segunda-feira, 20 de junho de 2016

Sou uma mulher mudada... aliás, se mudo mais viro homem!


Nada como estar com o rabinho apertado para começar a considerar mudanças mais drásticas na procura da normalidade. (Parece um contra-senso: mudar para voltar a sentir-me normal.) Nos primeiros tempos, depois de ter recebido os resultados das primeiras análises e de ter percebido que havia um problema autoimune associado a processos inflamatórios, comecei a ler tudo o que me aparecia pela frente. Logo nas primeiras leituras percebi que havia alguma consistência de opiniões no que respeita ao pontencial inflamatório de alguns alimentos. Avançando na pesquisa dei conta de que os lacticínios eram os grandes vilões desta história. A minha irmã, que adora um bom desafio e por isso assumiu esta empreitada como dela, disse-me o mesmo. Mais, que tinha uma amiga com AR que tinha banido os derivados do leite da dieta e que se sentia melhor assim. Eu torci o nariz. Relembro que era à minha conta que a indústria do leite sobrevivia em Portugal. Eu sou/era a gaja que vivia feliz e contente se no mundo só existisse leite, queijo, manteiga, iogurtes e tudo do que daí pudesse ser feito. Confesso que demorei até ter coragem para fazer a experiência de cortar com o que era mais querido... é que não era só o queijo e os iogurtes... os gelados, o chocolate... O CHOCOLATE!!! eu, que era menina para comer uma tablete de 200g como quem bebe um copo de água... Foi só quando o meu corpo deu o tilt (lá para Abril) que no desespero cortei com tudo que não fosse comida a sério. Acho que houve dias que rosnei e outros em que mordi. Enquanto eu ressacava pelas minhas tostas de queijo e pelas minhas torradas a pingar de manteiga, o meu homem ferrava o dente em tudo que era coisa boa. Mas resisti e as dores e as inflamações das mãos e dos pés foram desaparecendo. Não foi de um momento para o outro mas, na última consulta de reumatologia, nas vésperas do meu 35º aniversário, o médico achou que podíamos aliviar a medicação e, os comprimidos mais hard-core, ficaram só para SOS. Apesar do reumatologista ter dito que podia fazer alterações na dieta mas que isso podia não fazer grande diferença, o gastrenterologista disse que era capaz de ser boa ideia e que podia ajudar a resolver um outro problema que entretanto tinha surgido (não há forma bonita de dizer isto: diarreia aguda que durou mês e meio. Não é simpático) Tenho-me aguentado. Tenho umas dorezitas mas nada de outro mundo e tenho aproveitado para fazer experiências com a comida. Até ver os resultados não têm sido brilhantes. Se meto a pata na poça já sei que as vou pagar. Já entrei no mundo dos iogurtes e queijo sem lactose mas não resulta. Tenho andado a matar o bicho que coisinhas boas com fruta, mel, sementinhas, aveia, tef, quinoa, tapioca e tudo que possa absorver ou ter algum docinho. Não é a mesma coisa. Um bocadinho de mim morre quando passo por um frasco de Hagen Daz ou Ben 'n' Jerry's ou vejo aquela cor roxa e a vaquinha dos Milka mas é a vida. Há coisas piores... não mexer as mãozinhas é pior. Ter o estômago feito um passador à conta dos anti-inflamatórios é pior. Haja comida a sério, mel e manteiga de amendoim e a coisa resolve-se!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Programa de fim de semana: "mais uma corrida, mais uma viagem"



Vocês os cinco que ainda por aqui passam (sim, porque a esta altura já houve duas almas que desistiram de acreditar que este pasquim virtual iria melhorar...) se não têm planos para este fim-de-semana, nada temam, eu tenho a solução!!
Este fim-de-semana vai estar sol e tempo ameno. Já ninguém tem pachorra para as horas intermináveis para a sucursal inglesa que se situa no Sul do país, por isso a solução é dar um pulo à Nazaré, comer um peixinho, dar um mergulho e, ao fim do dia, ir apoiar os maluquinhos que vão estar a participar na Corrida da Nazaré! Acreditem que é um ambiente único e uma prova fantástica. Eu lá estarei, à frente da ambulância e das motas da polícia a garantir que fico em último e à espera de ouvir as palminhas e os gritos de "tu consegues!". Quem se junta a mim?
Ah... ali no filme é mesmo esta vossa escriba que aparece... o ar de enjoadinha foi agravado por estar de facto cheia de comprimidos no bucho que me davam aquele ar meio esverdeado e a penca vermelha é mesmo do frio. Agora já estou melhor, já só tenho ar de tótó!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

