quarta-feira, 20 de maio de 2015

Reflexões sem nexo em semana de TPM... não se aproveita grande coisa


Sinto-me um interruptor. Daqueles antigos que têm uma pataleta que anda para cima e para baixo entre extremos... Ou então aquele mantra do Karate Kid: "wax on, wax off". Não sei se é só a minha vida que é assim mas desconfio que não. Como vivemos nesta constante corda bamba não dá para fazer como antigamente e ter os ovos só num cesto, apostar só num cavalo e qualquer outra metáfora faunística que nos remeta para esta coisa de ter de jogar em muitas frentes para garantir que, se calhar lá à frente, no futuro, vamos ter alguma coisa remotamente parecida com a tal estabilidade. A malta tem um emprego, o que é uma sorte, mas o emprego é precário. Um ano? Dois? Três?... Sabe que está a prazo e/ou sabe que há uma fila de gente à espera que se meta a pata na poça para saltar para o cantinho que tanto trabalho nos deu a construir. Por isso, não só investe tudo o que consegue para garantir que prolonga a precariedade o máximo que pode como, ao mesmo tempo, procura e vai explorando novos caminhos... por sua conta e risco, com a certeza que a curto prazo não tira nada de lá e, com a esperança, de que no futuro aquilo possa dar em alguma coisa. No meio deste exercício lá anda com o pingarelho do interruptor para cima e para baixo, para um lado e para o outro: trabalho A; possível trabalho B; explorar caminho C... Se tudo correr bem, não se engana e vai no modo A para o destino A mas às tantas, quando se faz isto durante algum tempo, acontece o inevitável e lá se dá o curto-circuito e vem a vontade de dizer: "meus senhores, foi muito divertido, mas agora se não se importam vou ali fechar-me numa gruta durante cinco anos e já venho". Não acho que esteja tudo mal neste cenário porque, em última análise, obriga-nos a sermos os melhores que conseguimos ser, o que só pode ser bom, melhor ainda era se o mérito fosse reconhecido, porque para quem não tem vocação para correr no mesmo lugar, estas coisas amolentam. Mas pior que isto tudo é saber que, sendo este um "mal" da nossa geração (tirando aqueles que nasceram com o sim-senhor virado para a lua, os que têm bons padrinhos e os que somam a uma ou a estas duas variáveis o gosto por não ter de fazer grande coisa para provar o que valem) no lar de idosos para onde irei viver os meus últimos dias, vou ter de partilhar a algália com um monte de gente esquizofrénica ou bipolar fruto destes malabarismos pessoais e profissionais.
Agora vou ali apanhar sol para ver se a neura passa.

2 comentários:

  1. Ui.... Isso está bonito!! Por estes lados a coisa não está melhor... Cheira-me que vamos parar as duas ao mesmo lar... Quem sabe partilhamos a algália?! :)
    Beijinhos da costa alentejana, Xana

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  2. O que te vale é que tensna mana pata que ainda que partilhe lar ctg não te deixará partilhar algália nenhuma...;)) a menos que o alemão me chegue mesmo muito forte...

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