quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Carta a 2014:



2014,

Se não tivesse posto o filtro começaria esta missiva por te mandar a um lugar feio (a que acrescentaria um diminutivo para a coisa não ser tão agressiva) e muito provavelmente continuava a insultar-te por mais umas 30 linhas mas a verdade é que acredito no karma (e nas estrelas cadentes, horóscopos, numerologia, entrar com o pé direito... e tudo mais que possa haver) e por isso vou antes dizer que, à tua conta, aprendi muito. Não sou apreciadora do estilo tough love (quando aplicado a mim) mas, se teve de ser assim, então a malta aguenta. E o que aprendi eu? Vamos lá ver... Relembrei o que custa dizer Adeus a um Amigo... Aprendi (não só à minha custa) que afinal o mundo do trabalho é um Jardim Zoológico e, por isso, estamos rodeados de sanguessugas, cobras e répteis de sangue frio. Ainda na lógica do mundo animal, aprendi que tenho que encontrar a minha inner bitch e deixá-la vir pastar cá fora mais vezes e marrar contra quem a chatear (haverá algum xamã especializado nesta forma de pombagirismo?). Aprendi que os amigos que estão a 200km me fazem muita falta... às vezes o telefone não chega e é mesmo preciso um colinho para chorar até dar para rir... Aprendi que aos 30 e alguns não é fácil fazer amigos (daqueles que arranjam tempo só para nos ouvirem dizer parvoíces, para tomar café e para aliviar o fardo da cara metade que tem que ser tudo para nós). Aprendi que aqueles que eu achava que eram os meus limites afinal não são e consigo ir um bocadinho mais além... só não sei o quão mais além terei de ir e desconfio que não dá para muito mais. Aprendi que tenho de arranjar maneira de ser ainda mais organizada e que tenho de arranjar estratégias para encontrar motivação, energia e inspiração para perceber o que ando aqui a fazer (não aqui no blogue... "aqui" no geral). Terei aprendido outras coisas... todas com a suavidade de quem entala um dedo na porta enquanto arranca pêlos do nariz. Percebi a mensagem... aliás, já tinha percebido em 1996, 1999, 2008, 2011. Que fique registado, para memória futura, que a lição está aprendida! Ainda assim, e para que as entidades místico-esotéricas tenham o registo escrito da minha gratidão, fico muito reconhecida pela saúde da Sardanisca, pela nossa e por termos o essencial.
Agora, e porque acho que tenho toda a legitimidade para te fazer um pedido, dá aí uma palavrinha a 2015 e diz nós levámos com a nossa dose de realismo este ano e que estamos despachados para mais de duas décadas... pelo menos, e que por isso pode ser meiguinho e, na loucura, até nos pode dar uns presentinhos simpáticos!

Adeuzinho e vai pela sombra.

Sempre a considerar-te.

Guilhim Maria

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