terça-feira, 13 de março de 2018

Toda a verdade sobre o copo menstrual, ou, segundo a minha filha, o otoscópio*


Antes de mais devo dizer que a primeira vez que ouvi falar do copo menstrual achei uma valente nojeira! Acho que comentei em tom de gozo com alguém a ideia de caca que aquilo me parecia. Mas, pouco antes de engravidar fiz alergia a pensos e tampões e depois de experimentar muitas marcas, de fazer algumas pesquisas, e de falar com a minha prima que usava e que garantia que era “a” descoberta do século, resolvi experimentar o copo menstrual e pensos reutilizáveis. 


Full disclosure: este não é um relato de como tudo foi maravilhoso e super espetacular! 


Creio que antes de engravidar só cheguei a ter tempo para usar o copo uma vez e não me senti muito confortável. Verdade seja dita que também não estudei o suficientemente o assunto, porque sim, é preciso estudar um bocadinho sobre qual o melhor tamanho, a melhor dobra, a melhor flexibilidade do material. Pode ter-se a sorte de se acertar em tudo à primeira, mas não foi o meu caso. Guardei o copinho e agora, 8 meses e tal depois de ter parido, voltei a ter pretexto para dar uma nova oportunidade ao objecto. 

A minha segunda abordagem foi como a primeira: à confiança! Põe-se a coisa e pronto! Wrong! Dois passos com o copo colocado e já o estava a sentir a descer e a querer sair. Foi aí, e antes de desistir, que resolvi investigar um bocadinho mais sobre o assunto. Primeiro achei que o tamanho não estava certo e comprei um copo mais pequeno. Também não resultou bem, essencialmente porque, no meu caso, o que estava a falhar era a dobra e o local de colocação do copo. Depois de testar algumas dobras lá descobri a que melhor me servia. E ao fim de algumas tentativas, descobri o lugar... acho eu... 

Uma das vantagens do copo menstrual, para além das financeiras, ecológicas e higiénicas, é a possibilidade de fazermos a nossa vida sem pensarmos nas trocas. Há quem consiga estar 8 a 10 horas sem necessidade de troca. Ora, eu imagino que isto seja verdade para muitas mulheres. No meu caso, nos dois-três dias mais críticos, acho que nem um alguidar de cinco litros me safava! O tal copo que eu achava que era grande dá-me para umas 4h e tenho de estar prevenida com um penso (os tais reutilizáveis… alguém tem curiosidade para saber mais?). Depois desse caos, o copo pequenino que comprei entretanto serve perfeitamente e aguenta as tais 10h e aí a probabilidade de fuga é bem menor. 

No que toca a mudanças fora de casa também é preciso alguma atenção. Tirar o copo numa casa de banho público faz lembrar uma cena do Dexter: protegemos tudo quando é superfície com papel higiénico (lá se vai a ecologia pelo cano) mas ainda assim, se não tivermos cuidado, o meio metro quadrado que temos à nossa disposição pode ficar parecido a uma cena de crime. Além do mais, implica alguma logística: toalhitas para as mãos e para o copo. Em não tendo... bem... é bom que consigam ser rápidas na corrida entre a sanita e o lavatório...

O que é que eu acho? Acho que em teoria, é a solução ideal, na prática, implica algum esforço [quando é que nos tornámos tão alérgicos ao esforço?!] muita mexidela na "nossa amiga das terras do sul" e um conhecimento do nosso corpo que eu não tinha! Ainda não estou 100% confortável e ainda não confio a 100% que não faça passar vergonhas. Ainda tenho de fazer mais testes e pesquisas e não sei se não vou testar outra marca (o que não dava muito jeito porque lá se vai o objectivo da poupança já que cada copinho anda à volta dos €20...)... o que me vale é que tenho muito mês pela frente para descobrir a solução ideal. 

Por esses lados? Já experimentaram? Vão experimentar?

* A mais velha encontrou os copinhos na minha casa-de-banho e depois de deixar o pai mais encavacado que um padre num cabaré, chegou à conclusão que serviam para se examinarem os ouvidos. Nenhum dos dois a desmentiu. Lá para 2026 teremos a conversa...

8 comentários:

  1. aaaah... que fixe! ando numa de investigar desde que a minha nova colega (em idade e nova aqui no estaminé) me disse que usa e que se dá às mil maravilhas.

    O que é isso de pensos reutilizáveis? Panos? Toalhas, como no tempo das nossas avós (alerta preconceito!!) quero saber tudo

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    1. Acho que é mesmo uma questão de tempo e descontração até se aprender a funcionar com o copo. Quanto aos pensos não são toalhas, são pensos mesmo que são superabsorventes (tipo as toalhas dos nadadores profissionais) por um lado e impremeáveis do outro. Depois de cada utilização lavam-se, secam e estão prontos para outra. Eu faço outro post entretanto.
      Beijinho

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  2. com imagens!!! lol thanks... beijocas. as tuas meninas estão lindas

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    1. Com imagens!! Como é que eu tiro fotos bonitas a pensos!! Estou tramada! Mas sim, vou fazer! Para a semana deve estar pronto!

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  3. Opá entre gravidezes, pensei experimentar.... mas nunca o cheguei a comprar. São precisamente as dúvidas que tenho.... tamanho e marca! Sabes se há alguma marca portuguesa?!
    Quanto aos pensos, já experimentei e gosto, aconselho e aprovo! 😉

    Beijinhos grandes da costa alentejana e as melhores das ites e maleitas das catraias!

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    1. Eu creio que sim, que há marcas portuguesas. Se não estou enganada o que eu uso - Me luna - é português (apesar do nome) http://www.meluna.pt/melunaweb/index.php/contactos.

      Não sei se haverá mais marcas.

      Beijinho para ti e para os teus rapazes!

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  4. Isso faz-me imensa confusão e vejo todo um rio de sangue a ocorrer aquando da mudança, ahah! Nah, ainda não me sinto suficientemente seduzida pelas vantagens que apregoam para ir experimentar.

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