terça-feira, 4 de setembro de 2012

Ele há gente que pensa!



Um amigo meu (obrigada David) partilhou no facebook o link para o "Um blog idiota do Luís Miguel Sequeira". Pouco percebo de finanças, prova disso é que há não sei quantos anos que há gente a viver de talões de desconto e só hoje é que pela primeira vez na minha vida, consegui gerir promoções e cartões suficientemente bem para "poupar" quase €6 em compras e "ganhar" €0,05/L de "desconto" em gasolina. Para mim este feito foi de tal ordem que já me estava a considerar a Engenheira financeira com mais pinta da Península Ibérica! A cagança foi por água abaixo quando li (e até compreendi o essencial) a proposta do tal "Idiota" (parece que sim, que é pessoa para ter ideias) que levaria os senhores que mandam nos multibancos a piar fininho. Com o nada que percebo do assunto, não sei se a ideia seria viável ou não (no mundo onde os unicórnios andam soltos e felizes e os campos estão cheios de margaridas em flor) mas que me pareceu muito bem sacado, isso pareceu! 

O artigo pode ser ligo na integra aqui. Abaixo fica a minha escolha de algumas das ideias principais:

Como é sabido, a SIBS está a alterar as comissões sobre os processamentos das transacções via Multibanco. Ou seja: ao fim de duas décadas de confortável crescimento, em plena crise financeira (e social!), acharam por bem aumentar ainda mais os seus lucros — agora. Se a estupidez congénita dos banqueiros fosse tangível, poderíamos exportá-la e pagar à Troika o que devemos num instantinho. Assim sendo, tal como o nosso Governo com os impostos, a SIBS está a dar tiros no próprio pé com uma caçadeira de canos serrados.As reacções não se fizeram esperar. (...) Mas a verdade é que duvido que qualquer uma destas medidas surta efeito. (...) É que é verdade que a SIBS é uma empresa privada, mas age em regime de monopólio. (...) Em teoria, este tipo de empresas tem de ser muito mais regulamentada quanto às coisas que pode ou não fazer. (...) Idealmente, claro, não existiriam monopólios. Mas este não é um mundo ideal. Idealmente também, claro, a Autoridade da Concorrência limitaria a capacidade da SIBS em abusar do seu monopólio (como limita outras entidades), mas a SIBS é especial: é que todos os seus accionistas são bancos. E contra estes ninguém tem coragem para agir. 
Bom, temos um Ministro das Finanças que não é propriamente um Mr Nice Guy. Eu se fosse ao Vítor Gaspar convidava os banqueiros accionistas da SIBS para uma conversinha particular. E apresentava-lhe o seguinte problema: o Estado é um utilizador do serviço Multibanco. Milhares de milhões passam todos os dias pela SIBS, tanto para fazer pagamentos de salários, pensões e bolsas, como para receber praticamente a totalidade das receitas de impostos, segurança social, taxas, multas e coimas. Sobre tudo isto o Estado português paga toneladas de comissões. (...) Ora, no interesse em fazer contenção da despesa, o Estado português iria deixar de usar o Multibanco… passando a usar um sistema próprio. Incrédulos, os banqueiros rir-se-iam na cara de Vítor Gaspar, pois o investimento numa estrutura paralela à do Multibanco custaria milhares de milhões e levaria anos, senão décadas, a implementar. E confiariam os portugueses num «ATM do Estado Português»?Mas a verdade é que Vítor Gaspar não precisa de investir nada. É que o Estado português já tem um sistema paralelo em funcionamento. Na realidade, já o tem há alguns séculos: chama-se CTT. Os CTT (...) são das raras empresas públicas que dão lucro. E não é pouco: contribuem com cerca de 1,5% do PIB, o que não é nada mau. Prestam em geral um bom serviço: só quem já teve de lidar com correios «estrangeiros» é que aprecia verdadeiramente a qualidade do serviço dos CTT. Estranhamente, fora do sistema bancário, os CTT até emitem a coisa mais parecida com «moeda»: um selo «vale» dinheiro, e pode ser usado como tal (...) Os balcões CTT não vendem apenas selos — há muito tempo que fazem muito mais do que isso, e são pequenas lojas que vendem coisas tão diversas como livros e CDs. Mas os CTT também têm um operador móvel. Têm um sistema de pagamentos anónimos conhecido por PayShop, que estende a rede de balcões CTT para aceitar pagamentos em 4000 lojas espalhadas por todo o país. Aceitam pagamentos de todo o tipo de coisas — luz, água, telefone, impostos… E gerem, claro, os famosos certificados de aforro, tão odiados pelo sistema bancário por lhes fazerem concorrência directa, mas que Governo algum os conseguiu abolir.Ironicamente, os CTT não usam Multibanco, excepto em algumas (muito raras!) estações de correio. Uma vez perguntei porquê. Eles responderam que não conseguiam chegar a acordo com a SIBS àcerca das comissões.
(...) Ora bem. Olhemos bem para isto. Uma entidade que já é do Estado, que está presente em todas as terriolas do país (Continente e Ilhas) — mas que estende a sua rede para fora dos seus balcões via PayShop. Todos os balcões, próprios e de terceiros, estão interligados informaticamente. Tem um operador móvel. Gere uma quantidade estupidificante de dinheiro que passa pela sua rede de balcões, e, além disso, emite «produtos bancários». Na realidade, muito antes de haver computadores nos bancos portugueses, já se podia enviar dinheiro pelos CTT: o vale postal existe há eternidades. Não são, pois, uns «novatos» a transferir dinheiro entre pontos remotos: já o faziam muito antes dos bancos saberem como. Ironicamente, no século XIX, os bancos usavam os CTT para transferir dinheiro via telégrafo instantaneamente: os CTT foram a primeira rede Multibanco do país para transferências bancárias… (...) Mas, como disse, eu se fosse o Vítor Gaspar, na minha atitude de «eu não sou uma pessoa simpática», fazia apenas um sorriso amarelo e dizia:— Eu não posso interferir no mercado livre. Talvez a SIBS seja um monopólio ou não, não sei; se é, a Autoridade da Concorrência que lide com o problema; eu não posso legislar àcerca do que a SIBS faz ou deixa de fazer. Mas posso, e devo, poupar os custos do Estado. Não tenho de andar a suportar os lucros da SIBS. Se tenho a minha própria rede paralela de transferência de dinheiro — e, note-se, as pessoas já pagam ao Estado através dos CTT, não é uma novidade! — então devo usá-la. No entanto, para agilizar o processo, vou conceder um alvará bancário aos CTT.Imaginem o rosto dos bancários aflitos.(continua)

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