a cama, devidamente guiada para bater nas paredes, a transportar um bebé imaginário junto ao peito, a quem primeiro quis dar de mamar e depois quis entregar ao pai para lhe mudar a fralda. Fiquei danada porque o progenitor da criança não queria segurar nela (na criança imaginária). Depois lá lhe perguntei "ela não está aqui, pois não?". O sacana ficou a rir mas de nervoso... acho que achou que eu tinha passado para o lado de lá e sem bilhete de regresso.

Posto isto vamos a votações: de 0 a 10 quão frita da cabeça estou?

(Para tranquilidade de todos, a pequena cresce que nem uma valente!)

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Rabos que inspiram pensamentos profundos

Photo by Marija Zaric on Unsplash


Adoro aquelas fotos de Instagram em que se quer mostrar o bikini body, toda a saúde que a genética e o PT nos deu, em particular a forma e rijeza do rabo mas, para a coisa não ser tão gratuita, e não parecer que se quer só mostrar o "pacote" (como se diz na minha terra) acrescenta-se uma frasezinha inspiradora que pode ser do Gandi, do Mandela, do Chagas Freitas ou (da dona) do próprio rabo que poderá ser algo do género "vai onde te sentes feliz. Deixa fluir essa energia boa que tens no coração"*.

* esta é uma citação da legenda de uma dessas fotos... voltei a procurar mas já não encontrei a fonte... espero que a/o autor(a) me perdoe.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Nós, vós, eles


Podia agora dissertar sobre como este - o nós e o outro/eles - é "o" paradigma da minha antropologia. Há algo que separa o "nós" do "outro" e normalmente resume-se ao facto de o "nós" ter razão e o "eles" não: "se 'eles' soubessem como as coisas funcionam não diziam/faziam o que dizem/fazem". Quem estuda esta dicotomia acaba por exacerbar a empatia porque é treinado a compreender a perspectiva do “nós” sobre o “eles” mas, essencialmente, encontra os argumentos que fazem do “eles” o “outro” (que não percebe nada disto).

Ora, sendo antropóloga, estou constantemente nesse exercício. Consciente e inconscientemente. Nas fianças sou a tipa com ar comprometido que não diz nada sobre a lentidão dos serviços, ou sobre a falta de capacidade técnica. Porque imagino que "eles" tenham de trabalhar num programa obsoleto, num computador ainda mais antigo, sem o pessoal necessário e com regras que "nós" não conhecemos. Normalmente as minhas reclamações são sobre comportamentos de pessoas e tento não imputar nessas pessoas o fardo do contexto em que trabalham.

Por tudo isto tenho uma sugestão que vai tornar o mundo um lugar melhor, diria mesmo, o paraíso!! Aqui vai: uma lista intitulada "o que vocês não sabem". Esta lista teria de estar presente na entrada das zonas perigosas por exemplo, repartições de serviços públicos (hospitais, finanças, hospitais, conservatórias, hospitais, tribunais, centros de saúde...) e cada utente teria a sua própria lista que adequaria à situação.

Exemplo (que poderia ser meramente) hipotético:
Num hospital (periférico a uma grande urbe) as críticas mais frequentes que “nós” fazemos a “eles” são: a demora no atendimento, a má cara de quem nos atende, o não fazerem caso do que para nós é importante, não levarem connosco o tempo que nós achamos necessário. Com a tal listinha bem visível, possivelmente, ficaríamos a saber que (pela voz deles):
- Temos que ver muitas pessoas a maioria dessas pessoas veio à urgência/serviço porque não quis marcar e esperar dias por uma consulta (confirmar se não é o caso, se for, não esquecer que a espera pode ser de horas mas não de dias);
- Trabalhamos muitas horas seguidas. 12h, 24h, 36h... e também ficamos fartos, cansados e irritados. Além do mais, porque trabalhamos quando os outros descansam e curtem, estamos sempre a perder a festa da escola do nosso miúdo ou um dia importante das nossas pessoas;
- É verdade que normalmente não corremos e não andamos muito apressados. Estamos a guardar energia para quando isso tenha mesmo de acontecer. Se nos virem em modo corrida é porque a coisa está complicada;
- Aprendemos que temos de filtrar aquilo que nos dizem para podermos dar atenção ao que realmente importa. Se marcarem uma consulta, a tal que pode levar a dias de espera, terão de certeza mais tempo para falarem de tudo o que vos atormenta;
- (acrescentar outros argumentos)

Por nosso lado nós poderíamos apresentar a nossa listinha. No meu caso diria qualquer coisa como:
- Estou cheia de medo;
- Não sei se estou preparada para o que têm para me dizer;
- A espera faz aumentar o meu medo;
- Não gosto de hospitais porque me irrita a falta de urgência dos médicos e enfermeiros quando eu estou aflita e me apavora a ideia de os ver em acção a sério;
- Tenho gente que depende de mim à minha espera e só quero ir para casa;

Estou mesmo em crer que esta troca de informação evitaria muitas irritações!

