quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Dos pecados que fazem doer!






Começo a perceber as novas reacções do meu corpo o que, confesso, me dá alguma pica! Parece que estou a jogar a um jogo a questão é que quando perco a consequência é ficar a parecer um trombolho! Mas do início: desde Maio que cortei os lacticínios, reduzi drasticamente o glúten (o meu pecado maior era o pão, mas sobrando pouco para lhe pôr dentro deixa de fazer grande sentido incluir nas doses gigantescas em que o comia...) e o açúcar (especialmente o refinado), evito ao máximo comprar alimentos processados (que é como quem diz, alimentos empacotados) e aumentei consideravelmente o consumo de frutas e vegetais. Ou dito de outra maneira: a minha alimentação virou uma espécie de virgem ofendida (mas de vez em quando lá lhe dá para a malandrice porque ninguém é de ferro). Tudo corria bem até que, este domingo, o meu Pai veio almoçar cá a casa acompanhado pela sua Cara Metade, por uma mousse e um bolo. Ora, dizem as regras que não se deve fazer a desfeita às visitas e, por isso, lá comi as sobremesas que estavam de fazer chorar de tão boas! O problema foi o dia seguinte. Não era só o peso na consciência, a celulite nas ancas, o pneu na barriga! Como se uma gaja já não tivesse o suficiente com que se preocupar, agora, graças à AR, os meus pecados vêm acompanhados de inchaço e dor (o que, diga-se de passagem, é um óptimo incentivo a não mijar fora do penico)! Segunda-feira, quando acordei, tinha em vez de pés duas batatas e as minhas mãos pareciam um molho de brócolos. De cada vez que punha uma patinha no chão desejava um daqueles carrinhos eléctricos que os velhotes usam nos supermercados. Ontem a coisa já estava bem mais tranquila.
Parece-me claro que as alterações que fiz na alimentação estão a resultar e me ajudam a minimizar os sintomas mas também é claro que dificulta um bocadinho as escolhas alimentares, principalmente fora de casa. Para contornar e controlar o que como tenho optado por fazer o que posso, consigo e sei. Vai daí, já tenho a minha versão de "iogurte"*, de bolachas que matam o bichinho que dá vontade de roer**, e a granola***. Portanto, pelo menos ao pequeno almoço, tudo o que como é feito pela natureza e por mim. Dentro de dias irei converter a banheira em canteiro e na varanda vou começar a criar animais. Estou a brincar! Mas a verdade é que me sinto-me um bocadinho Amish no que toca ao que vou fazendo na cozinha e há coisas que já não imagino que vá mudar.
Desse lado, quem é que já se rendeu ao DIY alimentar?

* basicamente fruta, "leite" de aveia, sementes de chia e aveia moída;
** uma adaptação desta receita;
*** inventada por mim mas que me sai muitíssimo bem! fica mesmo mesmo boa!;

