sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Não me sai um título para este post





Aqui há tempos contaram-me uma piada sobre os efeitos da ordem de nascimento no comportamento dos pais:
- Quando o primeiro filho engole uma moeda liga-se o 112, vai-se em marcha de emergência para o hospital e reza-se a todos os anjinhos para que o petiz fique bem;
- Quando o segundo filho engole uma moeda espera-se em casa que a dita saia pelo dito, põe-se o corpo estranho num saquinho e vai-se até ao médico apresentar o caso;
- Quando o terceiro filho engole uma moeda, desconta-se da mesada.

Ora, eu sou a segunda filha. Hoje, à distância de muitas birras, de muito choro, de muito "vocês ligam mais à minha irmã do que a mim", "porque é que não fui eu a nascer primeiro" e de uma tese de licenciatura intitulada "Os efeitos da ordem de nascimento no comportamento e traços de personalidade" (sim, era parva a esse ponto) percebo que se calhar ser-se o mais novo não é assim tão trágico... aliás, é capaz de até ser uma sorte. Mas há verdades que não podem ser escamoteadas... É tudo herdado, não há cá tempo para grandes apaparicanços e mimos e apanha-se porrada do irmão mais velho (mesmo quando somos maiores que eles e até nos podíamos defender). No meio de todas as inquietações e dramas o que verdadeiramente ainda não ultrapassei foi a questão do album fotográfico. E acho que tenho motivos. A minha irmã tem um album com 9874239085 páginas, perfumadas e pintadas à mão por um velhinho cego com uma pena de pavão albino, dando à corda o album deita som e faz projecções de hologramas enquanto tira bicas. O meu é um caderno com três folhas, e numa delas não há fotos, é feito de papel reciclado e desconfio que foi comprado em 1992 quando perguntei aos meus pais se tinha sido adoptada porque não havia fotos minhas nem da minha mãe grávida de mim*. Tendo em vista esta questão resolvi fazer à minha miúda (e aos que vierem a seguir) não um album mas diários ilustrados com fotos. Comprei um Moleskine (que entretanto já acabou) e, ainda durante a gravidez, comecei a escrever e colar fotografias. Sempre tive imensa curiosidade sobre como teria sido a gravidez da minha mãe, como tinha sido eu em pequena, como e quando comecei a fazer e a dizer coisas (não que os meus pais não me digam mas é tudo na base do "eu acho que foi blábláblá... ou então isso foi a tua irmã" o que me deixa mais ou menos na mesma). Tenho a noção que se estes diários sobreviverem só lhes acharão piada lá para 2060 mas ainda assim acho que pode ser engraçado e sempre se foge ao belo do album cheio de ursinhos e lacinhos e o raio! Entretanto vou começar o segundo que comprámos na Feira do Livro e tem na capa uma ilustração linda da Princess Pea. De Princesa para Princesa, portanto.

*É possível que este meu discurso tenha sido um pouco exagerado... o album da minha irmã é "gordo" e tem música e o meu é de facto pequeno e tem meia dúzia de fotos.

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