(Post escrito em parceria com a obstetra que me fez esperar 3h pela alta... custou esperar mas tenho a certeza que houve motivos válidos para isso)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Par completo



E cá estamos na versão a 4. Afinal a moça desistiu de esperar pelo Natal e às 40 semanas e 4 dias saiu do bem-bom... (a outra versão é que foi expulsa pela "maldadezinha" da médica, pelos 4km em passo rápido com "aquele" calorzinho da semana passada, e pelas quatro subidas ao quinto andar pelas escadas).

Confesso que estava borrada de medo do parto, tendo em conta que o último tinha sido, no mínimo, traumático, mas este foi impecável! Aquelas coisas que se dizem "ouve o teu corpo e faz o que ele te pede" nunca funcionaram muito bem para mim... ou sou eu que sou surda ou eu e o "corpo" falamos idiomas diferentes, mas neste caso, funcionou que foi uma belezura! Foram três ou quatro "faça força" e a coisa deu-se! Tinha cá fora a princesa mirin. Ainda perguntei se já estava e, tendo em conta, que não eram gémeos, efectivamente, estava. Bastou uma enfermeira para tratar da ocorrência e as outras duas só foram precisas para tratar da gaiata. Já agora, uma grande vénia às enfermeiras, em particular às enfermeiras do calibre da enfermeira Rute! You rule!!

A miúda é impecável mas reivindicativa. Faz lembrar a mana mais velha por estes dias e mama que se farta. Ou seja, já entrei no modo vaca leiteira com direito a ordenhador automático e tudo.

Está tudo ainda meio caótico no respeita a emoções - à semelhança deste post que não tem ponta por onde se lhe pegue - mas também muito claro que fazemos mais sentido a 4. Dois pares. Árvore e frutos e todas as suas combinações possíveis!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Ponto da situação






Farei 40 semanas de gestação amanhã. Sinais da garota querer sair? Nenhum! Juro que achei que pelas 37 estaria cá fora tal foi a animação da minha vida nestes últimos tempos: corri muito atrás da mais velha; mudei de casa e fui eu, com o "partener", que fizemos as mudanças e as limpezas na casa antiga e na casa nova (com a ajuda da mãe e da sogra num dos dias); mantive-me no ginásio até aos 7 meses e meio; fiz a festinha da Sardanisca com tudo o que isso implica (compras, cozinhar, montar o estaminé e arrumar tudo a seguir); estive a trabalhar até às 39 semanas e dois dias num edifício que tem três andares (e um elevador do tempo da velha senhora e tão lento quanto a própria no qual nunca andei) o que implicou subir e descer muita escada por dia e também subidas e descidas variadas à Cova da Moura e à Quinta do Mocho que são zonas inclinadas para caramba, mais as sessões de defesas de 8 horas; as lides domésticas (cozinhar, limpar, tratar da roupa), ainda que partilhadas com o meu Homem continuaram a ser asseguradas por mim e ainda fui à praia e tomei banhos de mar com a Picatxu com direito a apanhar ondas, fazer castelos na areia, carregar sacos de praia, levar a miúda ao colo e o camandro. No meio disto tudo, tive direito a contrações mas nada de outro mundo. Quando cheguei a Coimbra, no início da semana, achei que me iam dizer na maternidade que já podia ficar que a coisa se ia dar a qualquer momento. Não! Ouvi um "uuuiiii! isto ainda está muito atrasado!! venha cá daqui a uns dias". Voltei para ouvir outro "uuuiii! está um bocadinho mais avançado mas ainda há aqui muito trabalho pela frente! se às 41 semanas ainda não tiver nascido vamos ter de induzir". Se as caminhadas e as brincadeiras com a garota continuaram a fazer parte dos meus dias, juntei à dose diária de actividade a subida e descida de escadas. Quantas? ora bem, 280 degraus a subir (não conto as descidas) de manhã e à tarde até à primeira visita à maternidade, a que passei a somar visitas diárias às escadas monumentais (125x2 degraus a subir) depois da segunda visita à maternidade. Resultado? Dói-me a barriga... das pernas. Perante isto, estou convencida que a mai nova nasce lá para o Natal. Dicas anyone?

quarta-feira, 21 de junho de 2017

11 dicas para arrasar no instagram


Tenho que avisar que o post deve ser lido no tom irónico e sarcástico com que foi escrito... Se eu soubesse como dominar as redes sociais não tinha cerca de três leitores! Vamos lá, que isto é fruto de muitos meses de recolha de dados.

1. Comprar um flamingo insuflável e espetá-lo no instagram à força toda: nos "live videos", nos "instastories" e nas fotos em modo boomerang e sem ser, garantindo que ttttooooooddddddaaaaaa a gente sabe que se adquiriu um flamingo insuflável. (Porquê?!... se estão a pensar responder a essa pergunta a popularidade nas redes sociais não deve ser a vossa cena... deixem de ler este post aqui);

2. Fazer um instastories com a indicação da hora, local e temperatura (de preferência num lugar em que se possa estar dentro de água com o flamingo). Desde do saudoso Anthímio de Azevedo que a meteorologia não é mesma coisa. Há que batalhar para lhe devolver a dignidade;

3. Fazer um unboxing de cenas. Nada como ver um indivíduo maneta a tentar abrir uma caixa. Faz o dia de qualquer pessoa muito mais interessante;