"Correr com ela"... nos dois sentidos da expressão


Nota prévia: este é um posto transmitido em simultâneo (qual cadeia de canais de televisão) para este estaminé e para a minha outra casa. É que isto anda escasso de inspiração.

Hoje em dia quando acabo uma prova de corrida dou por mim a dizer "Cris: 1 - AR: 0" e dou a mim mesma um high five mental. Admito que isto roça o esquisito mas dá-me mais gozo superar estes desafios porque, apesar de ainda não estar a conseguir chegar aos meus melhores tempos e distâncias e apesar de não estar a evoluir (no sentido de estar a fazer melhores performances), a verdade é que sempre que ultrapasso a meta não faço sozinha. Sou eu e a AR... que às vezes é um emplastro chato de carregar. E, invariavelmente, sou levada para a primeira consulta de reumatologia quando as duas coisas que eu não queria que acontecessem se confirmaram: alguém dizer-me que os sintomas eram o resultado de alguma coisa real e que teria de deixar de fazer exercício, ou que pelo menos não o podia continuar com o ritmo que estava. Em relação à primeira novidade, não havia grande coisa a fazer, já no que diz respeito à segunda, a solução era fácil: mudar de médico e continuar a mudar até encontrar um que me dissesse "continue a fazer o que a faz sentir bem". Felizmente foi à segunda e não precisei de ouvir mais nada para me sentir poderosa! É claro que há dias que tenho de pedir licença ao corpo para sair da cama, há dias em que faço dois quilómetros e apetece-me estender do chão e pedir a alguém que me carregue e há dias em que acabo fresca e fôfa 10k e, a parte boa, é que esses começam a acontecer com mais frequência. Acho que já vou sabendo como me defender e minimizar os sintomas e estou a arranjar forma de levar a minha vidinha quase que a fingir que não se passa nada comigo. Dá trabalho e implicou (implica) algumas mudanças, principalmente na alimentação e na gestão do stress, mas parece que estou a conseguir encontrar o equilíbrio.
A verdade é que nunca me soube tão bem acabar as provas como agora.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Falhas de comunicção



Parece que as coisas já se estão a encaminhar e começa tudo a entrar novamente nos eixos e agora, que vou olhando para trás, vejo muitas coisas que têm o seu lado cómico. Uma das coisas que eu aprendi no meio desta trapalhada toda: só convém dar más notícias sobre a nossa saúde quando estivermos preparadas para animar o destinatário da mensagem. Dei por mim a dar a novidade sobre a AR a algumas pessoas para logo depois dizer "mas está tudo bem! eu estou bem! não fiques preocupado!". Isto por si só, é o que é, nada de especial, mas depois leva a outra situação caricata, que é as pessoas pensarem que afinal não temos nada! Passam por nós passado uma semana e perguntam: "está tudo bem?" e uma pessoa lá ensaia uma resposta que não seja mentira mas que não seja desanimadora - "já sabe não é, isto agora tem que ser ir acompanhando, não passa assim do dia para a noite...". Do outro lado chega-nos um "ainda bem que já está boa!". A versão da família mais próxima é semelhante, mas roça mais a negação:
- então, estás melhor?
- oh... mais ou menos na mesma...
- ainda bem! o que é preciso é melhorares.

A maior parte das vezes sorrio e deixo a conversa por aí... acho que não é preciso ir por caminhos por onde a maioria das pessoas não gosta de andar... e com razão.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Mudando de tema...


