segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Vou falar-vos de um curioso personagem, Jeremias o fora-da-lei

Este, não era descendente por linha travessa do famigerado Zé do Telhado! Mas é da mais pura linhagem rafeira, com tudo de maravilhoso que os rafeiros têm!


O Jeremias entrou aos "gritos" na minha vida! Literalmente! Foi atropelado em frente à porta do prédio onde a minha mãe vivia e o cabrão que lhe tocou (na verdade foi só um toque), seguiu como se nada fosse. Depois de descobrir que ele estava debaixo de um carro estacionado, sentei-me na berma do passeio e fui falando à bébé, até que ele num ápice se aninhou debaixo das minhas pernas! Dois minutos depois, estava com aquele bicho assustado ao colo e a caminho do veterinário ao fundo da rua. Tinha um arranhão na pata. Sigo para casa do meu Pai com o discurso pronto... não ia ser fácil, afinal, havia o coelho Barnabé, a Bia, o Rex, o Gullit, os peixes Lelo e Lela e a rola Rodolfo: 

"Pai, é só por uns dias, já estou a tratar de arranjar um dono". 

A verdade, é que tinha sido o sacana do cão a encontrar a dona! Apesar dos protestos de papai, o Jeremias ficou! Não se podia ralhar com ele, nem falar alto, nem fazer muito barulho, porque a cauda logo se aninhava entre as pernas e ele ficava colado ao chão de tal maneira que se misturavam! Aprendemos rápido, que só o podíamos repreender com festinhas, que a nossa sombra tinha sempre 4 patas, que a porta da nossa casa tinha 12kg de guardião, que os passeios em busca de orquídeas selvagens, só aconteciam com companhia canina, que qualquer ataque de choro, próprio da adolescência, tinha sempre um focinho tricolor a amparar as lágrimas, da mesma forma que os pôr-de-sol mais bonitos surgiam apenas quando os nossos quatro olhos se combinavam no alpendre. Chegou a ir à Faculdade comigo e à casa que quase foi uma República de Antropólogos, apesar de não gostar de confusões. Na Nazaré, nunca achou piada ao mar...

Quando ao fim de 8 anos começou a ficar doente, fizemos tudo: transfusões, internamentos, dieta de carne vermelha, até que percebemos que estavamos a ser egoístas e que se o Jeremias resistia era por nós e não por ele! Saíu da nossa vida em silêncio! 

Lembro-me muitas vezes dele, mas desta vez resolvi relembrá-lo aqui!

7 comentários:

  1. Concordo!
    Adoro este post! Merece adaptação para a grande tela! :)
    Quiss quiss!

    ResponderEliminar
  2. R: é mais do que um texto, é mesmo uma parte boa de mim!

    Pitéu: só se for uma curta metragem daquelas ternurentas...

    ResponderEliminar
  3. Há pancadas que nunca lhes passam mesmo, não é? A minha Luna está bem melhor com as pessoas mas desconfio que ter vivido na Holanda e ser apaparicada e elogiada por toda a gente ajudou muito.

    ResponderEliminar
  4. Fica lá sempre alguma coisa... mas notava no Jeremias, que crescia para o que quer e quem quer que fosse se estivesse ao nosso lado! Se a coisa ficava mais complicada, aparecia ao pé de nós, de orelhas baixas a pedir miminho (encostava o focinho ao nosso peito depois de pedir colinho...), mas depois ia à vida dele, com a confiança restaurada!!

    Tenho a certeza que a Luna se sente cheia de coragem para enfrentar tudo, mas a verdade é que os cães são bichos mimalhos e cheios de amor, por isso aproveitam todas as oportunidades para festinhas!!

    Ai as saudades...

    ResponderEliminar
  5. Que lindo
    "O discurso preparado para o pai"....tal qual eu e a minha irmã, com todos os animais que tivemos, uns apanhados na berma da estrada, outras trazidos dentro da mochila de regresso da escola primária... só quem tem animais e que gosta deles assim, como tu, é que compreende...
    Dói, dói, dói tanto, quando eles partem
    Sandra

    ResponderEliminar

Aviso à navegação: como sou eu que mando neste estaminé, quando não gostar dos comentários não os vou publicar. Temos pena mas é a vidinha. Todos os outros comentários são bem-vindos!