4. Selfies individuais ou colectivas com os acrescentos das orelhas e narizes dos animaizinhos, coroas da frozen, óculos e tudo o que se tem direito. Aceito sugestões de punch lines para esta, porque não me sai nada;

5. Qualquer coisa em boomerang... mas, em podendo, rodopiar uma saia ou um vestido. Só pela ilusão de estarmos a desafiar a gravidade por algumas fracções de segundo. Há um Einstein dentro de cada um de nós... salvo seja;

6. Festivais de Verão: filmar de modo a que o mundo veja o que nós vimos, isto é, um artista pelo ecrã de um telemóvel (e não ao vivo);

(Não descurar os clássicos:)

7. Pés / Pernas. Foi por aqui que tudo começou e ainda não passou de moda. Mostrar ao mundo que somos bípedes continua a ser inovador;

8. Comida. Se houve tema que cresceu foi este. Já não é só a comida do restaurante do não sei quantos do Bairro/Esquina/Avenida/Marina (riscar o que não interessa), agora é o se come antes e depois do treino, a nova tendência vegan/vegetariana/paleo, o gelado de três andares... You name it! Fundamental é que se perceba que nos alimentamos. Atenção aos brunchs... estão a perder a popularidade;

9. Ginásio (lá está... de mãos dadas com a comida) não pode falhar com o respectivo relato, se não não vale. Temos que saber a hora do início do treino, os segmentos trabalhados, o número de repetições e, fundamental, o número de calorias gasto. Caso contrário mas valia terem estado a enfardar bolos;

10. Outfit of the day: no provador da Zara, contra o portão do prédio, a atravessar a estrada, a fazer pose descarada ou como se não soubéssemos que nos estão a a fotografar... tudo vale. Dica: não tirar a etiqueta para dar para devolver à loja;

11. Cenas aleatórias colocadas em cima de uma secretária mas tudo muito bem arrumadinho. Esta tendência já viu dias mais prósperos... mas eu continuo a acreditar que vai voltar em força, afinal, de que outra forma podemos combinar um teclado de computador, com uns brincos, um livro, uma garrafa de sumo, um lápis e uma moldura?! Há coisas que não podem cair no esquecimento!;

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Para já, um bocadinho de silêncio


Tinha um post com piada (digo eu!) agendado para hoje mas não estava confortável em deixá-lo aqui no meio de tanta coisa sem graça a acontecer. Por agora ficamos assim, a desmoer a ideia de que acontece só aos outros porque temos tido a sorte de estar no lado certo das tragédias*. Aquele em que podemos dizer ao mundo, como se o assunto fosse sobre nós, que temos muita pena e o coração muito apertado, em que nos preocupamos em chafurdar na dor dos outros na procura de culpados (como se valesse de muito) e que apontamos soluções que no mínimo, vêm tarde de mais. Daqui por uns dias já vai fazer mais sentido (so)rir e nessa altura deixo o post  mesmo giro (no pressure) que estava preparado para hoje.

Como ajudar sem ter muito trabalho, sem atrapalhar e sem ter de garantir há espaço para tudo, aqui.

* Já agora, quão seguros nos sentimos se pensarmos que esta trapalhada toda aconteceu porque um raio, num dos dias mais quentes e secos do ano, atingiu uma árvore, que essa árvore pegou fogo às outras e que o vento levou esse fogo para o resto do espaço e chegou a aldeias que de tão anónimas nem deviam vir no mapa. Haverá maior conjugação de improbabilidades?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Das analogias improváveis e daqueles posts longos com'ó catano


O meu primeiro carro foi um Fiat Cinquecento branco de 1994 (acho eu). Não tinha auto-rádio (o carro tinha sido da minha mãe e ela tinha medo que lho roubassem se tivesse auto-rádio... era capaz de ter alguma razão) mas tinha um discman a pilhas com colunas em vez de headphones. Acompanhou-me em horas incontáveis de casa para a faculdade, da faculdade para o trabalho, idas a casa da minha mãe, treinos de pólo-aquático tardios, latadas e queimas das fitas, viagens de férias, inícios de namoricos, meios de namoricos e fins de namoricos, fez mudanças de quarto de vários colegas e fez de autocarro todos os dias. Podia dizer que nunca me deixou mal mas estaria a ser mentirosa. Na verdade era preciso conhecer bem a peça para lhe pôr as mãozinhas: não aguentava o pára-arranca de um dia de trânsito e ficava logo com o termóestato no vermelho e não andava para mais lado nenhum; tinha de ter sempre um saquinho de fusíveis no porta-luvas para os dias de chuva em que os desgraçados se fundiam à velocidade da luz; os garrafões de óleo e água ficavam na mala para quando a temperatura subisse sem avisar. Apesar do tanto que ajudou a minha vida, não lhe consigo perdoar aquele verão em que fui, com mais duas babes, fazer uma viagem pela costa de prata, que, no meu caso, se chamava "viagem de dor de corno" (tinha acabado de ficar sem o meu primeiro namorado a sério e queria esfregar na cara dele e da nova namorada que estava super feliz e independente) quando fiquei com o carro a deitar fumo em plena A1 a 30 km de casa e as férias foram substituídas por uma cabeça de motor (e não pude esfregar nada na cara de ninguém...).