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

The underdogs


Acabaram os Jogos Olímpicos. Confesso que gosto destes momentos: europeus, mundiais seja do que for... tudo que nos permita ver o ser humano a ser super-humano para mim é como uma ida ao cinema. Nestes jogos Olímpicos a coisa não foi diferente mas chocou-me haver tanto comentariozinho sobre as medalhas que não “ganhámos”. Logo este “ganhámos” faz-me alguma espécie... Ganha quem dá o corpinho ao manifesto, nós quando muito, ganhámos orgulho por partilhar a nacionalidade com quem ganha o que quer que seja. E depois, não estou a par dos procedimentos, mas não creio que o Comité Olímpico tenha livro de reclamações para se poder protestar por um serviço que nos foi mal prestado.
Os atletas que chegam ao Jogos Fucking Olímpicos (como se diz em americano) levam uma vida de sacrifício, sacrifício da vida pessoal, da saúde do seu corpo e de tudo mais que os treinadores de bancada têm por garantido, a troco de pouco mais do que a satisfação pessoal de superar objectivos e de o poder fazer em nome de um País. É uma vida inteira a não ter manhãs na cama, noites na farra, fins-de-semana de passeio e muita força de vontade para ir mais longe, para fazer melhor, para se ser melhor. Basicamente para se ser um exemplo de excelência.
Sempre fui fraca atleta mas, os anos em que competi como jogadora de pólo aquático foram os mais loucos, ou mais duros e os mais fantásticos. Imagino que a minha experiência não tenha sido muito diferente daquela de muitos dos nossos atletas que agora estão a chegar do Rio de Janeiro: transporte feito no carro dos treinadores/pais/atletas, compra de equipamento do próprio bolso, viagens de 300km em dias de provas por não haver dinheiro para alojamento, não ter as infraestruturas necessárias para treinar... Se perante este cenário, se nos tivessem pedido resultados de encher o olho, estávamos bem tramadas. No primeiro jogo que fizemos, contra o Belenenses, em Lisboa, na piscina de 50 metros em que treinavam, tendo feito meia dúzia de treinos em metade de uma piscina de 25 metros onde tínhamos pé, e a acabar de ler as regras do jogo na camionete Hiace mais velha que a maioria de nós, o resultado foi de 37-1 (o jogo, na altura, tinha a duração de 28 minutos... e eu era, literalmente, do tamanho da perna de uma das jogadoras que tinham mais tempo de treino do que eu de vida). Ao terceiro jogo, levámos 47. Depois as coisas melhoraram e até chegámos a ganhar vários jogos e tivemos jogadoras a ir à Selecção. Ainda assim, o balanço nunca foi brilhante. Perdi a conta ao número de vezes que me perguntaram, ao longo dos 7 ou 8 anos que joguei, o porquê de continuar por lá. É claro que havia sempre aquela motivação dada pelos treinos mistos (e o que é que eu quero dizer com isto? Ver aqui e depois chamem-me burra se conseguirem) mas era essencialmente o espírito que se cria quando nos comprometemos a ser melhores e temos uma equipa a trabalhar para chegarmos lá. Foi a nós que as derrotas mais doeram (principalmente no ego) e fomos nós que melhor saboreámos as vitórias. 
Sinto que a nossa equipa Olímpica somos nós - o Pólo Aquático Feminino da Académica no final dos anos 90 e início dos 2000 - e que a maior parte dos adversários são o Belenenses (com jogadoras de dois metros vestidas com roupões personalizados e fofinhos) e, por isso, faço vénia e encho-me de orgulho pelos atletas aos que foram ao Jogos, tenham (és grande Telma!) ou não voltado com medalhas.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Next book stop



E, tal como o previsto, as férias acabaram e o caos organizado que é a minha casa aguardou-me pacientemente. Perante a falta de um intervenção divina que pusesse ordem na barraca, tive de ser eu a pôr mãos à obra. A leitura dos livros (de que tinha falado aqui) ajudou em alguns aspectos, mas vamos lá ao balanço (se quiserem mais detalhes manifestem-se que também se arranja):

- não é preciso ler os dois, basta ler o mais recente que repete em grande medida o primeiro mas tem ilustrações que ajudam a perceber o texto (a tradução em algumas partes não está brilhante!);

- há dicas que sim-senhor: a estratégia para começar a arrumar, o critério fundamental para a escolha do que fica e do que vai, a forma de dobrar (uma coisa tão simples mas que faz tanto sentido), a ordem de arrumação... Depois da última empreitada até achava que tinha o armário organizadinho mas ainda dei muita roupa e o armário da Sardanisca também ficou organizado de forma bem mais prática! Acho que as dicas são especialmente úteis para os roupeiros de crianças;

- há dicas que nem-por-isso: parece que a reciclagem e a doação não são opções. Compreendo alguns dos argumentos que a autora usa mas parece-me que pode haver um meio termo entre o deitar fora e o acumular;

- há dicas que não-lembram-nem-ao-menino-jesus: agradecer às peças a alegria que nos deram antes de as deitar fora, agradecer diariamente às coisas que nos foram sendo úteis ao longo do dia, sentir a vibração e a alegria da roupa e dos espaços mas, acima de tudo, a ideia de deitar livros fora! Pode vir a mulher da fava-rica que não deito livros fora!

Depois de perceber a quantidade de tralha que ainda deitei fora fiquei a sentir-me mal... e ainda nem me aventurei pelos brinquedos da miúda! Como é que é possível duas pessoas e meia fazerem tanto lixo? terem tantas coisas? Ainda para mais, não somos ricos (nem pouco mais ou menos) e a nossa casa é uma espécie de miniatura das casas das pessoas crescidas. Foi aí que apareceu o próximo livro (que não vou deitar fora) e que não consigo esperar para começar a ler: "Zero Waste Home: The Ultimate Guide to Simplifying Your Life" da Bea Jonhson. Ainda só li o que a Amazon me deixa mas estou esperançosa porque, aparentemente, à medida que vamos deixando de ter coisas vai sobrando tempo e dinheiro, que é coisa que faz sempre falta!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Aí estão os motivos...



