sexta-feira, 8 de março de 2013

Alguém me dê um estalo!



Estamos em fase de preparar a casa para a vinda da cachopa e numa das nossas idas ao Ikea encontramos um sofá com €200 de desconto (!! e não, não era nas "oportunidades" [de levar uma coisa suja e estragada]) que era aquilo que queríamos e que precisávamos. Fiquei contente da vida... até que me lembrei que nos teríamos de desfazer dos sofás velhinhos. É que aqueles que estávamos a usar apesar de serem desconfortáveis, de terem um cor feia e de estarem a precisar de ser estofados, eram os sofás em que eu e a minha irmã crescemos. Tivemos a sorte de crescer num sótão que estava por nossa conta (e por conta dos milhões de vasos de plantinhas pequeninas de papai) e aqueles sofás eram o "tapete" onde imitávamos a Nadia Comaneci em cambalhotas, rodas, mortais encarpados à retaguarda e tudo mais que o nosso corpo e os desgraçados dos sofás aguentassem. Era ali que víamos televisão com a cabeça ao contrário e onde dormíamos valentes sestas (essa parte não mudou... todas as noites o primeiro sono é feito no sofá). Mas a verdade é que os tipos têm quase 40 anos... e sempre que nos sentamos neles batemos ou com o rabo no chão ou na estrutura de madeira. Apesar de saber isto tudo, fico com o coração apertadinho por saber que nos temos de desfazer deles. A verdade é que para voltarem a ter serventia temos de gastar um bom dinheiro (tanto quanto o de um sofá novo) e levá-los de volta para a garagem de onde vieram (em Coimbra) é estar a adiar o fim que se adivinha, acrescido do dinheiro do transporte. Já contactei instituições para os irem buscar, mas a coisa é mais complicada do que eu imaginava e a alternativa não me satisfaz porque não me agrada a ideia de os deixar uma noite ao relento para os senhores da Câmara os irem buscar... além do mais está a chover e parece-me pouco digno deixá-los à chuva depois do tanto que viveram connosco. 
Agora é a parte que eu paro para me lembrar que estou a falar de sofás... ainda assim, tudo o que escrevi continua a fazer sentido e o sentimento de culpa não me abandona... Será das hormonas?

14 comentários:

  1. Não são as hormonas, são memórias fantásticas vividas num sofá. Custa desfazermo-nos de objectos que nos trazer tantas e boas memórias.
    Um beijo de bom dia... ...

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    1. É pá... mas nunca pensei que fosse menina para estas crises...

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  2. Não, não acredito que seja das hormonas. As pessoas também se afeiçoam a bens materiais, especialmente quando vêm carregados de memórias e de valor sentimental. Eu compreendo-te perfeitamente, muitas vezes também fico assim quando sei que vou ter de substituir algo antigo, o qual gosto muito, por algo novo porque tem mesmo de ser... *

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    1. Fico contente por não estar sozinha nesta dor... E por muito que racionalize, não consigo deixar de me sentir meio desconfortável com a decisão!

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  3. Se estivesses em Coimbra, dava-te o número do senhor que veio buscar o meu e que o levou para uma IPSS. E não... também não gosto da ideia de deixar os sofás à chuva. O sofá é um bocadinho da alma de uma casa, bolas :)
    Beijinhos, princesa :)

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    1. R. eu ainda liguei para um série de instituições, mas ou não estavam interessados, ou não tinham disponibilidade, ou iam ver se podiam vir cá... é bem mais complicado do que estava à espera!

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  4. Bom dia Guilhim Maria!
    E não é que estava a ler esta justa homenagem aos sofás com uma lágrima no olho! Adoro os teus textos ora brincalhões ora a puxar para o sentimentalão!

    Bjs.
    Lina Ferreira(Não me conheces,ou se calhar até sim).

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    1. Ainda hoje a falar com a minha mãe ao telefone já estava com a lagrimita a espreitar quando ela me diz: "não estás a chorar, pois não?"...

      Conhecendo ou não, que seja muito bem-vinda Lina!

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  5. São as nossas recordações de coisas boas de bons momentos, de uma vida.
    Podes-lhe chamar hormonas, eu chamo-lhes boas memórias

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    1. E este sofás têm memórias que nunca mais acabam!

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  6. Não creio que sejam as hormonas... Eu também sou um tanto ou quanto sentimental com alguns objectos da minha infância. Felizmente não tão grandes. Mas todos reunidos ainda ocupam algum espaço. Por acaso tenho pensado em desfazer-me de alguns, pouco a pouco... mas no teu caso não há hipótese... É deitar o coração ao alto e esperar que pare de chover ;) coragem!

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    1. Pois... Confesso que compreendo um bocadinho aquelas pessoas que acumulam a vida! Logo eu, que sempre fui bastante desprendida e que achava que tinha a capacidade para filtrar o que era importante do que não era!

      Sabe bem saber que não estou sozinha!

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    2. Há sempre mais um "louco" com a mesma "loucura" que nós ;)

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  7. Compreendo perfeitamente... não são uns monos quaisquer... levam com eles muito de vós!

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