Nesta analogia, que tarda em chegar, eu sou o Cinquecento e o blog sou eu durante os tempos de faculdade. Este espacinho faz hoje 9 anos (9 anos caramba!!) e como é lógico já passou por muito: um doutoramento, quatro ou cinco mudanças de casa, enganos amorosos que terminaram com um tiro certeiro num tipo às direitas, mudanças de cidades, mudanças de trabalho, desemprego, filha n.º1 e filha n.º2. Mudanças de personalidades que foram desde a tipa que fazia bugigangas (ver, com um compensan ao lado, os primeiros posts), à que achava que um dia ia ser fashionista, à que tinha tantas opiniões que achava que podia dispensar algumas ao mundo, à cinéfila intelectual, à melómana vintage, passando pela "Martha Stwart" (versão pobrezinha que não desvia fundos), e pela guia de viagens daqueles destinos que já todos conhecem, já para não falar da fit-momma-runners-wh-cenas entre outras mil coisas que prefiro não elencar (para evitar vergonhas alheias). O blog manteve-se aqui, firme e hirto, disponível para as necessidades, e eu fui o carro em sobreaquecimento que volta-e-meia ficava parado; fui o veículo que deixou o blog na mão quando ele mais precisava para crescer; fui o discman que ficou sem pilhas quando o que era mesmo preciso era um sonzinho ambiente (não sei bem o que é que isto quer dizer mas saiu e vai ficar).

Ao longo destes 9 anos, já houve promessas de que isto ia crescer, já houve contactos para parcerias (a mais memorável de todas que, tal como as outras, nunca viu a luz do sol, foi a de um aspirador que vinha mesmo a calhar mas por inépcia minha ficou pelo caminho), já houve pedidos de divulgação de coisas e todo um conjunto de cenas com as quais não soube lidar porque, afinal, quem anda de Cinquecento quer é estar na descontra porque já chega o stress associado a todos os imprevistos que podem acontecer...


Confesso que sinto muito a falta de vir aqui com mais tempo, escrever o que me apetece, ser a tipa que se arranjava para ficar bonitinha, a que ia ao cinema, a que ouvia música nova, a que tinha muitas opiniões... mas depois a vida mete-se no caminho e acho que ninguém precisa de saber que há uns dias saí de casa com dois ganchos da Minnie espetados no meio da testa porque estive a brincar aos penteados com a Sardanisca e depois esqueci-me de os tirar. Que tudo quanto é comida e pasta de dentes aterra na barriga onde está a mais nova e sempre que olho para baixo tenho uma nódoa daquelas à la "trailler park". Ou que, estive dois meses sem arranjar as unhas porque com as mudanças e as limpezas associadas às mudanças não há verniz que aguente dois minutos. Que tenho os calcanhares a fazer inveja às lixas das rebarbadoras. Que divido o meu tempo entre o trabalho (que é muito) e a manutenção da casa e das nossas vidas enquanto tenho de me deslocar com uma bola de basquete de alguns cinco quilos, com dores nas articulações e tomar ferro, iodo e magnésio para ver se o corpo não entra em decomposição. O mais estranho disto tudo é que não me estou a queixar, apesar poder parecer que sim, e até estou feliz com a situação! Acho que tenho tudo e quilos de sorte por conseguir ter tudo (quer dizer, mulher-a-dias uma vez por semana era uma coisa que me podia deixar ainda mais feliz), mas acho que para o resto do mundo esta é uma realidade um bocadinho deprimente e sempre muito do mesmo... Ainda assim, não desisto de manter este cantinho aqui para o que der e vier. Gostava muito de lhe fazer um "pimp my ride" e pô-lo a parecer como uma coisa a sério e cheia de glamour mas sei que isso não vai acontecer num futuro próximo. Seja como for, vamos continuar a fazer um esforço para nos mantermos por aqui, apesar dos momentos em que o termóestato entra no vermelho e a viatura tem mesmo que parar.

Sei que há por aí umas quantas almas que vão mantendo um olho por aqui para tentar perceber se o carro está em cima de cepos ou se ainda dá umas voltinhas ao bairro, a elas digo: obrigada e mantenham-se por aí, não vá ser preciso chamar o reboque!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

E quando o dia 10 era só um feriado e eu não tinha nada para fazer?!...





Isto de ter crianças a fazer anos é uma pressão do caraças! Ele é a festa que precisa de um tema, é arranjar um/a animador/a que não seja creepy e que saiba fazer pinturas faciais e bichinhos com balões, é arranjar o espaço, é arranjar comes que sejam sem lactose e sem glúten e sem açúcar (e sem piada) para serem ultrasaudáveis para as pequenas crias de humanos, paciência para controlar crianças a correr durante duas ou três horas e ainda ter o talento para fazermos tudo de origem para que as crias se sintam amadas e não precisem de psicólogo precocemente.