Gente com cães grande e com ar ameaçador: PONHAM-LHES UMA TRELA!! A sério! Não custa nada e evita sarilhos! É que uma pessoa quer passear e está sempre com o coração nas mãos! E o argumento do "não morde" é fraquinho! Se nem eu posso garantir que EU não mordo, como é que vou assegurar que um animal não o vai fazer?!!? Das coisas que mais gosto é pegar na Sardanisca e na Manga e ir passear para a beira rio (porque se cansam as duas e depois tenho um fim de dia mais descansado) e não o posso fazer porque já perdi a conta às vezes em que tenho de pegar nas duas e ir de marcha atrás até ao carro enquanto tento enxotar o cão de algum dono que está a ver o espetáculo e não faz nada! A sério?!? P'ró car#@?inho com eles!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A mãe tem sempre razão!... Raios!!!



Tenho tido que aprender a aceitar várias coisas nestes últimos tempos. A mais complicada de todas? A minha mãe tem razão. Sou uma pessoa impaciente! Eu até achava que não mas sou. Quanto finalmente resolvi marcar uma consulta para ver o que tinha, achava que ia ser igual a todas as outras até aqui. Entrava no consultório, auscultavam-me, abria a boca para me verem as goelas, diziam que tinha X ou Y, receitavam-me qualquer coisa por sete dias, despachavam-me para casa e adeus e até ao meu regresso. Mas não. Há que fazer análises, voltar ao médico e mostrar as análises, ir à farmácia aviar as receitas. Daí a um mês voltar às salas de espera, às agulhas, às incertezas e a novos sintomas. E uma ida ocasional às urgências porque às tantas aparece outra coisa que aproveitou a porta de entrada aberta. Esta "perda de tempo" tira-me do sério! Perde-se uma vida à espera e outra vida em ansiedade. Eu sei que sou uma sortuda e privilegiada por não ser nada de muito complicado e por até estar a responder como deve ser à medicação. Aliás, isto tudo leva-me a fazer vénias de respect a quem anda nesta vida há mais tempo e com sintomas bem mais chatos! A sério! Eu com uma amostra de maleita, já tenho dias que me apetece deitar no chão em posição fetal até que tudo passe! Mas ainda assim, ainda me custa a aceitar que não fique tudo resolvido à primeira... ou à segunda, vá! Já percebi que as coisas levam tempo e não se resolvem do dia para a noite, agora só preciso de dizer isso à minha cabeça. Parece que foram precisos 35 anos para aprender o que a maioria das pessoas já sabe... O que vale é que os trinta são ou novos 20 se não estava tramada!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Homenagem a um santo: o meu Homem



Uma gaja já é um bicho complicado! Uma gaja com uma cena chata faz com que alguém que a entenda seja merecedor de um Nobel da Paz! A sério! Alguém que consiga compreender e agradar a uma mulher com problemas de saúde devia ter lugar nas Nações Unidas. Vejamos: 
- é claro que queremos que encorajamento - "vá, tens de ser forte!" - mas não queremos passar por fracas - "forte?!?! mas tu achas que eu já não estou a ser forte?!?!". 
- queremos que nos mostrem alternativas e nos dêem sugestões - "porque é que não mudas a tua alimentação para uma base vegetal" - mas também queremos que reconheçam os nossos esforços -"mas tu não achas que eu já tenho privações a mais?!?! até já deixei os Milkas!". 
- queremos que percebam que o nosso rendimento não é o mesmo e que podemos ficar cansadas mais cedo - "deixa estar que eu levo a miúda às cavalitas, escusas de estar a levá-la ao colo" - mas não queremos passar por incapazes - "até parece que estou inválida! eu consigo! deixa-me estar!".

Haja pachorra!
(Obrigada Homem!)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Então vamos lá ressuscitar a coisa mas antes disso, algumas notas prévias:



1. se isto de vez em quando parar é porque estou de molho com dores/olho inflamado/fluídos a sair de mim em quantidades indesejadas/mini deprê que passa ao fim alguns dias (riscar o que não interessa... tudo, portanto);

2. é possível que, de tempos a tempos, venha a ser um pouco escatológica... eu aviso no título quando for assim;

3. vamos assumir que eu sou dramática e caguinchas e por isso tudo o que escrevo será exagerado e fruto de um infância cheia de mimos;

4. nada do que me está a chatear agora é minimamente comparável com o que outras pessoas têm pela frente;

5. escrever e gozar com a minha actual condição e, eventualmente dizer o que estou a experimentar para tentar ficar bem, é a minha maneira de arrebitar. Tenham lá paciência, sim!