Ontem alguém me perguntava se ainda estávamos pelo Caramulo ou se já estávamos a salvo. Já estamos em casa, e (para já) estamos a salvo (mas quando metade do país está a arder não sei se alguém se sente seguro)! Viemos embora de Sobral (Macieira do Alcoba - Freguesia do Préstimo) no Sábado e, no Domingo, aquele lado do Caramulo começou a arder! É incrível pensar que o verde todo que nos roubou a respiração durante quase uma semana está agora reduzido a nada! Confesso que pensei algumas vezes, principalmente quando nos enganámos no caminho e descemos a Serra por um estradão agrícola (Vale d'Égua, Lourizela), que se algum maluco se lembrasse de pôr fogo ali que dificilmente sobraria alguma coisa. Resta-nos o fraco consolo de pensar que pudemos desfrutar com a nossa filha um bocadinho do Céu que existia mesmo pertinho de nós.
Agora não consigo deixar de pensar no desespero que as pessoas estão a sentir porque, do outro lado do Caramulo, do meu lado do Caramulo, já tive Tios e Primos na mesma luta injusta e até em Coimbra já vi o fogo a lamber as nossas portas, por isso, conheço, vagamente, a sensação de ficar sem ar e de ter o peito a encolher com a impotência que se contraria mais por teimosia do que por esperança. 
No meio disto tudo, que os Bombeiros não desistam de ser super-heróis mais este Verão e que nós possamos perceber como fazer a nossa parte para ajudar.

sábado, 6 de agosto de 2016

Cádê um bom motivo para irmos embora?









Acima estão os meus argumentos a favor de ficar e não tiro o rabinho da minha rica Casa Verde até alguém me convencer que estou errada.

(Casas do Espigueiro; no meio da Serra do Caramulo; a 20 minutos da cidade mais próxima, Águeda.)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Full disclosure



Este é aquele post que fica nos rascunhos meses sem fim à espera que a censura o apague para todo o sempre ou que se arranjem tomates para o publicar. Tendo em conta que isto está a ver a luz do dia, é possível que esteja mesmo a tornar-me um homem ou então que me vou arrepender de carregar no botão de "publicar" daqui a 35 segundos. Mas vamos lá então, porque sempre fica mais claro o porquê desta barcaça ter ficado tantas vezes à deriva neste último ano e porque, às vezes, é bom saber que há vidas que não são perfeitas neste mundinho de Deus em que tudo que fique mal num quadradinho de instagram não existe! Ou então eu sou a excepção à regra... sou a única gaja que ficou com a vida meio desarrumada, sem um plano para a voltar a endireitar e sem que isso fosse uma opção pós-moderna para uma vida mais "livre".
Desde Junho do ano passado que descobri o seguinte: que não ia ter trabalho (não em moldes que pudesse aceitar), que a minha melhor opção, do ponto de vista profissional, era um plano com fraquíssimas possibilidades de dar certo e de facto não deu certo, que tinha um vírus a comer-me o olho por dentro (mais ou menos, vá) e uma doença auto-imune crónica. Por tanto, em seis meses passei de ser uma pessoa completamente normal (com trabalho e saúde) para estar desempregada e doente. Fixolas, certo? Não tenho dúvidas que as coisas estão relacionadas. Que o stress de não saber o que ia acontecer à minha vida fez o meu corpo entrar em curto-circuito. Era muita tralha para processar e tentar não fazer o fardo maior do que aquilo que ele era para não preocupar as pessoas à minha volta. Não fui bem sucedida porque preocupei na mesma. A determinada altura, os únicos momentos em que as coisas não estavam negras eram quando estava em família e quando estava a correr. Nos entretantos era uma mistura de pânico com acção... mas uma acção semelhante à de uma galinha com a cabeça cortada. Corre em todas as direcções e vai a todas mas sem nenhum plano. Foi preciso bater contra muitas paredes para finalmente acalmar e começar a pôr as coisas em perspectiva. Tive de começar por parar para respirar e não pensar em mais nada se não isso. Não pensar no que ia ser de nós nos próximos meses, nos próximos anos e não pensar nos planos que tínhamos para um futuro próximo. Os vinte minutos por dia em que parava começaram por ser vinte minutos de pranto, depois de angústia, depois de tristeza, depois de aceitação e depois de (alguma) tranquilidade (que o Nirvana ainda está longe). E depois, dei-me um estalo-abre-olhos, deixei de sentir pena de mim e fiz-me à vida. Descobri há uns meses uma estrofe de uma música do Samuel Úria (vénia) que define esse momento:


Não há uma palavra nestes versos que não espelhe aquilo que vivi.
Saí da neura permanente (ela volta e meia lá aparece) e passei os dias a procurar trabalho, trabalhar de borla (não há falta de trabalho, há é falta de dinheiro, ou vontade para o pagar), a ir ao médico, correr e meditar para além das tarefas domésticas e familiares. Quando tudo começava a ficar meio merdoso, lá insistia um bocado mais na história da meditação, corria um bocadinho mais de tempo, via mais um episódio da Patrulha Pata com a minha garota. Eventualmente as coisas tornaram-se mais simples. Mas foi preciso a atitude "que se foda" - aquela que o Cristiano Ronaldo tão eloquentemente explicou ao Moutinho - para aos poucos as coisas se irem encaminhando e estão de facto a encaminhar-se.
Isto tudo para dizer, que às vezes as coisas não correm bem e isso faz parte e não temos mais ou menos valor por isso. Às vezes é preciso que as coisas não corram bem para fazermos alguma coisa que nos tire do marasmo e nos mostre que até temos força quando, basicamente, achávamos que éramos uma espécie de ameba vertebrada. Afinal não, até temos cá qualquer coisa que nos faz levantar... as vezes que forem precisas. Há dias em que sinto na pele que este não foi o último trambolhão (basta as dores apertarem mais para começar em contagem decrescente para o esbardalhanço) mas descobri, que para mim o truque para não enlouquecer e não ter o corpo a implodir, é acreditar no timming dos acontecimentos (até o das tareias) e de que tudo vai ficar bem (e está a ficar bem).

(Aceitam-se apostas: quanto tempo até me arrepender de ter publicado isto?!...)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Orga-Nice


Acho que as últimas palavras que disse, completamente pegajosa e estoirada das limpezas e arrumações, antes de fechar a porta e ir de férias foi "esta casa está o caos!". Virei costas e comecei o processo de mentalização para o que me aguarda no regresso. A verdade é que a nossa casa parece que diminui na exacta medida em que a Sardanisca cresce e, na realidade a miúda é alta como o caraças. Conclusão: tudo quanto é canto tem alguma coisa que pode, ou não, ser fundamental para o nosso dia-a-dia. Não sendo, nem tendo pretensões a ser minimalista, a verdade é que não gosto de confusão e sei que tenho mesmo que meter mãos à obra. Como neste mundinho parece que nada acontece por acaso, estava eu tranquila da vida no meu feed do facebook dei de caras com o título "a mulher mais organizada do mundo". Fiquei com os pêlos da nuca eriçados porque acho que sou uma gaja organizada e queria ver quem é que era a fulana que tinha a lata de se apropriar de um título que um dia até podia ser meu?!? Pesquisei e fui dar à Marie Kondo. Uma japonesinha que pelos vistos desenvolveu todo um método sobre como arrumar uma casa à prova de desarrumanço. Não sou miúda de me ficar e no dia a seguir comprei logo os dois livros que estão escritos em português. Tem ideias que só no país da Sailor Moon - do género, de agradecer aos objectos que vamos deitar fora pelo serviço prestado (I kid you not) - mas tem outras que vale a pena tentar. Se eram precisos dois livros para explicar a coisa? Não, mas depois como é que a moça pagava as contas?! Vou ver se resulta e depois digo alguma coisa.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Namas-quê?