Eu cá dei o meu melhor: bolinho para a escola na sexta (dia de anos) e festa no sábado. Entre uma coisa e outra foi fazer as compras dos "comes" e das "decorações" para, no final, o resultado ser uma coisa tipo aqueles "memes" dos "fails" do pintrest. Em hashtags a festa seria um #nailedit #sqn... 

Por partes:
- O Tema: 
Princesas e, a pedido da criança, seria importante ter a presença da Branca de Neve e, já agora, do príncipe. Aproveitei logo a dica para lhe dizer que a Branca de Neve até era capaz de ir à festa mas que ela não dependia do príncipe para fazer as suas escolhas e que por isso o mais provável era ir sozinha, ao estilo "mulher independente". Acho que ficou convencida. Lá arranjei uma animadora supimpa que não saiu do personagem um único segundo!

- A Decoração: 
Ora, a ideia era ter a coisa em tons de rosa, branco e azul turquesa, sendo que pela miúda era tudo em cor-de-rosa. Na realidade tivemos direito a rosa, azul turquesa, verde, laranja, vermelho, azul claro e azul escuro. A porra das lojas não se organizam para ter as colecções consistentes no que respeita ao esquema de cores e vai daí a malta improvisa e no fim fica assim um bocado gay parade!

- Os Comes:
Fiz metade e comprei metade. Comprei miniaturas de coisinhas boas e dois bolos pequeninos e caseiros (um de beterraba outro de côco e ananás) e pipocas. O resto fiz: salada de frutas, guacamole, húmus, sandes de pães de leite, e o próprio do bolo de anos que ficou uma espécie pesadelo da pastelaria mas não sabia mal. Era um "sponge cake" de lima com um recheio de creme de lima (não sei como chamar ao creme que lhe fiz para pôr no meio). A decoração foi feita para distrair de tanto remendo na pasta de açúcar (que só estava lá para fazer género porque quando foi para servir tirámo-la).

- O Espaço:
A zona de merendas do Parque dos Poetas onde havia mais 85 festas de anos, pertinho da zona do inferno (também conhecida por escorregas).

Aconteceu a festa, não perdi nenhum miúdo e nenhum miúdo foi devolvido com peças a menos. Aconteceu também uma epifania: para o ano quero um aniversário "chave na mão"! É que a minha veia Martha Stewart está para lá de anémica, mesmo com a ajuda da minha mãe (sem ela ainda estava a fazer pãezinhos de leite a remendar o bolo de anos). Para além do mais, a paciência está canalizada para a dramática da minha filha que não consegue gerir uma reunião social sem chorar pelo menos quatro vezes. Apesar da dose gigantesca de cansaço, valeu a pena porque ao chegar a casa a Sardanisca lá me explicou que estava muito "enflismada" (acho que é entusiasmada e feliz) com a festa!

PS - Apesar das muitas horas de pé, das muitas corridas, dos muitos stresses e das 38 semanas, a criança ainda não nasceu.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Da representação e do dom da invisibilidade


Nos dias que correm não me faltam ideias de negócio e de empreendedorismo que partilho com o mundo a custo zero. A sugestão de hoje é uma borla para os directores de castings para novelas. Façam atenção:

São precisas caras novas nas novelas?! Então, nada como começar a procurar actores em potência em sítios improváveis! Esqueçam as "calls" para as novelas, as agências de actores e os shows de talento e ponham os olhinhos nos supermercados. Passo a explicar: depois de meses de recolha e tratamento de dados descobri qual o contexto ideal para identificar o cidadão comum que tem dentro de si um actor de excepção, e cheguei à conclusão que vivemos num país de artistas. 

Imaginem o cenário: uma caixa de supermercado. No início do tapete, em fundo vermelho e letras brancas, a seguinte mensagem "atendimento prioritário". Uma fila de pessoas (aka potenciais personagens de novela) com compras para pagar. Ambiente: aquele "ram-ram" do costume, de "pis" sob uma luz florescente que faz lembrar o talho. A antítese do viver. O sinónimo do marasmo e da rotina macilenta do quotidiano. Nisto, entra a grávida com barriga até à boca e, numa régie escondida grita-se "acção" e começa-se a avaliar as expressões faciais e corporais dos potenciais artistas. Desde logo, aquele que tem mais material para representar é o último da fila. Em fracção de segundos tem que conseguir disfarçar e conter uma série de reacções: virar para perceber que chegou alguém, desviar o olhar do elemento perturbador da normalidade (a barriga), contrariar as normas sociais que fazem de uma grávida um elemento com um estatuto social diferente, ignorar as letras em fundo vermelho, voltar-se para a frente e manter a postura corporal como se nada se tivesse passado. Cena 1, take 1, fechados. Os restantes elementos da fila, assumem um comportamento semelhante sendo mais complicado inferir se se aperceberam ou não da condição particular da nova freguesa. Eu, se estivesse a coordenar o casting, deixava estes para segundos testes. De repente, a senhora que está quase a acabar de pagar as compras, enquanto controla um miúdo de três anos diz alto e bom som "Olhe que tem prioridade! Não quer vir aqui para a frente?". 
Entra nova voz de acção: cena 2, take 1. Aqui deve observar-se com atenção as simulações de espanto e a expressão corporal de solicitude. O que deverá ser analisado é o frágil equilíbrio entre o "under" e o "over acting". É necessária alguma perícia para se manobrar nesta estreita fronteira e isto só mesmo um talento inato consegue fazer. Normalmente, a representação é acompanhada com uma espécie de diálogo retórico "Ah! Nem tinha dado conta! Passe, passe! Se tivesse reparado já tinha dado a vez!".