Obrigada a vocês os sete que disseram que sim senhora, era para continuar e escrever sobre coisas chatas!

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Escrever ou não escrever. Eis a questão



"I was to sick to work regular hours and so I took a leave of absence to take my new full-time job: healing."

Foi ao ler esta frase de um livro que a minha irmã me emprestou (UnDiet da Meghn Telpner), depois da quarta ou quinta complicação relacionada com a AR e/ou com o tratamento, que a ficha caiu: se quero ficar boa, ou operacional, vou ter de levar isto um bocado mais a sério e vou ter de agarrar as rédeas da coisa (há muitos médicos ao barulho e tenho de ser eu a fazer a gestão da informação, caso contrário ninguém se entende). Isto tudo, para dizer que a menos que este vire um healthness ou healing blogue (existem essas categorias?) o que por aqui se vai ler pode ser um bocado chato e eventualmente pesado, porque não tenho muito mais sobre o que escrever... agora o meu foco é perceber o que tenho de continuar a fazer e o que tenho de mudar para continuar a aproveitar a vidinha. Quero continuar a correr (e ainda não parei), quero passear e viajar muito, quero namorar muito e continuar a construir a minha família, como até aqui! Continuo a conseguir rir de tudo, até das minhas idas constantes à casa-de-banho (não digo para fazer o quê) que batem qualquer tratamento detox que possa existir, e que não fosse estar para o inchada me dariam uma silhueta de fazer inveja! Mas há dias em que me apetece despejar a caixinha dos comprimidos pela sanita abaixo e ver se as coisas voltam ao que eram e na realidade, as últimas semanas têm sido assim.

Com'é que é, estamos numa de ler sobre comida saudável (escrevo isto enquanto penso num croissant folhado, com manteiga e queijo... se houver por aí alguma alma que se possa afiambrar a um, que o faça por favor enquanto pensa em mim), estratégias para manter a cabeça controladinha e não pensar já no testamento (e o meu homem que tire o cavalinho da sombra porque não lhe vou dizer para ser muito feliz com um pindérica qualquer, se eu me finar (o que é claramente um exagero mas às vezes a cabeça foge para esses lados) que fique solteiro que eu não sou cá de partilhas) em tratamentos alternativos, em corrida ou em dias de merda? Ou remeto este estaminé para um buraco ainda mais negro do que aquele por onde anda agora?

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Tradições familiares



Reza a lenda que um dos meus tios dormiu com um chapéu de palha. Não deixou que ninguém lho tirasse, tal era a paixão! A minha irmã também dormiu agarrada a um queijo da serra, que é uma coisa fofinha e cheirosa. Chegou a vez da minha filha. O outro dia dormiu agarrada a uns sapatos que adora e ontem foi ao tubo da pasta de dentes. Moral da história: eu que não percebia muito bem porque raio não tiraram o chapéu de palha e o queijo da serra às criaturas hoje em dia fico caladinha que nem um rato! À hora da cachopa dormir vale tudo! Se isso implica dormir agarrada ao tubo da pasta de dentes, so be it!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Nasceu o meu mai'novo!!




Tenho andado mais desaparecida que um urso no Inverno, mas há uma boa razão! A verdade, é que nos últimos tempo, eu e a minha irmã, temos andado a congeminar um plano que viu hoje de manhã a luz do dia. Basicamente, resolvemos embarcar numa aventura e correr uma maratona! Mas não ficámos por aqui e montámos todo um site à volta disso. O que é que isto quer dizer. Bom, por um lado, vão levar menos com a charopada das corridas aqui. Por outro lado, tem um novo cantinho, e bem catita por sinal, para visitar na blogosfera. O nosso site chama-se "Runs in the family" e não fala só de corrida. Ide espreitar e depois digam de vossa justiça!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Ainda não foi desta que me finei virtualmente





Eis-me de volta. Com um olho ao peito (salvo seja) mas de volta. A verdade é que estive em desintoxicação forçada de monitores durante os últimos dias. Pelos vistos a AR (artrite reumatoide) para além das articulações também acha piada a olhos e volta e meia, pimba, faz-me dar uma de Camões com direito a pala e tudo. A sensação é semelhante a ter o Pac Man (o bonequinho amarelo, não o Carlão... se fosse o Carlão acho que não me chateava tanto) dentro olho a comê-lo por dentro. Assim, uma coisa agradável. Por fora parece só que tenho uma grande conjuntivite. É mais uma coisa que tenho de manter viagiada e mais uma coisa com que tenho de aprender a viver. Aguentem-se por aí mais um bocadinho até eu perceber como é que se gere esta história de ter uma amiga para a vida que não escolhemos!