As minhas maleitas andam boas e recomendam-se, que é como quem diz, estão cá, mas estão calminhas. Ainda assim, os últimos tempos, tenho feito o desmame de alguns medicamentos e os sintomas (essencialmente as dores) têm resolvido dizer-me "olha lá, tu não te estiques que a malta ainda por cá anda". Tudo bem. Já têm a chave de casa e já conhecem as regras de convivência, mas ainda assim, sentia que havia ainda algumas questões a acautelar. A missão meditação já está em curso há uma série de tempo e a dar frutos, mas para além disso fazia falta mais qualquer coisa. Depois de meio mundo me dizer que o Yoga era especialmente "bom" para pessoas com AR e de ter lido este livro (ter uma mana mais velha super-informada e cheia de mundo é uma grande vantagem), lá resolvi arriscar. E caracinhas p'ráquilo! Fui para lá toda armada ao pingarelho, "ah e tal, é muito parado para mim" e no fim de cada aula só me apetece dar-me estalos por ter achado que sou muito fit para coisas zen. A verdade é que o Yoga é muito mais do que torcer o corpo em posições esquisitas, muito mais mesmo. Implica concentração, determinação, confiança, desprendimento... basicamente, qualidades que estão em deficit na minha pessoa! Há momentos que penso "eu não estou a fazer isto!!", e por isto entenda-se estar de pé com a cabeça entre as pernas e de olhos fechados a dizer "vam, ram, yam"... A cena dos mantras e de dizer coisas ainda é um bocadinho estranho para mim. Mas faço e no fim sinto uma verdadeira badass ainda que esteja com tudo quanto é músculo a tremer por ter de suportar o meu próprio peso sobre pequenas áreas de mim e por ter conseguido fazer, literalmente, o pino ainda que esteja completamente acagaçada com a perspectiva de um estatelanço público e monumental. Se isto não é uma metáfora para a loucura deste último ano, não sei o que será! Basicamente, o yoga, está a revelar-se a cereja no topo de um bolo muito alternativo que tem sido a minha tentativa de perceber o que se passou/está a passar comigo. Tendo dito isto, reitero o apelo: caso me vejam a cantar o hare-hare-krishna-krishna, sintam-se à vontade para me alinhar os chakras à chapada.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Tenho uma coisa a dizer sobre os novos gambuzinos.




Live and let live.
Parece-me que o pessoal se abespinha por tudo e por nada! É uma coisa mais ou menos tola, mas pronto. Se as pessoas são felizes deixá-las. Daqui a 15 minutos isto passa e aparece outra moda ainda mais parva.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Vamos lá às explicações



Este ano o blogue tem andado a viver uma montanha russa. Um bocadinho à semelhança da minha vida. Desta vez a paragem aconteceu mais ou menos de forma natural. Tive três semaninhas para preparar um trabalho e, ao contrário do que costumo fazer, decidi dedicar-me completamente a isso. Desliguei de tudo. Não foi um processo consciente mas soube-me muito bem. Tive o equipamento de corrida pronto para ser vestido durante uns 15 dias e às tantas resolvi arrumá-lo (a última prova deu cabo de mim in more ways than one). Ao mesmo tempo, não tinha qualquer vontade de ligar o facebook, o instagram ou qualquer outro canto do mundo virtual. Deixei-me estar e os meus dias resumiram-se a trabalhar, cuidar da Sardanisca, do Homem, da Manga e da casa. Eu sei que parece pouco, ou chato, ou as duas coisas, mas era mesmo isso que precisava. Além do mais a minha cabeça estava completamente vazia e qualquer coisa servia de desculpa para não escrever: "ainda é muito cedo", "já é muito tarde", "não tenho fotografias", "não sei que fotografias escolher...". Estas "férias" ajudaram-me a juntar algumas peças do puzzle deste ano. Levei tamanha tareia nestes últimos meses que alguma coisa tinha de mudar, de acontecer e acho que este reboot deu uma ajudinha. Agora, que já saí da caverna, momento sempre marcado por uma mega sessão de remoção de pilosidades que entretanto cresceram, parece-me que já estou pronta para os mundos. Este e aquele onde a esta hora estão cerca de 54ºC. Vamos lá ver se agora estou na carreira certa!

sábado, 23 de julho de 2016

Flaked




O maravilhoso mundo da Netflix chegou cá a casa e como tem a morte anunciada para daqui a três meses (o tempo em que temos o serviço de graça) estou a espremê-lo sem dó nem piedade. Já tive algumas desilusões e revelações. Entre as revelações está o Flaked. Comecei a ver porque gosto do Will Arnett (não gosto muito da voz dele mas fora isso o rapaz tem pinta) e papei os 8 episódios da primeira temporada como quem come tremoços. É uma espécie de Californication mas menos dark e com menos sexo gratuito e sem a cara de solha do tipo dos Ficheiros Secretos. Achei a história original, achei as voltas do enredo pouco previsíveis e achei que o Will Arnett está com um corpo que sim-senhor. Ainda não tinha acabado o último episódio já eu estava a pesquisar para saber como é que estávamos de segunda temporada. Qual não é o meu espanto quando vejo que as reviews são péssimas! Tudo a desancar na série como e não houvesse amanhã. Ainda assim, parece que vai haver segunda temporada. Espero que sim, quanto mais não seja para que eu perceba o que há de tão mau! Fica a sugestão para as férias. São episódios curtinhos ideais para a sorna do fim de dia de praia!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

1, 2, 3 experiência?!



