segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Balanço trimensal ou mais ou menos isso


Foi em Maio, no auge do processo revolucionário em curso que o meu corpo instaurou, com direito a greve sem serviços mínimos garantidos, que me caiu a ficha: tinha que assumir as rédeas de tudo o que dizia respeito à minha saúde. Foi também nessa altura que percebi que para melhorar, na medida e com a qualidade que queria, que os comprimidos tinham que ser substituídos por outras coisas. Não sabia, e ainda não sei, bem o quê mas tinha que me libertar deles. Não me esqueço da noite em que, à mesa da minha irmã, com a caixa dos 12 comprimidos que tomava diariamente na mão, a fazer beicinho e com as lágrimas a cair, dizia que não conseguia abdicar de tudo o que me sabia bem comer. Ouvi um "então está bem, se não queres tentar tudo para ficares melhor, depois não te queixes e não chores porque te estás a sentir doente." Um doce esta minha irmã... Custou a ouvir. Não bastava tudo por que estava a passar ainda tinha de fazer mais sacrifícios?!?! Custou a encaixar mas no dia seguinte as coisas começaram a fazer sentido. Se mudando a alimentação era possível que viesse a melhorar a qualidade de vida, então vamos a isso! Mesmo que o objectivo original não fosse atingido, mal não fazia. Desde essa altura que tenho vindo a reduzir, se não mesmo a cortar de vez com uma série de coisas: lacticínios, alimentos processados, alimentos com listas de ingredientes que não conheço, não como de todo. Só no limite é que como alguma coisa que tenha açúcar*, café*, derivados da soja e alimentos com glúten são controlados e no máximo consumo um de cada por dia (um café, um iogurte de soja e um pão) mas há dias em que não como nada disso. Basicamente estou a tentar eliminar todos os alimentos com potencial inflamatório (o que quer que isso seja).

Hoje, mais de três meses depois desta decisão, já não sinto a falta de nada. Juntei a isto horas de sono obrigatórias (que tento cumprir com as limitações impostas pela cria de três anos), a meditação, o yoga e tento manter as corridas (se bem que o regresso às aulas me trocou as voltas e, por isso, tenho falhado nos meus planos). Quando faço o pleno - alimentação, relaxamento, descanso e exercício - sinto que posso conquistar o mundo e nem me lembro que tenho dores! No início, talvez porque me tenha custado muito deixar os meus iogurtes, o meu queijo, a minha manteiga, não percebia porque é que ao fim de um dia não via resultados, ou ao fim de uma semana... aquilo que sentia era que a provação era tão grande que os resultados teriam de ser imediatos. Ao fim deste tempo percebo que uma mudança no estilo de vida não funciona como um comprimido que se toma e que faz efeito passados 10 minutos. Ao fim deste tempo percebo que as mudanças são muito subtis mas estão lá. É um compromisso que se tem de assumir quase como se de uma fé se tratasse. Tem que se acreditar mesmo quando não há provas imediatas e quando aparecem outros desafios... e eles aparecem! Por exemplo, outro dos presentes da AR é a anemia o que, combinado com a perda do tónus muscular provocada pelo único comprimido que ainda tomava, fazem do exercício um desafio físico, mas mais do que isso, psicológico porque não atingimos os nossos resultados e não não nos vemos a progredir. Quando há umas semanas deixei de ter sintomas - dores... uma das tais mudanças - resolvi que ia começar a deixar de tomar o anti-malárico. Aos bocadinhos, e com uma espécie de autorização do reumatologista, lá deixei o comprimidinho amarelo (que sabe mal com'ó caraças). Não posso dizer que já não tenho dores. Ainda tenho, ainda acordo todos os dias com as mãos e os pés empenados mas ao fim de uma horita já me mexo sem que se perceba nada.

Quando páro para pensar no assunto, quando penso no como já estive, não posso deixar de me sentir animada! Quer-me parecer que é este o caminho. Sinto que estou já muito longe daquela mesa da cozinha da casa da minha irmã. Não há nada que não deixasse de comer hoje, não há exercício que não começasse a fazer hoje se me dissessem que era uma via possível para estar bem.
É isto que é crescer, não é?

* um dia destes explico como é que uma gulosa inveterada consumidora de café faz esta transição.

6 comentários:

  1. Parabéns por essa força de vontade e determinação! É de louvar, sei que é pela tua saúde, mas não é nada fácil!

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    1. Não é fácil, mas a alternativa é pior!!
      Obrigada!!

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  2. Talvez possa interessar:
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    Um beijinho,
    Rita.

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