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Oslo em três dias





Diz que fui a Oslo há umas semanas, mas provas disso, nada! Mas fui e tirei apontamentos para partilhar com vocês os três que ainda não desistiram de mim apesar dos sumiços (que têm razão de ser, a já conhecida AR e uma outra que verá a luz do dia, não tarda!).

Antes de mais o lema que norteia as nossas viagens: no-time & no-money para não me dizerem que vieram ao engano. Outra coisa importante: aparentemente nem em Lisboa nem na Noruega existem guias da American Express de Oslo, por isso a melhor alternativa é irem ao site Visit Oslo porque está lá a informação toda que é preciso.

Imaginemos então que temos três dias para passear por Oslo, um budget limitado e não temos medo de andar a pé nem de transportes públicos e vamos a isto:

Onde ficar
Karl Johans Gate. É talvez a rua mais central que permite chegar a todo o lado muito facilmente porque está a 10 minutos a pé da estação central (de comboios e autocarros), a outros tantos do palácio, a menos ainda de um passeio porreiro junto à água, tem um parque/jardim mesmo ao meio, ao longo dos dois quilómetros por onde se estende estão alguns dos monumentos mais interessantes da cidade e ainda, está a cinco minutos dos 3453 museus dos 908903845938 museus que a cidade tem. Para além do mais, há hotéis para todos os gostos e feitios (entenda-se preços) nessa rua ou nas adjacentes. Encontram-se também muitos restaurantes daqueles que há em todas as terras deste nosso mundo globalizado e provavelmente também dos outros, mas eu para esses não olhei. Como já é tradição para nós, comemos essencialmente do supermercado.



Mas vamos lá à ramboia!

Dia 1
No primeiro dia acho que o mais interessante é andar a pé. E a partir da Karl Johans o trajecto mais engraçado passa por subir ao palácio (que só dá para visitar no Verão porque no resto do ano está lá a viver a família real) e passear no parque (Slottsparken). Depois dessa voltinha dá para descer para junto da linha de água e aí, em chegando à praça central (Sentrum), estão já junto ao porto e há várias opções: o Nobel Peace Center e o edifício da Câmara Municipal (Radhuset). Se entretanto já viram tudo podem escolher ir para Este ou Oeste com garantia de entretenimento. A Oeste a paisagem vale por si mas há outras atracções: jardinzinhos, o museu de arte moderna (Astrup Fearnley Museet), bancas de comida e praias. Uma espécie de Parque das Nações! Eu fiz este percurso a correr e até me esqueci que estava meio congelada. Dando meia volta, e voltando a passar pelo Sentrum a coisa muda um bocadinho de figura. Mesmo juntinho à água está a fortaleza e o castelo (Akershus). É entrar à confiança porque não se paga e as vistas são boas. Dá para ver a cidade para norte (até ao Holmenkollen) e as ilhas que ficam mesmo junto à cidade. Continuem a andar por aí fora até passarem pelo o museu militar e é continuar até chegar ao edifício da Ópera e Ballet. Chegando lá vale a pena entrar, descansar, aquecer e desfrutar da arquitectura. Saindo do edifício e indo em direcção ao Hotel há ainda muitos pontos de interesse: a Catedral de Oslo e o Edifício do Parlamento. Em chegando ao hotel encham a banheira e deixem-se ficar de molho durante duas horas porque nesta altura do campeonato já têm mais de uma dúzia de quilómetros nas pernas.








