quinta-feira, 9 de julho de 2009

Rodolfo


"O" Rodolfo faz parte de um determinado tipo de fenómenos que eu desconfio que só acontece na minha família.

"O" Rodolfo chegou ao Castelo do Pai G. há uns 12 anos. Estava o meu progenitor no pomar, quando a dita criatura pousou numa árvore, meio atordoada e com algumas penas a menos. As pistas avolumam-se e a esta altura já deu para perceber, que pertence ao Reino Animal e à Ordem dos Passariformes. Como família composta por biólogos e afins, temos* tendência para acolher todo o género de bicho careta que resolva dar um ar da sua graça. Rapidamente foi baptizado de Rodolfo porque tínhamos 50% de hipóteses de acertar no sexo do bicho (pertencendo a uma espécie monogámica não há dimorfismo sexual associado**). Procuramos no guia para aves e chegámos à conclusão que se tratava de uma Rola Turca (Streptopelia decaocto, da família Columbidae)

Ora, depois de percebermos que o pobre animal estava confuso, desorientado e faminto, tratámos de o levar para casa e proporcionar um ambiente mais agradável e seguro. Arranjámos uma casinha** porque deixá-lo fora de casa era o mesmo que chamar-lhe Friskies saquetas! Durante um mês viveu no meu quarto. Tentámos várias vezes que voasse, mas logo a seguir aterrava rapidamente e ia a andar tipo pinguim para dentro de casa! Uma noite, ao fim de alguns meses, piou! Achamos que estava refeito de qualquer episódio traumático que lhe pudesse ter acontecido. Passou a andar à solta, mas dentro de casa, apesar das janelas e portas abertas.

A residência oficial passou a ser a varanda e a mudança de ambiente teve um efeito inesperado: de um momento para o outro, talvez ao fim de um ano de estar a viver connosco, começou a pôr ovos como se não houvesse amanhã! O nome tornou-se um pouco desaquado, mas ficou...

Há alguns anos, um Rolo Turco, apaixonou-se por ela! Pensámos que a nossa história ia ter finalmente um desfecho feliz! Ao fim de uns meses de côrte, resolvemos deixá-los sózinhos para terem a intimidade necessária para se conhecerem melhor. Pouco tempo depois, estava o Rodolfo a dar uma malha do pior no pobre pretendente. Contudo, é um doce connoco! Sempre que nos aproximamos dela, e falamos ela corresponde com muita cantoria e muito tremelique de asa... Já não bastava a confusão de género/sexo (não sei bem qual o designativo mais apropriado neste caso) padece de um outro mal, uma confusão de espécie! É que "o" Rodolfo pensa que é humano...

Agora "o" Rodolfo, que já vai tendo uma idade considerável, vê-se no meio de um triângulo amoroso, vejamos: o bogas tem uma fixação pelo Rodolfo e o Aimar pelo Bogas sendo que o Rodolfo acha que em vez de Streptopelia decaocto é antes Homo sapiens e por isso tem uma atitude parternalista com os dois... o que não deixa de ser perigoso porque o Bogas tem 40 kg e podia matá-lo de tanto amor e o Aimar acha que nos deve dar passarinhos de presente pela manhã!

É ou não é uma animação a vida no Castelo?
...e ainda falta falar do Barnabé (que apesar de nome de coelho era uma coelha), da Speedy, da Bia, do Rex, do Sleepy, do Flash, do Gullit, do Bobby (tinha de haver um), do Cocas, do Lelo e do Jeremias (o fora da lei)...

* este temos deve ser lido num sentido mais restrito... até porque os animais providos de penas e asas, provocam na mana um misto de pânico e nojo! que é como quem diz que tem fobia a estes bichos
** impressive ãnh... fiz o estágio de final de curso num laboratório de etologia! alguma coisa tinha que ficar
*** gaiola é feio...

2 comentários:

  1. OMG... Então esse(a) é o famoso Rodolfo! :)

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  2. Bem sabes como adoro animais, desde os caracóis e às aranhas que tento defender de palmadas inusitadas, até aos cães... Mas tenho um problema qualquer, que não consigo explicar, com bicos e asas... Haverá explicação no teu manual de biologia?

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