Estou por aqui, estou viva e, em princípio, de volta. Mas devagarinho, porque está muito calor.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Sou uma mulher mudada... aliás, se mudo mais viro homem!


Nada como estar com o rabinho apertado para começar a considerar mudanças mais drásticas na procura da normalidade. (Parece um contra-senso: mudar para voltar a sentir-me normal.) Nos primeiros tempos, depois de ter recebido os resultados das primeiras análises e de ter percebido que havia um problema autoimune associado a processos inflamatórios, comecei a ler tudo o que me aparecia pela frente. Logo nas primeiras leituras percebi que havia alguma consistência de opiniões no que respeita ao pontencial inflamatório de alguns alimentos. Avançando na pesquisa dei conta de que os lacticínios eram os grandes vilões desta história. A minha irmã, que adora um bom desafio e por isso assumiu esta empreitada como dela, disse-me o mesmo. Mais, que tinha uma amiga com AR que tinha banido os derivados do leite da dieta e que se sentia melhor assim. Eu torci o nariz. Relembro que era à minha conta que a indústria do leite sobrevivia em Portugal. Eu sou/era a gaja que vivia feliz e contente se no mundo só existisse leite, queijo, manteiga, iogurtes e tudo do que daí pudesse ser feito. Confesso que demorei até ter coragem para fazer a experiência de cortar com o que era mais querido... é que não era só o queijo e os iogurtes... os gelados, o chocolate... O CHOCOLATE!!! eu, que era menina para comer uma tablete de 200g como quem bebe um copo de água... Foi só quando o meu corpo deu o tilt (lá para Abril) que no desespero cortei com tudo que não fosse comida a sério. Acho que houve dias que rosnei e outros em que mordi. Enquanto eu ressacava pelas minhas tostas de queijo e pelas minhas torradas a pingar de manteiga, o meu homem ferrava o dente em tudo que era coisa boa. Mas resisti e as dores e as inflamações das mãos e dos pés foram desaparecendo. Não foi de um momento para o outro mas, na última consulta de reumatologia, nas vésperas do meu 35º aniversário, o médico achou que podíamos aliviar a medicação e, os comprimidos mais hard-core, ficaram só para SOS. Apesar do reumatologista ter dito que podia fazer alterações na dieta mas que isso podia não fazer grande diferença, o gastrenterologista disse que era capaz de ser boa ideia e que podia ajudar a resolver um outro problema que entretanto tinha surgido (não há forma bonita de dizer isto: diarreia aguda que durou mês e meio. Não é simpático) Tenho-me aguentado. Tenho umas dorezitas mas nada de outro mundo e tenho aproveitado para fazer experiências com a comida. Até ver os resultados não têm sido brilhantes. Se meto a pata na poça já sei que as vou pagar. Já entrei no mundo dos iogurtes e queijo sem lactose mas não resulta. Tenho andado a matar o bicho que coisinhas boas com fruta, mel, sementinhas, aveia, tef, quinoa, tapioca e tudo que possa absorver ou ter algum docinho. Não é a mesma coisa. Um bocadinho de mim morre quando passo por um frasco de Hagen Daz ou Ben 'n' Jerry's ou vejo aquela cor roxa e a vaquinha dos Milka mas é a vida. Há coisas piores... não mexer as mãozinhas é pior. Ter o estômago feito um passador à conta dos anti-inflamatórios é pior. Haja comida a sério, mel e manteiga de amendoim e a coisa resolve-se!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Programa de fim de semana: "mais uma corrida, mais uma viagem"