Dia 2
Como o dia anterior foi dureza este é de descanso. Antes de mais, comprem o passe de um dia que, por menos de €10, vos permite andar em todos os transportes públicos (ferries, autocarros e metro). Depois voltem ao porto e escolham um Ferry e podem dar uma voltinha de uma hora pelas quatro ilhas que estão junto da cidade. Convém esclarecer que estes ferries servem para transportar pessoas e não para passeios turísticos. Há desses, mas como são três vezes mais caros, esta opção pareceu-nos a ideal. As ilhas não são muito diferentes entre si e vale a pena sair para visitar se estiverem numa de passear pelo campo e cheirar as flores. No dia em que fomos estavam zero graus e chovia. Optámos por ficar no quentinho.
Próxima corrida, próxima viagem de transportes públicos: ida de autocarro até ao Norwegian Folk Museum (€12). Basicamente, este espaço consiste num parque ao ar livre onde se pode ver a evolução das casas típicas da Noruega, desde a Idade Média até à actualidade. É engraçado se levarem os miúdos caso contrário é só uma espécie de Portugal dos Pequenitos para gente grande. Mesmo ao ladinho está o Museu Viking onde se podem ver três barcos vikings que são realmente impressionantes! Depois de tudo visto, ainda deve dar tempo para ir de metro/comboio até ao Holmenkollen Ski Museum & Tower. O passeio de comboio é giro porque dá para ter uma ideia da zona mais interior de Oslo que é bem gira e a chegada à torre e à pista de saltos também vale muito a pena por vários motivos: a vista sobre a cidade é incrível, o espaço do parque é supertranquilo e a zona da pista é majestosa! Nunca tinha estado perto de nada semelhante e o pessoal dos saltos de ski ganhou uma nova admiradora. Haja tim-tins para enfrentar aquele monstro. Já chega de passeio e é hora para um banho quente!










Dia 3
Voltamos a pôr os sapatos de caminhada e a encher o peito de ar. Não sei se o engano foi nosso, mas no caminho para o Jardim Botânico passámos por uma zona hardcore (a única?) e achei mesmo que ia ver os meus rins de perto. A coisa passou e chegámos inteiros. Uma vez lá, é aproveitar para ver o Museu de História Natural. Se gostam de viver perigosamente é uma opção. Depois subimos, passando pela Igreja de S. Edmundo, pela zona medieval e pelos cemitérios que são lindíssimos (Æreslunden), até chegarmos à Gamle Aker kirke. Chegando à Igreja é tudo muito tranquilo e vale a pena descansar um bocadinho. Se ainda têm coragem, é avançar até à Vigeland Sculpture Park e ver algumas das milhares de estátuas que há pela cidade, mas desta vez concentradas num único espaço. Voltando à zona central podem ainda ver o Museu de História fazer uma voltinha de reconhecimento pela Universidade (que tem os seus recantos e, incluindo a sala onde se fez a entrega dos prémios Nobel até à década de 60). Ficou pouco por ver, por isso aproveitem e vão até um cafézinho (há uma pastelaria mesmo a meio da Karl Johanson que dá para um centro comercial que vale a pena) e revejam as fotografias!



E assim está feita mais uma visita relâmpago. Agora é esperar pelo filminho.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Utopia, utopia é acreditar que a minha cria é capaz de estar quieta

Adorei as preguiças!!

A Sardanisca foi ao cinema pela primeira vez na Páscoa. Sabíamos que a coisa não ía ser pacífica e por isso não tínhamos grandes expectativas porque a miúda não pára quieta um segundo, literalmente (e eu não uso a palavra literalmente em vão). Fomos ver o Zootopia na sessão da manhã e comecei logo a ver o caso mal parado quando, ao fim de 20 minutos no escurinho do cinema, ainda estávamos a gramar com reclames, anúncios e publicidade. Quando o filme começou saquei da minha arma secreta: um saquinho de chips de fruta. Geri a coisa com muita parcimónia dando bocadinho a bocadinho as maçãs secas que caiam no alçapão sem fundo que é a minha filha. Despachámos a coisa (pois, porque eu e o homem também comemos) mais rápido do que eu estava à espera e quando a cachopa pôs a mão no saco e já não havia nada disse-me "mamã, quero ir para casa". Todo um filme de animação a dar e ela diz-me que quer ir para casa. Lá vou eu à carteira buscar uma garrafinha de água para a entreter, mais umas bolachitas que tínhamos feito em casa mas nada a convencia a ficar. Escusado será dizer que no intervalo viemos embora e eu fiquei sem saber se a agente Judy Hopps encontrou ou não o Mr. Otterton... isso é que me chateia verdadeiramente! Isso e ainda não ter descoberto uma coisa que faça o raio da miúda ficar quieta!

