segunda-feira, 1 de junho de 2009

Os meus pés

os meus pés nas Maldivas

Sou uma rapariga que faz umas associações de ideias bastante estranhas, assim do campo da psiquiatria. Esta surgiu-me há pouco quando começava a morrer de saudades do dia de praia que este ontem: sol quente e mar daquele que não dá vontade de sair!

A associação de ideias:
- Recapitular o dia de praia na Figueira da Foz;
- Figueira da Foz - Nazaré: onde normalmente costumo ir;
- Nazaré - "Pele bronzeada": ver como é que o sol da Figueira me tratou;
- "Pele bronzeada" - "Marcas brancas": esqueci-me de tirar as pulseiras e o anel do pé
- "Marcas brancas" - "Anel do pé"
- "Anel do pé" - "ai que tenho uns pés tão feinhos e sapudinhos": os meus dedos pequinos são realmente feios e deformados;
- "o meu dedo pequino é realmente feio e deformado" - "atropelamento a veraneante no ano de 2004": foi mais ou menos um atropelamento e fuga e quem fugiu fui eu!

Foi neste ponto que me lembrei desta história que acho bonita de contar a uma segunda-feira de manhã!
Ora, corria o mês de Agosto de 2004 e eu tinha arranjado um trabalho de férias de Verão na Nazaré. De segunda a sexta entrava às 9h00 no Centro Cultural para ficar a antender na feira do livro. Numa qualquer manhã, estava já ligeiramente atrasada - e se há coisa que não gosto é de chegar depois da hora marcada - e assim, em vez de ir no meu modo de passeio fui em passo bastante acelerado para chegar a horas. Nas ruas mais estreitinhas - e há muitas na Praia - ia com sucesso e segurança, esquivando-me de tudo e todos que se cruzavam comigo sem nunca perder o ritmo! Já com a Antiga Lota (actual Centro Cultural) no horizonte e o cornómetro a dizer-me que ainda não era desta que ia falhar a hora marcada, reparo que tenho um casal de palecos* há minha frente. Como tinha feito até aqui avalio de forma militar a situação:
- homem e mulher de meia idade; em passo de passeio; não me parecem muito preocupados ou com pressa; não parecem interessados na montras...
Estratégia perante o obstáculo:
- seguir no meu ritmo; fazer a ultrapassagem pela direita onde há mais espaço.

...

estou cega!!!! a dor é tanta que não consigo enxergar! deixei de respirar porque isso vai fazer realçar a dor... lembro-me do relógio... ganho coragem e abro os olhos... o meu pé continua no fim da perna e conto 5 dedos!... quero dizer muitos palavrões mas não tenho tempo... olho em frente e vejo a cara de homem vulgarmente balofo a olhar incrédulo para mim... sei que estou vermelha e que os meus olhos para além de raiados de dor estão turvados de raiva... sigo o meu caminho com o andar menos seguro, mas ainda assim são 8h58. Missão (dolorasamente) cumprida!!!

A meio da manhã a dor é grande, olho para o pé direito está com uma cor diferente... meio azulado e tudo porque o homem resolveu ver uma montra no mesmo momento em que eu o estava autrapassar! O resultado: o meu dedo mindinho entro pelo calcanhar adentro da pessoa que seguia à minha frente!
À hora do almoço o azul está mais intenso. Mantendo a rotina, vou à praia dar um mergulho e comer. Aproveito e peço ao salva-vidas para me atar um dedo ao outro. Já sabia os procedimentos paramédicos a ter nesta situação, porque normalmente ando descalça e normalmente alguma coisa me acontece aos dedos mais pequenos,** que depois de massacrados em sapatilhas de pontas de ballet anos a fio,*** têm uma resposta aos traumas, mais retardada.

Volto ao trabalho e ao fim da tarde. O azul passou para esverdeado e a locomoção tornou-se muito mais difícil! Resolvo que o melhor é fazer um Raio-X até porque é um bom motivo para conhecer os ossos do meu próprio pé! Sou "rija como o aço" e está tudo no sítio! Do verde passou ao castanho sujo e no fim do Verão já tinha passado!

Juro que dedico tempo e atenção aos meus pézinhos que tento que estejam sempre impecavelemente cuidados e hidratados... mas isso não os torna necessariamente mais bonitos!

* gente que não é da Praia
** em miúda a subir as escadas de ferro em caracol para o sótão era comum encalhar o dedo pequenino nos ferros; também era comum errar a tangente à entrada nas divisões e os dois dedinhos ficavam no lado de fora do quarto;
*** o sorriso das bailarinhas é amarelo! acreditem! não há nada de gracioso em fazer bolhas sobre bolhas enquanto se dança com o nosso pesso todo sobre o nós dos dedos!

os meus pés numa qualquer "fontana" de Roma... ao clicar na imagem da perceber o quão feios são!

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