Se isto não é material digno de uma entrada directa para o "prime time da novela", não sei o que será!

Da minha parte, só tenho pena de fazer, vezes de mais, parte deste cenário, para mal dos meus rins, que aleijam sempre que tenho de estar parada e de pé!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Em apneia







Num destes dias, já com nove meses de garota no bucho, fui levar a Sardanisca à natação. Não sei se sou só eu, mas estas aulas são para mim um misto de orgulho e de bungee jumping, tal é a emoção. A instrutora é uma querida e super-competente, as piscinas (do Jamor) não podiam ser melhores e ela diverte-se à brava porque, basicamente, o que fazem é brincar na água durante 50 minutos. Ainda assim, esta brincadeira implica algumas aventuras: mergulhos, "nadar" debaixo de água... e acho que é isto.

Num dos últimos treinos, os garotos tinham de descer por um escorrega para dentro de água e a miúda ficou histérica porque estava a juntar as duas coisas que mais gostava. A descida fazia-se de mão dada com a instrutora e depois, como já sabem desde a primeira aula, ficam agarrados à berma da piscina à espera de novas instruções. Depois da terceira volta, a minha cachopa, soube depois, disse à instrutora que queria descer mais uma vez. A resposta foi "sim, vais descer mais uma vez". Não sei o que se passou na cabeça da minha filha que, sem saber nadar ainda, se pôs a caminho! Largou a berma da piscina e pôs-se a "andar" a caminho do escorrega. Sem qualquer tipo de ajuda que ainda usam (esponjas, alteres e peixinhos). É claro que dois metros depois estava aflita e a instrutora, que estava a fazer descer outros meninos pelo escorrega, não se apercebeu logo. Eu estava nas bancadas. A muitos metros de distância em linha recta e em altura. Quando percebi que a miúda estava atrapalhada fiquei sem pio! Só conseguia bater no gradeamento das bancadas com o caderno que tinha levado para trabalhar. Finalmente a instrutora apercebeu-se e foi buscá-la. Contra todas as previsões, a Sardanisca não chorou, não panicou, não nada! Só quis voltar a descer do escorrega. Em compensação, eu fiquei a achar que ia parir a criança ali mesmo. Entre tremer por todos os lados, suar em bica, contrações e hiperventilação, deu para tudo (mas em discreto que não sou menina para querer o povo todo à minha volta)! Lá me consegui acalmar, com um dos pais dos miúdos do grupo a dizer, "fique calma porque a acontecer a algum dos pequenos que fosse à sua menina que é a mais desenrascada!" Levei a coisa como um elogio até porque o senhor estava mais aflito que eu com a possibilidade de ter de fazer o parto!

Quando a fui buscar falei do assunto com a instrutora, que estava ainda abananada com o que tinha acontecido, mas as duas sem darmos parte de fraca para a Sardanolas não perceber. À noite, feita parva, ainda pensava no assunto... e como vi aquela série "The affair" fui três ou quarto vezes confirmar que a garota estava de facto a dormir.

Estas coisas fazem parte e ainda bem que acontecem sem mais consequências para além do susto que deixam nos adultos e eventualmente nas crianças, mas que não havia necessidade, não havia!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

"A" dica de life coaching. De nada.





Se este fosse um blog com ambições internacionais o título seria qualquer coisa como "How to get inspired in one step". E a resposta era rápida: ouvindo as histórias de pessoas inspiradoras. E de onde vem esta epifania nesta altura do campeonato? Será um misto de hormonas descontroladas misturadas com uma manhã muito bem passada na National Geographic Summit. Nunca pensei que viesse a ter uma oportunidade destas (é [só] a primeira vez em 130 anos que a NG escolhe Lisboa para fazer esta simeira o que é indicativo da frequência com que isto se irá repetir) e muito menos que viesse a estar a 4 metros de uma das pessoas que mais admiro. Não tenho ídolos, não tenho mesmo, mas se tivesse um seria a Jane Goodall que contou ontem como fez o percurso dela nos últimos 60 anos. Mal sabia eu que ia ficar presa e a babar com a comunicação da Jodi Cobb e com as fotografias que ando há anos a guardar num pastinha sem saber que eram dela. Também gostei muito de ouvir o Tristram Stuart mas nada que se chegue ao pé das outras senhoras.

O que mais gostei de perceber foi a importância que a educação que os pais (em particular as mães) deram teve no percurso destas pessoas que andam a mudar o mundo. A mãe da Jane Goodall não stressava quando a filha dela desaparecia durante horas para observar galinhas e ver como elas punham os ovos, ou quando a miúda levava minhocas para dormir na cama. Não as deixa ficar explicando que aquele não era o local ideal para elas estarem. A mãe da Jodi adoptou uma pergunta do filho de quatro anos como mantra familiar: "o que é que eu posso fazer que ainda não tenha feito?". Por conta disso, ainda a Jodi não tinha 14 anos e já tinha feito uma volta ao mundo.