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Agora sem braços


Há uma moda que me intriga. Pelos vistos é fashion andar com o casaco pendurado nos ombros mas sem as mangas vestidas. Tipo cabide, portanto. A mim faz-me confusão. Esteticamente não me parece que acrescente muito, aliás, faz-me sempre pensar se a pessoa terá os dois braços de saúde ou se por ventura terá deslocado um ombro e por isso se fique pela meia vestimenta. Ao nível prático parece-me ainda mais descabido. Talvez eu tenha os ombros muito descaídos (se bem que anos de natação e pólo aquático apontem para a direcção contrária do fenómeno), talvez seja muito trapalhona, talvez ande vezes de mais na modalidade burra de carga, mas a verdade é que um casaco pelos ombros aguentava-se em mim cerca de 35 segundos, findo esse tempo iria parar ao meio do chão. Isto já para não falar da incompatibilidade de haver peças penduradas/ cria para pegar ao colo / dar de comer / descolar do chão em caso de birra.
Tantas questões se me levantam: haverá cursos para se dominar a arte do coat slinging? há alguma explicação para o fenómeno que me esteja a escapar? ou é só a minha iliteracia do mundo da moda a vir ao de cima? adeptos ou adeptas por esses lados, há?

terça-feira, 5 de abril de 2016

Spanglish...


Sabes que estás enferrujada nesta coisa de viajar e falar outras línguas quando a recepcionista do hotel te diz onde estão os guias da cidade e, perante a tua resposta dada com a eloquência e pronúncia de quem andou nos shots de goldstrike, te diz que também têm uma versão em Espanhol... portanto, a minha pronúncia estava semelhante à de um espanhol... Em minha defesa estive calada mais de 12h e acho que teria dificuldade até em dizer o meu nome em condições. Ao fim do dia já estava reposta a normalidade.

domingo, 3 de abril de 2016

Museu #3 - Museu Nacional de Machado de Castro








A entrada no quarto mês do ano (WHAAAAT?!?!?) faz-se com o relato da visita ao terceiro museu. Estamos bem, portanto. Quando chegarmos ao 13º mês as contas deverão bater certo. E qual foi o feliz contemplado? Museu Machado de Castro. Estava pela minha terrinha e achei que tinha que acabar com a pouca vergonha de ainda não ter ido conhecer um dos Museus mais antigos e reconhecidos de Portugal.

Só tinha ido ao Machado de Castro no oitavo ou nono ano com as minhas amigas quando tirámos um dia para ser cólturais e só me lembrava vagamente da zona do criptopórtico e de um guarda creepy que por lá andava. Tenho a certeza que desta vez as memórias não me vão fugir assim tão depressa!

Para quem não sabe, o Museu fica na Alta de Coimbra, no coração do pólo universitário, entre a Sé Nova e a Sé Velha. Diria a minha mãe que está “no centro do meio”. A passagem pelo portão dá logo para ficar com uma ideia do que nos espera: um museu com história mas renovado com bom gosto, conteúdo e classe. Se tivesse que fazer uma analogia diria que o Museu é uma espécie de cebola histórica (estou on fire!) em que o próprio edifício participa. O percurso expositivo está muito bem orientado e começa no criptopórtico que é impressionante. Um labirinto de túneis da Aeminium (o nome dado a Coimbra pelos romanos), com marcas mais recentes (da época medieval) e focos de luz que nos dão conta da direcção dos níveis mais recentes. “Lá em cima” temos peças de arte sacra, pintura, escultura, joalharia e cerâmica da época medieval, moderna e contemporânea. Confesso que não conseguimos ver tudo apesar do museu mais do que merecer uma visita completa e calma mas com a garota, mais de duas horas de museu é muito. Muitas das peças são fantásticas, que nos fazem parar e dar conta de cada detalhe mas, para mim, é o altar reconstruído o que mais impressiona e merece uma paragem demorada. Desmontaram uma igreja da rua da Sofia, peça por peça, e remontaram-na no interior do edifício do Museu e o resultado é uma explosão de grandiosidade. E não é a única intromissão arquitectónica, se assim lhe quisermos chamar. Lá pelo meio ainda encontramos os claustros da antiga igreja de Almedina, muros, arcadas e pórticos que fazem do edifício uma manta de retalhos fascinante. Como bonús ainda há a cafetaria do Museu que terá uma das melhores vistas sobre a cidade.