Vocês os cinco que ainda por aqui passam (sim, porque a esta altura já houve duas almas que desistiram de acreditar que este pasquim virtual iria melhorar...) se não têm planos para este fim-de-semana, nada temam, eu tenho a solução!!
Este fim-de-semana vai estar sol e tempo ameno. Já ninguém tem pachorra para as horas intermináveis para a sucursal inglesa que se situa no Sul do país, por isso a solução é dar um pulo à Nazaré, comer um peixinho, dar um mergulho e, ao fim do dia, ir apoiar os maluquinhos que vão estar a participar na Corrida da Nazaré! Acreditem que é um ambiente único e uma prova fantástica. Eu lá estarei, à frente da ambulância e das motas da polícia a garantir que fico em último e à espera de ouvir as palminhas e os gritos de "tu consegues!". Quem se junta a mim?
Ah... ali no filme é mesmo esta vossa escriba que aparece... o ar de enjoadinha foi agravado por estar de facto cheia de comprimidos no bucho que me davam aquele ar meio esverdeado e a penca vermelha é mesmo do frio. Agora já estou melhor, já só tenho ar de tótó!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

"Correr com ela"... nos dois sentidos da expressão


Nota prévia: este é um posto transmitido em simultâneo (qual cadeia de canais de televisão) para este estaminé e para a minha outra casa. É que isto anda escasso de inspiração.

Hoje em dia quando acabo uma prova de corrida dou por mim a dizer "Cris: 1 - AR: 0" e dou a mim mesma um high five mental. Admito que isto roça o esquisito mas dá-me mais gozo superar estes desafios porque, apesar de ainda não estar a conseguir chegar aos meus melhores tempos e distâncias e apesar de não estar a evoluir (no sentido de estar a fazer melhores performances), a verdade é que sempre que ultrapasso a meta não faço sozinha. Sou eu e a AR... que às vezes é um emplastro chato de carregar. E, invariavelmente, sou levada para a primeira consulta de reumatologia quando as duas coisas que eu não queria que acontecessem se confirmaram: alguém dizer-me que os sintomas eram o resultado de alguma coisa real e que teria de deixar de fazer exercício, ou que pelo menos não o podia continuar com o ritmo que estava. Em relação à primeira novidade, não havia grande coisa a fazer, já no que diz respeito à segunda, a solução era fácil: mudar de médico e continuar a mudar até encontrar um que me dissesse "continue a fazer o que a faz sentir bem". Felizmente foi à segunda e não precisei de ouvir mais nada para me sentir poderosa! É claro que há dias que tenho de pedir licença ao corpo para sair da cama, há dias em que faço dois quilómetros e apetece-me estender do chão e pedir a alguém que me carregue e há dias em que acabo fresca e fôfa 10k e, a parte boa, é que esses começam a acontecer com mais frequência. Acho que já vou sabendo como me defender e minimizar os sintomas e estou a arranjar forma de levar a minha vidinha quase que a fingir que não se passa nada comigo. Dá trabalho e implicou (implica) algumas mudanças, principalmente na alimentação e na gestão do stress, mas parece que estou a conseguir encontrar o equilíbrio.
A verdade é que nunca me soube tão bem acabar as provas como agora.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Falhas de comunicção



Parece que as coisas já se estão a encaminhar e começa tudo a entrar novamente nos eixos e agora, que vou olhando para trás, vejo muitas coisas que têm o seu lado cómico. Uma das coisas que eu aprendi no meio desta trapalhada toda: só convém dar más notícias sobre a nossa saúde quando estivermos preparadas para animar o destinatário da mensagem. Dei por mim a dar a novidade sobre a AR a algumas pessoas para logo depois dizer "mas está tudo bem! eu estou bem! não fiques preocupado!". Isto por si só, é o que é, nada de especial, mas depois leva a outra situação caricata, que é as pessoas pensarem que afinal não temos nada! Passam por nós passado uma semana e perguntam: "está tudo bem?" e uma pessoa lá ensaia uma resposta que não seja mentira mas que não seja desanimadora - "já sabe não é, isto agora tem que ser ir acompanhando, não passa assim do dia para a noite...". Do outro lado chega-nos um "ainda bem que já está boa!". A versão da família mais próxima é semelhante, mas roça mais a negação:
- então, estás melhor?
- oh... mais ou menos na mesma...
- ainda bem! o que é preciso é melhorares.

A maior parte das vezes sorrio e deixo a conversa por aí... acho que não é preciso ir por caminhos por onde a maioria das pessoas não gosta de andar... e com razão.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Mudando de tema...