Depois foi perceber que mesmo pessoas extraordinárias nem sempre são reconhecidas à primeira (eu sabia que ainda havia esperança!). Tanto uma quanto outra, tiveram bolsas NG negadas nas primeiras tentativas e entretanto tornam-se rosto dos seus programas de investigação.

Eu fiquei inspirada. A querer fazer coisas giras com a minha vida, mas acima de tudo, cheia de dicas para educar as minhas miúdas.

Amanhã isto passa... mas espero que não!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

E agora o que é que eu lhes digo?


Os meus (quase) 36 anos de vida ainda não me ensinaram muita coisa mas havia uma convicção (ou será resignação) que tinha: éramos pequeninos. Um país pequenino no canto da Europa. Há um certo conforto nisso. Não se espera muito de nós e felizmente o nosso passado é grande o suficiente para nos dar a sombra necessária para não nos sentirmos medíocres. Por isso, chegar a meio da tabela já era como se tivéssemos ganho e os segundos lugares e "quases" servem de consolo. Este cenário é tão confortável que o adoptei para mim (e é sem orgulho e com uma enorme vontade de mudar que o digo). Faço o suficiente por não desiludir e se isso me levar a algum lado já acho que é um bónus. Tudo batia certo no "país do conforto" quando, de um ano para o outro, tudo muda: temos o Guterres a ser eleito uma das figura mais importantes do planeta, temos a selecção a ganhar o Europeu, agora ganhámos a Eurovisão a que se soma o 36.º campeonato do meu Benfas que ao mesmo tempo também é Tetra. Tudo miragens até há meia dúzia de anos. O caraças é que agora, de repente, fico sem o argumento do "assim-assim", do "não deslumbra mas também não desilude", do "já não é mau". Sim, porque tenho um ser pensante em casa, a que em breve se somará outro, e como é que eu as convenço, a elas que ainda só conhecem um país vencedor, a tentar serem outra coisa que não as melhores e a acreditarem que têm boas chances para o serem? Como é que eu posso querer que elas trabalhem para isso (sim, porque tirando o milagre de Fátima, tudo o resto veio com muito trabalho) se eu não der o exemplo? Estou tão tramada... e tão orgulhosa e tão inspirada! Ainda é estranho levantar a cabeça e encher o peito por sabermos que somos bons mas acho que rapidamente me vou habituar. Ou, como diria um outro grande senhor da música, "eu só sei crescer" (a música preferida da mais velha).

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Pode ser que no sábado se dê o milagre!

A minha interpretação de amar pelos dois... ou como agora me faz sentido, pelas três

Eu bem queria ser aquela tipa a quem as coisas main stream passavam ao lado mas neste caso não dá! Ontem vi pela primeira vez, em mais de 25 anos, o festival da eurovisão e isso é digno de registo. E a "culpa" é dos manos Sobral! Gosto da música e só me irrita o facto de não a conseguir cantar e tão bem como quanto o Salvador (secretamente gostava de ser cantora)! Adorei ver a palhaçada dos outros concorrentes com fogo - mais um bocadinho e aquele palco ficava a parecer uma zona de mata durante o Verão em Portugal -, roupa reduzida, água, bailarinos e o raio que o parta mais o inglês partido, enquanto o nosso miúdo se apresentou quase sozinho, ou melhor dizendo, só com o essencial: a voz do caraças, um piano e violinos. Basicamente a cantar. Num festival em que é suposto fazê-lo apesar das manobras de diversão que já parecem vir nas regras.
Estou fã.

Só uma dúvida: desde quando é que a Austrália faz parte da Europa?

sábado, 6 de maio de 2017

Interrompe-se esta interrupção para dar conta do seguinte:



1. Sinto que pari uma casa;
2. Dentro do tema: a cria continua por parir (se tudo correr bem, por mais um pouco menos de meia dúzia de semanas);
4. Tenho um milhão de bandeirinhas vermelhas no mail... assim ao longe, parece que estou a jogar ao minesweeper;
3. Já deixámos a casa antiga e estamos na casa nova;
5. Já não vou ao ginásio há três semanas;
6. Em compensação, nunca fiz tantos agachamentos, levantamento de pesos, step, e treino de superiores como durante as últimas três semanas! Treinos bi-diários antes e depois do trabalho... espero voltar ao gym na próxima segunda-feira para ver se descanso;
7. Um dos inconvenientes de carregar caixotes aos sete meses de gravidez é o quanto a barriga atrapalha;
8. A vantagem de mudar de casa aos sete meses de gravidez é que não se aumenta de peso (eu... a bebé está crescidinha);
9. As limpezas domésticas, daquelas que são mesmo a fundo, que dão direito a limpar rodapés, interior de armários, filtros de exaustores, frisos de portas e afins, podem tornar-se uma espécie de performance do Cirque do Solei quando há um pequeno ser dentro de nós que não gosta de ser apertado quando nos dobramos... estou toda negra por dentro;
10. A cada ida a uma superfície médica da capital e arredores, só tenho mais vontade de fugir para Coimbra para que a miúda possa nascer num lugar um bocadinho mais simpático onde me digam outra coisa que não seja "não posso fazer nada" a cada mini obstáculo que aparece;
11. Mas dava-me tanto jeito tê-la perto de casa!... não me apetece nada voltar a arrumações de roupa;
12. Não só não tenho a certeza do local onde vou dar à luz como ainda não tenho nada pronto para o efeito;
13. Parte do meu cérebro já está feito em papas com as hormonas e eu ainda tenho pelo menos quatro semanas de trabalho pela frente e dava-me jeito que ele funcionasse;
14. Cereja no topo do bolo, estou naquela fase de dormir 4 a 5 horas por noite, quando na verdade queria dormir 14 ou 15;
15. Neste momento pareço-me com um homem das cavernas com um vício em cerveja: barriga proeminente, pêlos por todo o lado, aos mãos a parecerem-se com cascos e os pés a fazerem inveja às lixas das rebarbadoras;
16. A mais velha alterna entre o doce e o amargo a cada cinco minutos mas está numa das fases mais incríveis de sempre;
17. O meu homem depois das mudanças entrou em coma e procura transplante de costas porque nem na tropa levou tanta "porradinha" como durante estes tempos (vivíamos no equivalente a um terceiro andar sem elevador e foi ele que carregou a esmagadora maioria dos caixotes, para não dizer todos porque eu ainda levei uns quantos... com almofadas e coisas do género);
18. Há alturas em que penso que queria mesmo que a garota nascesse agora para ter de abrandar;

Agora, se não se importam, vou continuar em negação e, apesar de tudo, a curtir esta fase de mudanças!

segunda-feira, 6 de março de 2017

O mundo em versão WWE


Por aqui ainda não se falou do Trump porque estamos em negação, porque não gostamos de dramas/comédias fáceis, porque é assustador, porque parece que estamos a assistir a um mega-acidente em câmara lenta e tendemos a desviar o olhar nessas situações... Mas temos quase quatro anos para ir dando conta dos devaneios do senhor cor-de-laranja.

quinta-feira, 2 de março de 2017

2026 é agora...


Agora que a barriga já está assumida já dá para escrever sem ser por meias palavras e por meias ideias o que vai dentro da caixa de pirolitos que tenho em cima dos ombros. Para além da novidade que é uma segunda gravidez, o que verdadeiramente me tem alugado os pensamentos e a paciência é o facto de ter uma filha adolescente. Sim, tem três anos e meio e entrou na adolescência! Li algures a expressão "threeagers" e aplica-se que nem uma luva! O que é que lhe aconteceu?! Agora deu para ser do contra, passar da felicidade extrema ao choro à mínima contrariedade, sai de rompante das divisões, fecha-se no quarto a fazer queixa de nós aos bonecos e acaba sempre a dizer que somos feios e que não vamos à festa dela (deve ser a de aniversário... mas ainda estamos a tentar perceber). Há dias que sim senhora, consigo respirar fundo, dar-lhe o espaço que precisa, peço-lhe para me explicar o porquê de estar triste/chateada/zangada, faço-a rir ou dou-lhe um abraço consoante me parece mais adequado... mas há dias em que leva com dois berros e 10 minutos de castigo para garantir que não faço um estrago pior.
Tendo em conta a minha formação juidaico-cristã a única dúvida que tenho tem que ver com a natureza da culpa que devo carregar: será que já a estraguei ou que a estou a estragar?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Mu-Dança



Olá, o meu nome é Gulhim Maria e tenho aversão a mudar de casa.

Bem sei que há pessoas que fazem da mudança de casa um desporto mas eu não sou essa pessoa. Não gosto: não gosto de esvaziar a casa e descobrir que tenho muito mais tralha do que imaginava, não gosto das limpezas finais, não gosto da limpezas iniciais, não gosto das empresas de mudanças, não gosto dos fins de contratos e não gosto dos inícios de contratos, de ficar dias sem água, gás e luz. Mas vou ter de passar por tudo isso nos próximos tempos. Vou fazer por mudar de ideias e por ver o lado bom da coisa. Mas vou contrariada... mas o que me está a aborrecer, verdadeiramente... é perder esta vista.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Já sabemos quem lá vem... e aceitam-se mensagens de solidariedade... para o Pai!


Pois que temos a caminho... uma menina! O único argumento a favor de um rapaz que o meu homem tinha era o de não ser o único a não ter razão cá em casa, assim, se houvesse um rapaz, os dois podiam não ter razão (fosse qual fosse o assunto) e ser solidários nessa dor. Pois temos pena. Vai continuar a não ter razão sozinho... é que nem a cadela abdica de refilar quando acha que está certa! Depois lembrou-se dos mimos infinitos que a Sardanisca lhe dá, das horas de festinhas na barba, das massagens e dos beijinhos que aparecem do nada e pensou que, sim senhora, não era um mau negócio a troca da razão pelo mimo a dobrar.

A mais velha (eh eh... já posso dizer isto!) já a lhe deu um nome e nós gostámos e por isso fica! Agora é ir desfrutando!