sábado, 21 de janeiro de 2012

É que fico furibunda quando me atiram areia para os olhos

photo by PAULA_VIEYRO @ flickr

Sou das que acham que a melhor maneira de limpar a crise do nosso cenário é a trabalhar, a fazer sacrifícios que espero, e só posso mesmo esperar, que valham a pena. Não vale a pena fingir que não estamos atolados até ao pescoço em caquinha que não saiu dos nossos reais mas pobrezinhos traseiros. Perguntem-me se estou disposta a trabalhar mais meia hora por dia para manter o meu posto de trabalho e eu respondo que até trabalhava duas. Não concordo com a política, não me agrada a ideia de dizermos adeus a algumas regalias sociais (das quais só usufrui por dois anos) e acho que estamos a andar para trás... mas se a solução de andar para a frente equivale a cair no buraco, viro caranguejo sem problemas. O que me deixa a espumar é o fazerem pouco de nós. Então o nosso presidente (a minúscula é propositada) vem dizer que, coitadinho, vai ganhar 1300 euros de pensão. Será que ele tem ideia que existem famílias inteiras que se governam com metade disso? Ou será que tem ideia que uma família em que existam os tais 1300 euros, deixa de ter qualquer apoio social (habitação, transportes, educação saúde) e que dificilmente se chega ao fim do mês com o suficiente para poupar (como ele e a sua Maria fizeram durante tantos anos de feliz matrimónio)? É que de facto, 1300 euros dificilmente cobrem as despesas de quem tem de pagar uma casa, de quem tem filhos para educar, de quem tem que se deslocar para o trabalho... Mas o pior nem está aí?! Está no facto dele ter usado a referência dos 1300 euros quase como uma anedota, uma caricatural! É que apesar de não se ter acanhado em falar dos tais 1300 e de como tinha abdicado do vencimento como presidente, esqueceu-se de referir dos 6000 a 8000 euros que vai receber pelo Banco de Portugal. Trabalhou para os ter e deve usufruí-los como bem lhe der na mona! Hey, até pode fazer uma fogueirinha de notas... Não venha é fazer-nos de burros a dizer que vai vencer 1300. Essa é a realidade de muitos da geração dele, que trabalharam em cargos de responsabilidade durante décadas tal como ele, mas não é a realidade dele.

Não consigo imaginar o que esta professora dirá desta notícia, mas faço uma ideia.

3 comentários:

  1. Ontem chamei-lhe tantos nomes, pá!!!

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  2. R: vi o teu post e assino por baixo!! para não variar, incrivelmente escrito!

    Goldfish: era dar-lhe só os 1300 e mandá-lo safar-se só com esses "trocos"!!

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