Gente com cães grande e com ar ameaçador: PONHAM-LHES UMA TRELA!! A sério! Não custa nada e evita sarilhos! É que uma pessoa quer passear e está sempre com o coração nas mãos! E o argumento do "não morde" é fraquinho! Se nem eu posso garantir que EU não mordo, como é que vou assegurar que um animal não o vai fazer?!!? Das coisas que mais gosto é pegar na Sardanisca e na Manga e ir passear para a beira rio (porque se cansam as duas e depois tenho um fim de dia mais descansado) e não o posso fazer porque já perdi a conta às vezes em que tenho de pegar nas duas e ir de marcha atrás até ao carro enquanto tento enxotar o cão de algum dono que está a ver o espetáculo e não faz nada! A sério?!? P'ró car#@?inho com eles!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A mãe tem sempre razão!... Raios!!!



Tenho tido que aprender a aceitar várias coisas nestes últimos tempos. A mais complicada de todas? A minha mãe tem razão. Sou uma pessoa impaciente! Eu até achava que não mas sou. Quanto finalmente resolvi marcar uma consulta para ver o que tinha, achava que ia ser igual a todas as outras até aqui. Entrava no consultório, auscultavam-me, abria a boca para me verem as goelas, diziam que tinha X ou Y, receitavam-me qualquer coisa por sete dias, despachavam-me para casa e adeus e até ao meu regresso. Mas não. Há que fazer análises, voltar ao médico e mostrar as análises, ir à farmácia aviar as receitas. Daí a um mês voltar às salas de espera, às agulhas, às incertezas e a novos sintomas. E uma ida ocasional às urgências porque às tantas aparece outra coisa que aproveitou a porta de entrada aberta. Esta "perda de tempo" tira-me do sério! Perde-se uma vida à espera e outra vida em ansiedade. Eu sei que sou uma sortuda e privilegiada por não ser nada de muito complicado e por até estar a responder como deve ser à medicação. Aliás, isto tudo leva-me a fazer vénias de respect a quem anda nesta vida há mais tempo e com sintomas bem mais chatos! A sério! Eu com uma amostra de maleita, já tenho dias que me apetece deitar no chão em posição fetal até que tudo passe! Mas ainda assim, ainda me custa a aceitar que não fique tudo resolvido à primeira... ou à segunda, vá! Já percebi que as coisas levam tempo e não se resolvem do dia para a noite, agora só preciso de dizer isso à minha cabeça. Parece que foram precisos 35 anos para aprender o que a maioria das pessoas já sabe... O que vale é que os trinta são ou novos 20 se não estava tramada!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Homenagem a um santo: o meu Homem



Uma gaja já é um bicho complicado! Uma gaja com uma cena chata faz com que alguém que a entenda seja merecedor de um Nobel da Paz! A sério! Alguém que consiga compreender e agradar a uma mulher com problemas de saúde devia ter lugar nas Nações Unidas. Vejamos: 
- é claro que queremos que encorajamento - "vá, tens de ser forte!" - mas não queremos passar por fracas - "forte?!?! mas tu achas que eu já não estou a ser forte?!?!". 
- queremos que nos mostrem alternativas e nos dêem sugestões - "porque é que não mudas a tua alimentação para uma base vegetal" - mas também queremos que reconheçam os nossos esforços -"mas tu não achas que eu já tenho privações a mais?!?! até já deixei os Milkas!". 
- queremos que percebam que o nosso rendimento não é o mesmo e que podemos ficar cansadas mais cedo - "deixa estar que eu levo a miúda às cavalitas, escusas de estar a levá-la ao colo" - mas não queremos passar por incapazes - "até parece que estou inválida! eu consigo! deixa-me estar!".

Haja pachorra!
(Obrigada Homem!)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Então vamos lá ressuscitar a coisa mas antes disso, algumas notas prévias:



1. se isto de vez em quando parar é porque estou de molho com dores/olho inflamado/fluídos a sair de mim em quantidades indesejadas/mini deprê que passa ao fim alguns dias (riscar o que não interessa... tudo, portanto);

2. é possível que, de tempos a tempos, venha a ser um pouco escatológica... eu aviso no título quando for assim;

3. vamos assumir que eu sou dramática e caguinchas e por isso tudo o que escrevo será exagerado e fruto de um infância cheia de mimos;

4. nada do que me está a chatear agora é minimamente comparável com o que outras pessoas têm pela frente;

5. escrever e gozar com a minha actual condição e, eventualmente dizer o que estou a experimentar para tentar ficar bem, é a minha maneira de arrebitar. Tenham lá paciência, sim!

Obrigada a vocês os sete que disseram que sim senhora, era para continuar e escrever sobre coisas chatas!