quarta-feira, 26 de junho de 2013

I heart estagiários

Nurses at Jackson Memorial Hospital: Miami, Florida


Gosto de estagiários. Gosto mesmo. E depois da estadia na maternidade gosto ainda mais! Passo a explicar:
Apesar de todos os desejos de "uma hora pequenina", a hora foi tudo menos pequenina... Teve direito a dores, berros e outros instrumentos que não queremos ver próximos da "nossa-companheira-de-bons-e-maus-momentos". Anyway... durante o tempo que passei na sala de partos fui vista por não sei quantas pessoas (desconfio que algumas delas nem faziam parte da maternidade) e mexida como quem amanha um peixe com direito a poucas palavras de alento. Sou daquelas que precisa de apertar a mão de alguém quando estou com dores ou nervosa. Apertei a mão ao meu homem o quanto podia enquanto podia (o pobre ainda está a recuperar a circulação sanguínea) mas na hora do "vamo-vê" não podia lá ter ninguém... até que a enfermeira estagiária se voluntariou. Rápido de arrependeu e pediu a mão de volta, alegando que precisava dela para trabalhar (desculpas é o que é), mas enquanto ali esteve sempre me deu mais confiança.
Já com a pequena nos meus braços, fui recebida pelo pior turno da noite da história dos serviços hospitalares! Com o equivalente a uma instalação em renda da Joana Vasconcelos na região dos "Países Baixos", com uma das pernas adormecidas graças à epidural e completamente baralhada sobre o que fazer com a pequena pessoa que levava nos braços, levei com um belo apertão e puxão no mamilo que foi direto para a boca da criança. Depois de me ter encolhido, se não pela dor do acto pela surpresa de tamanho à vontade com as minhas mamas, levei um raspanete porque não podia fazer aquilo se não nunca mais ia conseguir dar de mamar. "No pressure"! A mesma alma com tendências S&M perguntou-me se estava com dores, disse que sim e levei como resposta "Pois tem a senhora e têm todas as que aqui estão... é normal". Outros episódios pontuaram essa madrugada e manhã - fazer o levante com a obrigação de o fazer rapidamente mas sem desmaiar nem cair; as vacinas dadas à miúda sem qualquer tipo de cerimónia; levarem-na para a pesagem sem mim porque era muito lenta a andar; dar-lhe o banho em 1min 30seg e esperar que eu aprendesse nesse tempo... and so on - mas felizmente estava demasiado atordoada para que me caísse a ficha. Só quando entrou o turno seguinte e com ele o anjo da Enfermeira estagiária Carolina percebi que afinal não tinha de "apanhar porrada" por ter parido! Apesar de assertiva e de não se demorar exageradamente em cada uma de nós, tinha o cuidado de nos ouvir e em vez de responder com um "é normal" explicava o porquê de ser normal.
Regra geral os estagiários são mais atentos e estão realmente preocupados com as pessoas de que estão a cuidar e ouvem-nas, não saltam etapas do protocolo e estão actualizados... ok, a nota deles depende disso, em última instancia o futuro deles depende disso e ainda bem! Quem ganha é o triste que precisa de cuidados médicos. Não fosse a enfermeira estagiária Carolina e ainda estava a continuar a achar que afinal era uma mariquinhas pé de salsa sem razão para me queixar... e afinal algumas coisas não eram assim tão normais! Por isso, dêem-me estagiários verdinhos sempre! Não me chateiam nada! A confiança dos "muitos anos a virar frangos" é que me preocupa.

Para não ser injusta, só mesmo a primeira equipa da noite foi tenebrosa, as restantes enfermeiras eram um amor!

4 comentários:

  1. Antes de mais, muitos PARABÉNS pela piquena! :)
    Quanto ao resto... ME-DO!!!!!!!!
    (o problema é que, em princípio, esses estagiários se vão tornar enfermeiros e esquecer o que é ser-se minima e humanamente sensível...)

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  2. Confere!
    Também sou fã de estagiários principalmente da estagiária Carolina! Espero que mantenha sempre o mesmo perfil profissional e que muitos a sigam como exemplo! Quanto às enfermeiras do primeiro turno da noite, não te preocupes, já tratei de as pôr em sentido. Todas elas pedem desculpas e desejam as maiores felicidades para a miúda!
    Ainda não encontrei a que fez tiro ao alvo com as seringas, mas estou lá perto, já sei onde costuma estacionar o carro.

    Vamos lá ver quem é aqui a mariquinha pé de salsa!

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  3. Sem querer falar mal do país que me viu nascer, quando estive aí a viver (3 aninhos) ouvi hórrores de partos e fiquei sempre muito feliz por ter parido os meus 2 filhos na Alemanha (apesar de não terem sido fáceis). Aliás, comecei a dar valor ao que tinha aqui nesses 3 anos que vivi aí ;o).
    Beijinhos

    Mas é claro que nem tudo corre bem por estes lados e devido a um erro médico eu podia não ter filho nenhum, mas isso é outra história.

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  4. Pela parte que me toca, enquanto estagiária, fico feliz por teres tido uma boa experiência com colegas meus. Mas há de "tudo" em todo lado e independentemente dos anos a que se anda a "virar frangos"...
    Acho que o cuidado com que se fala e cuida do outro parte muito do carácter e da vocação. "Bisontes" há muitos....
    Lembro-me todos os dias de que "um dia não vou ser assim"...e entenda-se que o "assim" retrata tudo aquilo que vos fizeram (e mais alguma coisa) no primeiro turno da noite.
    Felizmente em Portugal estamos muito bem "servidos" com os enfermeiros que temos, ou não fosse por esse motivo que meio mundo vem para cá recrutar malta.
    Se precisares de apertar a minha mão estás mais do que à vontade :)

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