Apesar disso, e eu sei que sou uma chata, a informação é curta. Fazem falta legendas mais completas, textos que contextualizem o visitante, principalmente na zona do criptopórtico, caso contrário ficamos pela vertente estética da coisa, que é uma dimensão incrível, mas há mais que isso! Caso vão, é sacar informação antes de enfrentar os quatro andares de espólio. Se levam garotos encham-se de paciência, vejam só metade (ou um terço), ponham o brinquedo, tablet, a vossa “arma” de eleição e vão na fé de que vai correr tudo bem!

Atenção por causa do estacionamento: se não houver nenhuma festividade a acontecer, e aí até à hora de almoço não deve ser difícil estacionar por perto, depois disso pode ter que se procurar.

Conclusão: é ir à confiança mas com. É de ir!

(Curiosidade: segundo nos disseram, no museu não há peças do Machado de Castro)

terça-feira, 29 de março de 2016

quinta-feira, 24 de março de 2016

Gestão de tempo para tótós como eu



Bem sei que há um certo charme em se dizer que se é uma pessoa muito ocupada, que o dia devia ter 48h e outras coisas do género. Há dias que sim senhor, nem que fizéssemos uma directa conseguíamos dar conta do recado mas há outros que é só má organização. Comigo as coisas funcionam de forma estranha: quanto mais tempo livre tenho menos faço. Quanto tenho mil coisas para fazer, consigo encaixá-las e fazer tudo. Aparentemente a resposta para este fenómeno está mesmo à frente dos olhos. Quando temos muitas tarefas olhamos com maior detalhe para o tempo que temos e preenchemo-lo como se fosse um jogo de tétris: "sobram 15 minutos ali então nesse tempo posso fazer X", "antes de dormir posso dedicar 20 minutos a Y e ainda me sobram 7h40min de sono". Quando o dia está livre (ou mais livre) vamos empurrando com a barriga aquilo que temos para fazer e às tantas é de noite e não fizemos nada!! Para me organizar de modo a garantir que vou dormir com trabalho feito tenho que recorrer ao "time blocking". O princípio da coisa é simples mas confesso que a primeira vez que li sobre o assunto, talvez há uns dois anos, achei parvo e um bocado redutor hoje em dia estou rendida (não quer dizer que consiga sempre cumprir... para isso era preciso voltar a nascer sem ser preguiçosa). Mas então o que é o time blocking? Consiste em olhar para o dia como tendo 24h (uuhhh!! que novidade!!) e preencher essas 24h com tudo o que se tem para fazer nesse dia. Mas tudo mesmo... Assim como na imagem:



Pode parecer que se retira a espontaneidade toda ao dia, e em certa medida é verdade, mas também é verdade há sempre imprevistos e por isso nada nos garante que por muito planeado que esteja o dia que o consigamos cumprir como queremos. Ainda assim, ajuda-me a perceber a relação entre o tempo que tenho e as tarefas que tenho e que são diferentes todos os dias. Às vezes o jantar já está preparado e o que tenho para fazer é tratar da roupa. Às vezes, e apesar de combinarmos que de manhã quem trata da cachopa é o Homem, podemos ter de trocar... ou seja, porque muito que tentemos manter rotinas a margem para imprevistos é gigante.
Em traços gerais é isto que me ajuda, mas há mil e um artigos a explicar isto, a acrescentar a esta visão mais simplista uma lógica de prioridades e há mil e uma apps para fazer a gestão dos dias (eu uso o calendar do computador porque está sincronizado com o telemóvel e torna as coisas mais simples)... o que passa é a haver menos desculpas... para isso é que eu ainda não encontrei solução ou aplicações...