segunda-feira, 16 de julho de 2012

A crise vista pelos canudos





De cima para baixo: canudo da década de 60; canudo do final de 90; canudo da década de 2000... falta um de meados de 2000 e um de 2011.

Até podia estar a falar novamente do tipo que se licenciou à velocidade da luz, mas não (já não há pachorra). Estou a falar do meu próprio canudo que chegou na última sexta-feira à residência de Papai. Apesar de ter acabado o curso em bis milésimo tertio (segundo o documento de papiro), só agora, quase 10 anos depois, tenho o canudo com o selo da minha Universidade (de Coimbra). Mas, uma outra folhinha assinada pelo actual reitor veio a acompanhar o documento escrito em latinório. Rezava assim a missiva (mais coisa menos coisa):

"Ah e tal, desculpa lá o atraso. Sabes, é que somos mais c'ás mães e isto é tudo feito à mão e dá muito trabalho e leva muito tempo... E já agora... eu sei que pagaste uma pipa de massa para ter o canudo devidamente enfeitado com fitinhas e uma caixa de prata mas levas uma folha por metade do preço e sem enfeites... É que a prata está cara p'ra burro, a malta está sem guito e sabemos que sabes que o que interessa realmente é que estudaste com os bons e te fartaste de aproveitar, certo? Portantos... se vires que queres a cena de prata, 'tás na boa!... A gente vai roubar um velhinha e vender um rim para to darmos daqui a 234 anos... mas tu é que sabes!"

Temo que o canudo do meu doutoramento (isto para não pensar no de Mestrado) tenha dupla folha perfumada e diga algures "Renova".

7 comentários:

  1. Eu cá acho que foram os correios que demoraram a encontrar morada, a carta é só uma desculpa :)
    Boa semana

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    1. Nah Pinta Roxa. Os correios desta vez não fizeram nada! É tudo produto da UC!

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  2. Agora que escreves sobre isto...onde pára o meu canudo? Sim, porque eu também paguei uma pipa de massa e de Coimbra cartas nem vê-las :)

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    1. Manuela, deteste ser a portadora de más notícias, mas parece-me que vais ter a mesma sorte que eu: esperas 10 anos (se é que já não esperaste) e levas com o diploma na versão simples e económica!

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  3. Tenho um colega que recebeu o mesmo. Respondeu à UC com uma cartinha cortês a explicar que na altura em que terminou o curso, ainda não tinha trabalho e lhe exigiram pelo diploma o pagamento do que na altura lhe parecia uma pequena fortuna. Não pôde alegar dificuldades, pagou e pronto. Por isso agora só queria o que era seu.
    Demoraram menos de 3 semanas a enviar-lhe o diploma com as pratas e tretas afins. Lá está, o tempo de irem roubar umas velhinhas ou vender um rim.

    Compreendo as dificuldades da Universidade, claro. Mas para começar, nunca deviam ter ido gastar os milhões dos diplomas (é que sendo tantos milhares por ano e a acumularem de tantos anos, devem ser vários milhões). Só se exige à UC a decência de entregar aos ex-alunos aquilo por que pagaram ou devolver a diferença. O que se calhar nem era mal pensado. Eu recebi o meu diploma há mais tempo por isso ainda vinha como era antes mas é absolutamente horroroso. É mesmo feio! Aquelas fitas e as cenas em prata penduradas são parolas até ao infinito e mais além.

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  4. Bom dia, peço desculpa pela pergunta (ainda não recebi o meu diploma porque ainda não me licenciei), mas no diploma vem alguma referência à média ou ao lugar em que se licenciaram na turma (melhor aluno, segundo melhor aluno, etc)? Obrigada! E parabéns pelo diploma, apesar de chegar com esses anos de atraso...

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    1. Olá Ana! Não é preciso pedir desculpa!
      Posso estar enganada mas, tanto quanto sei, o que se passa é o seguinte:
      O diploma é um documento meramente simbólico, isto é, não é o diploma que é usado para comprovar a conclusão de um grau. O certificado de habilitações é que serve esse propósito e nesse documento é apresentava a avaliação em termos qualitativos (suficiente, bom, muito bom e excelente) a par da classificação média final (x/20 valores). Há ainda a possibilidade de requerer o suplemento ao diploma onde são apresentadas as classificações por UC. O desempenho em termos relativos não é prática já que se pressupõe que, sendo a frequência do ensino superior uma opção tomada por uma pessoa adulta, serve para sua preparação e realização pessoal e profissional e não tanto para se colocar num ranking. Além do mais, no ensino superior não podemos falar em turmas no sentido em que as entendemos durante o ensino obrigatório já que há a possibilidade de frequência de UC que são leccionadas de forma independente do ano de frequência.

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