segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Diário de uma provinciana #1

Lá na terrinha de onde venho há aquele hábito estranho de segurar a porta para que o transeunte seguinte evite de levar com ela pelas trombas e facilitando assim a vida ao próximo. Existe uma espécie de ritual que, podendo parecer simples, de facto não o é: ora se a pessoa for mais velha dá-se-lhe passagem normalmente anunciada por um "faça favor", se possível ilustrado por um sorriso. Caso não seja possível identificar uma hierarquia etária prevalecerá o bom senso (tricky, tricky... I know...). Em retribuição a outra pessoa agradece (o sorriso continua a ser facultativo mas desejável) e - olha o inesperado - segura a porta, desta vez para evitar que a dita cuja bata no "dito cujo".

imagem daqui

Por aqui, pelo que percebo, a ideia é a proporcionar a quem sente a vocação para porteiro um estágio grátis! Sempre que seguro a porta as pessoas passam, é um facto, mas não fazem mais nada. Não agradecem, não retribuem a gentileza, não nada! Passam e continuam a passar! Apesar de já ter percebido a mecânica "capital" da coisa, vou insistir na minha forma provinciana de cordialidade. Assenta-me bem, o que fazer!

4 comentários:

  1. Acho que fazes muito bem! Eu tenho a mesma educação «provinciana», mas dou por mim muitas vezes na mesma situação que tu: a fazer de porteira às gentes citadinas... Fico possessa e geralmente remato com um 'deixe lá, estou aqui para isso...' acompanhado de um sorriso amarelo, claro...

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  2. Eu normalmente fico caladita... mas o outro dia saíu-me um "de nada" e a cara de parvo de homem que entrou sem dizer nada! Impagável!

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  3. Logo o título captou a minha atenção, já que sempre disse que venho da/vivo na província! :)

    Confesso que essa de segurar a porta nunca me aconteceu, mas recordo bem o meu provinciano hábito de, quando cheguei à capital, dizer Bom dia! ao motorista sempre que entrava num transporte público... Entre trombas, um Bom dia amargamente retribuído entredentes, ou a mais frequente indiferença, acabei por ser vencida pelo cansaço... pelo menos na capital...

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  4. Anna: a história do "Bom dia" também é um dilema que tenho! Para mim o desafio é mesmo não perder o provincianismo se ele significar educação e cordialidade!

    Beijinhos

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