segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Deve ser dos brincos

Naqueles anos mais ranhosos da vida, aí entre os 12 e os 18, tinha a mania que era rebelde, má e alternativa (?!?):
- fui pseudo-hippie e punha ao pescoço tudo que pudesse parecer-se com um colar que andasse perdido lá por casa... uma meada de lã mais incauta, corria o risco de ir parar ao meu pescoço para fazer pendant com as túnicas manchadas;
- fui pseudo-gótica, mas só tinha uma saia preta comprida, por isso a moda durou pouco tempo, porque me fartei da saia;
- fui qualquer coisa que implicava roubar as camisolas ao meu pai, cortar as golas, as mangas, fazer uns furos e sair assim à rua;
- entre outras coisas mais ou menos deprimentes que passavam por fazer buracos nas calças com pedra pomes, andar com alfinetes d'ama por todo lado e outras misérias...


Mas, entre uma coisa e outra lá ia fazendo uns furos nas orelhas*. Os furos, ao contrário das melhores prespectivas da minha mãe**, lá foram ficando até aos dias de hoje. Não sei se por isso - já que andar toda furada é próprio da adolescência - volta e meia lá me tiram uma meia dúzia de anos à minha idade.
Este fim de semana tive a oportunidade de privar com um grupo de jovens de 16-17 anos. Na despedida desejei-lhes sorte para os estudos, eles simpaticamente fizeram o mesmo e depois perguntaram-me em que escola eu andava. Foi aí que lhes expliquei que já tinha feito o liceu. Ficaram espantados e perguntaram-me a idade, quando disse 28 deram um passo atrás e uma delas disse-me "Desculpe"...

Não sei o que é pior, ter sido confundida com uma adolescente ou ser passado em menos de nada, a "cota" com direito a tratamento formal!

* que tinham que ser negociados com a minha mãe no final do ano, de acordo com o número de 5 que conseguisse ter (mas tinham quer ser sempre mais de 5 para ter direito);
** o meu pai é uma pessoa especial e já andava na universidade quando ele se apercebeu que eu tinha as orelhas e o nariz furado. Foi um choque!

5 comentários:

  1. Não sei o que é pior: ter passado por isso tudo, ou não ter passado por nada disso!!! A verdade é que o mais ousada que soube ser foi afeiçoar-me a um arco de metal já um bocado ferrujento, mas que eu achava que dava um lindo colar. Ah... e de no Verão furar conchas para servirem de medalha. Convém referir que sempre me dei muito bem com vestidos e que a dada altura a tara era tão forte que tinha de usar as meias a condizer com a t-shirt. Gritos do Ipiranga?! Não estou a ouvi-los... Assim sendo, tenho muito medo, mas muito medo mesmo, que essa panca me bata quando for suposto ter um ar a atirar para o sofisticado. Atendendo a que no Verão do ano passado aderi à moda da rasta e este ano andei, pela primeira vez, com uma pulseira no pé... não sei se não ando a deixar sair coisas que deviam estar sossegadinhas por esta altura! Manias.

    Alfinetes de dama, tínha-os às cores e usava-os nas saias de ganga, a enfeitar!

    Um dia conto-te como é assustador ser tão dada ao cor de rosa :)

    P.S.: Se te disser que ainda hoje acho que lindo, lindo, são meninas com vestidos de bordado inglês e putos com meias até ao joelho, acho difícil não me chamares queque tarada para todo o sempre. Só por isso é que não te digo...

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  2. E o sucesso que essas orelhas esburacadas fazem entre a criançada da primária?!? Acham um espanto depois de confirmarem que são mesmo furos e não qualquer coisa colada...

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  3. heheheh

    gostei das metamorfoses !!

    a cota ...definitivamente ;)


    bj
    teresa

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  4. R.: nunca deste o grito do ipiranga porque não precisaste! já sabias o que querias e o que eras! algumas de nós têm que descobrir com o tempo e a experimentar!

    Continuando assim: bem-vinda! eu agora à distância também acho piada, mas a mãe Fatinha (a minha mãe) passou um mau bocado a gerir as minhas pancas todas... sem ser muito liberal nem muito conservadora! Acho que até se safou bem, mas sei que uns quantos cabelos brancos que agora mostra, são meus!!

    Goldfish: é verdade que os pequenitos acham piada! ficam a olhar como se fosse uma coisa do outro mundo! quando lhes mostro o brinco do nariz, tocam com o dedinho muito ao de leve e ficam meio sem reacção! Acho que lhes faz bem ver que há maneiras diferentes de se ser que não têm que ser más só porque são diferentes!

    Beijinhos a todas!

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