quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Uma questão de Geografia

A National Geographic deste mês, apresenta uma reportagem sobre o "exército chinês de terracota". São impressionantes as mais de 8 mil figuras, finamente esculpidas e pintadas, reflectindo a imagem e vontade de soldados, oficiais e suas montadas, se apresentarem no outro lado da morte, junto ao seu imperador Qin Shi Huan.
Datadas com cerca de 2000 anos e trabalhadas ao longo de 38, por mais de 700.000 pares de mãos, foram descobertas em 1974 em Xiang (China) (National Geographic, Janeiro, 2010: 3-17).

 



Photo @ Flikr by murdocke23
 

Pouco depois da morte do imperador chinês, durante a Segunda Idade do Ferro, na região norte de Portugal (Minho e Douro), foram esculpidos em granito, pelo menos 15* guerreiros Luso-Galaicos. Estes guerreiros castrejos, cumpriam uma missão perpétua, conferida sua condição pétrea: a de guardar a almas e o territórios. (Re)descobertas no século XIX por Martins Sarmento, os mais de 2 metros de algumas destas estatuas sepulcrais, impõem um respeito da ordem do divinal a quem as defrontou e defronta. Mantêm-se hieráticas, fieis ao seu desígnio, zelando agora, pela memória de um tempo que foi deles mas que chegou até nós.
 



MNA: Monólito esculpido, representando uma figura de guerreiro, em posição hierática. Apresenta-se vestido com "sagum", com decote em "V" e manga curta, cingido por um cinturão, com 4 nervuras paralelas. A cabeça é proporcionada, exibindo um cabelo curto que deixa livres as orelhas, barba e bigode. Ostenta todos os seus atributos, quer bélicos: como um pequeno escudo ("caetra") redondo e plano, com umbo, decorado com motivos de tipo "labirinto", presa na mão esquerda com correias cruzadas no antebraço, e na mão direita, empunha um punhal triangular curto, com pomo discoidal, introduzido numa bainha com conto de perfil circular e linhas transversais de possíveis travessas; quer honoríficos (insígnias de poder), ostentando no pescoço um "torque" com aro aberto e em cada braço uma bracelete ("viriae") de três toros.

* O Museu de Nacional Arqueologia: possuiu oito destas estátuas, sendo quatro provenientes do castro de Lesenho (Montalegre), uma da freguesia de Capeludos e três do castro de Cendufe;
Museu de Viana: possui uma estátua, proveniente de S.Paio de Meixedo; Vila de Cabeceiras de Basto: estáuta denominada «O Basto», à entrada da ponte; Museu de Etnografia e História, do Porto: uma estátua procedente das ruínas castrejas de Monte Mósinho (Penafiel); Museu de Guimarães possui este exemplar e ainda outro (n.º 93), proveniente de Santo Ovídio (Fafe); Menção bibliográfica de mais três estátuas que estarão extraviadas ou destruídas, sendo uma procedente dc S.Martinho de Britelo e duas de território galego (Celanova e Barrio).

Bibliografia
Leite de Vasconcelos, J. 1902. Estátua de um Guerreiro Lusitano. O Archeologo Português: 23-36;
Vitória, Ana. 2008. Guerreiros Castrejos em Exposição. Jornal de Notícias [17.09.2008]
www.mnarqueologia-ipmuseus.pt
www.csarmento.uminho.pt

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