terça-feira, 8 de setembro de 2009

Gripe A

Ainda não se falou aqui da Gripe A, por isso cá vai!

Ao ouvir as notícias sobre a Gripe A surgiram-me dois pensamentos paralelos (se temos dois hemisférios cerebrais, os dois podem funcionar ao mesmo tempo para desenvolverem ideias diferentes... pelo menos os meus conseguem): estamos a criar uma geração de obsessivos compulsivos e isto há 25 anos atrás teria sido engraçado!

Cenário 1
Uma jornalista a pergunta a uma garota de uns 5 ou 6 anos o que é que ela pode fazer para evitar a Gripe A. A resposta foi
"- lavar as mãos, lavar muito as mãos... eu estou sempre a lavar as mãos!”.
Ora, pergunto eu, que de medicina não percebo nada - porque há quem tenha estudado muito para perceber por mim - mas não será isto um rastilho poderoso para os obsessivos compulsivos em potência? Ou até mesmo, para o mais normal dos cidadãos, que possa com isto entrar em paranóia? Não teremos nós, daqui a uns 10 anos que pagar, metafórica e literalmente por esta Gripe, que afinal se pode tornar numa psicopatologia? Ou estou a alunicar?

Cenário 2
O meu infantário era fantástico! Era tão bom, que durante a primeira classe arrastava a minha mãe até lá, para ir brincar com os pneus, voar nos baloiços mais radicais e apanhar “caracóis chineses*”. Se tentar imaginar um cenário de Gripe A em 1985 ou 1986 no meu infantário, não posso deixar de me rir. 1981 um ano fértil. Só a minha turma (dos “Ratinhos”+"Gatinhos") enchia a sala da sesta, com umas 30 alminhas a respirar, tossir e espirrar. Na hora das refeições valia de tudo (desde que a Mizé e a Gracinda não vissem): comer com as mãos do prato dos amigos, lamber os talheres do lado e por aí fora! Não que me fique bem dizer, mas não me lembro se lavava ou não as mãos depois de ir à casa de banho, quanto mais depois de espirar! Aliás, não me lembro de lavar as mãos de todo**! Na notícia que ouvi, diziam que as crianças não podiam levar brinquedos para a escola... tenho cá para mim que isso não pegava lá para os meus lados. Havia dois ou três companheiros que não me abandonavam: o xoné, o meu pequeno pónei e a speedy. Se os dois primeiros eram de plástico e espuma, a segunda era uma hamester bem real que anda sempre comigo... mas ela sim tomava banho! Todos os dias! Era eu que a lavava porque achava piada a vê-la nadar! Sádico eu sei...

Concluindo, se apanhei viroses várias, varicela, sarampo, papeira, pneumonia está visto que apanhava a Gripe A... mas também me parece iria ter um blog 20 e tantos anos depois para contar a história!

eu sou a miúda do bibe cor de rosa com uma grande mancha de baba-ranho logo a baixo do queixo
(Jardim Infantil da Universidade de Coimbra, 1984)

* ainda não consta da lista taxonómica dos seres vivos, mas foi uma espécie classificada por mim, depois de aprofundados estudos que resultaram de bolsos de bibes e carteirinhas (que a minha mãe insistia em me fazer usar) cheios dos ditos bichos, que me faziam lembrar o chapéu dos chineses.
** prova disso é uma cicatriz que tenho na testa de uma infecção que fiz por mexer na areia e na terra do recreio e depois coçar a testa até fazer ferida... sempre fui uma rapariga esquisita... não é de hoje

3 comentários:

  1. Isto é o que se chama o terror pelo medo. É preciso manter as pessoas a terem medo de alguma coisa. Ou dos terroristas, ou de uma gripe, ou de umas vacas loucas,... É também uma forma de homogeneização do pensamento e das atitudes. Se toda a gente pensar e fizer da mesma maneira, é mais fácil para os grupos e as pessoas que têm mais dinheiro fazerem subjugar o alheio. Por que ainda por cima, eles terão o antídoto: ou é uma força de elite especial que vai matar esses terroristas, ou uma vacina milagrosa que só eles possuem...

    ResponderEliminar
  2. Diria a minha mãe que é televisão a mais! Não houvesse tantas notícias e malta passava por elas sem saber, como antigamente!

    ResponderEliminar
  3. Pois... eu cá não me conformo com terem acabado com a areia nos parques infantis!!!! para não falar em todas as diversões que podem arranhar, partir cabeças, etc. etc. etc.

    Qualquer dia os putos partem uma unha e são hospitalizados em estado grave pela infecção e "traumas" físico e psicológicos!

    Ainda me lembro de descer cerca de 3 ou 4 metros agarrado a um tubo (estilo bombeiro) ao qual me "esqueci" de entrelaçar as pernas :-] resultado: fiquei sentado no chão pois as pernas não aguentaram a velocidade :-D aprendi logo que as pernas servem para alguma coisa! :-D

    C. (aka S.)

    ResponderEliminar

Aviso à navegação: como sou eu que mando neste estaminé, quando não gostar dos comentários não os vou publicar. Temos pena mas é a vidinha. Todos os outros comentários são bem-vindos!